Após reunião, FMI decide manter Strauss-Kahn no cargo
Em meio ao escândalo envolvendo seu diretor-gerente Dominique Strauss-Kahn, acusado de abuso sexual nos EUA, o FMI (Fundo Monetário Internacional), reuniu-se nesta segunda-feira e decidiu manter o francês no cargo e continuar acompanhando os desdobramentos do caso.
Membros da diretoria do organismo receberam informações detalhadas sobre a prisão de Strauss-Kahn em Nova York e o andamento do seu caso. Mais cedo, a promotoria nova iorquina recusou conceder fiança.
Em comunicado, o órgão internacional não apoiou nem condenou seu diretor-gerente.
"O FMI e sua diretoria executiva continuarão a monitorar os desdobramentos", disse a porta-voz Caroline Atkinson, acrescentando que na reunião o número 2 do órgão, John Lipsky, e o conselheiro-geral, Sean Hagan, informaram a cúpula da entidade sobre o caso.
A decisão da Justiça americana de manter Strauss-Kahn preso foi fundamentada na possibilidade de que ele pudesse fugir dos Estados Unidos.
"O fato de que ele estava prestes a embarcar em um voo [quando foi preso], que levanta algumas preocupações", disse a juíza Melissa Jackson.
FIANÇA
Outro argumento usado pela promotoria e acatado pelo tribunal foi o de que Strauss-Kahn já era suspeito de ter cometido crimes semelhantes.
Ao dizer que o diretor do FMI poderia voltar a qualquer momento para a França e escapar de eventual condenação, os promotores citaram o cineasta Roman Polanski, que, acusado em 1977 de violência sexual contra uma menina de 13 anos em Los Angeles, passou anos refugiado na Europa.
Os advogados de defesa de Strauss-Kahn haviam proposto que ele pagasse uma fiança de US$ 1 milhão para ser beneficiado com a liberdade provisória.
O diretor do FMI deve ficar preso ao menos até uma nova audiência, marcada para acontecer na próxima sexta-feira. Seus advogados já afirmaram que ele continuará se declarando inocente e que se submeterá à exames da polícia científica para coletar provas que sustentem sua versão para o caso.
Strauss-Kahn é acusado de ter tentado violentar a camareira de um hotel onde se hospedava em Nova York no último sábado. Ele foi preso dentro de um avião tentando embarcar para a França. A moça tem 32 anos.
SEGUNDA ACUSAÇÃO
Também nesta segunda-feira um advogado francês disse que sua cliente estava considerando apresentar uma queixa contra Strauss-Kahn, por um suposto incidente sexual ocorrido há quase uma década.
O advogado David Koubbi disse que Tristane Banon, uma escritora, poderia apresentar uma queixa por um suposto incidente que ocorreu quando ela foi entrevistar Strauss-Kahn, o ex-ministro das Finanças francês, em um apartamento.
O suposto ataque contra Banon ocorreu em 2002. Segundo a lei francesa, acusações de assédio sexual devem ser apresentadas dentro de três anos, mas acusações de estupro podem ser registradas até 10 anos após a agressão.
Banon não apresentou as queixas na época em que o suposto crime ocorreu porque sua mãe, uma vereadora local do Partido Socialista, convenceu a escritora a não instaurar um processo contra um político que era um amigo da família.
Ela disse à TV francesa durante o final de semana que agora se arrependia da decisão.
ENTENDA O CASO
As acusações que Strauss-Kahn enfrenta, segundo a polícia americana, incluem "agressão sexual, retenção ilegal e tentativa de estupro" de uma camareira de 32 anos em um quarto de hotel em Nova York.
O francês foi preso no sábado após ser retirado por policiais da primeira classe do voo da Air France que ia para Paris minutos antes da sua decolagem. Ele iria se encontrar neste domingo com a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel.
De acordo com o sub-comissário de polícia de Nova York, Paul Browne, ouvido pela emissora CNN, Strauss-Kahn apareceu nu quando a funcionária entrou em seu quarto para limpá-lo, por volta das 13h do sábado (14).
Browne disse que Strauss-Kahn tentou abusar da mulher mas ela conseguiu fugir e correu até a recepção do hotel. Os funcionários alertaram a polícia mas, quando os agentes chegaram ao hotel, o chefe do FMI já havia fugido para o aeroporto, deixando no quarto alguns objetos pessoais, entre eles seu telefone.
O celular esquecido no quarto do hotel Sofitel foi decisivo para a prisão do diretor-gerente do FMI. Já no aeroporto JFK, o francês ligou para a recepção informando onde estava e pedindo para que o aparelho fosse devolvido. Do outro lado da linha, um policial atendeu e direcionou equipes para o terminal aéreo.
HISTÓRICO
Não é a primeira vez que Strauss-Kahn se vê envolvido em polêmicas deste tipo. Em 2008, pouco depois de assumir o comando do FMI, ele assumiu ter tido um caso com uma funcionária do organismo, a economista Piroska Nagy, casada com um ex-presidente do Banco Central argentino.
Na época, Strauss-Kahn admitiu "um erro de julgamento" por conta do caso.
Ainda que não tenha anunciado a sua candidatura, Strauss-Kahn, que é membro do Partido Socialista francês, aparece nas pesquisas como o principal rival do atual presidente Nicolas Sarkozy nas eleições à Presidência da França, marcadas para abril do ano que vem.
Números divulgados no início de maio apontam que o chefe do FMI, que ainda não confirmou se vai concorrer, teria 23% dos votos no primeiro turno contra 17% para a líder da extrema-direita Marine Le Pen e 16% para Sarkozy.
O próprio apoio de Sarkozy para a sua candidatura ao FMI foi visto como uma manobra para afastá-lo da corrida presidencial.
Membros da diretoria do organismo receberam informações detalhadas sobre a prisão de Strauss-Kahn em Nova York e o andamento do seu caso. Mais cedo, a promotoria nova iorquina recusou conceder fiança.
Em comunicado, o órgão internacional não apoiou nem condenou seu diretor-gerente.
"O FMI e sua diretoria executiva continuarão a monitorar os desdobramentos", disse a porta-voz Caroline Atkinson, acrescentando que na reunião o número 2 do órgão, John Lipsky, e o conselheiro-geral, Sean Hagan, informaram a cúpula da entidade sobre o caso.
A decisão da Justiça americana de manter Strauss-Kahn preso foi fundamentada na possibilidade de que ele pudesse fugir dos Estados Unidos.
"O fato de que ele estava prestes a embarcar em um voo [quando foi preso], que levanta algumas preocupações", disse a juíza Melissa Jackson.
FIANÇA
Outro argumento usado pela promotoria e acatado pelo tribunal foi o de que Strauss-Kahn já era suspeito de ter cometido crimes semelhantes.
Ao dizer que o diretor do FMI poderia voltar a qualquer momento para a França e escapar de eventual condenação, os promotores citaram o cineasta Roman Polanski, que, acusado em 1977 de violência sexual contra uma menina de 13 anos em Los Angeles, passou anos refugiado na Europa.
Os advogados de defesa de Strauss-Kahn haviam proposto que ele pagasse uma fiança de US$ 1 milhão para ser beneficiado com a liberdade provisória.
O diretor do FMI deve ficar preso ao menos até uma nova audiência, marcada para acontecer na próxima sexta-feira. Seus advogados já afirmaram que ele continuará se declarando inocente e que se submeterá à exames da polícia científica para coletar provas que sustentem sua versão para o caso.
Strauss-Kahn é acusado de ter tentado violentar a camareira de um hotel onde se hospedava em Nova York no último sábado. Ele foi preso dentro de um avião tentando embarcar para a França. A moça tem 32 anos.
SEGUNDA ACUSAÇÃO
Também nesta segunda-feira um advogado francês disse que sua cliente estava considerando apresentar uma queixa contra Strauss-Kahn, por um suposto incidente sexual ocorrido há quase uma década.
O advogado David Koubbi disse que Tristane Banon, uma escritora, poderia apresentar uma queixa por um suposto incidente que ocorreu quando ela foi entrevistar Strauss-Kahn, o ex-ministro das Finanças francês, em um apartamento.
O suposto ataque contra Banon ocorreu em 2002. Segundo a lei francesa, acusações de assédio sexual devem ser apresentadas dentro de três anos, mas acusações de estupro podem ser registradas até 10 anos após a agressão.
Banon não apresentou as queixas na época em que o suposto crime ocorreu porque sua mãe, uma vereadora local do Partido Socialista, convenceu a escritora a não instaurar um processo contra um político que era um amigo da família.
Ela disse à TV francesa durante o final de semana que agora se arrependia da decisão.
ENTENDA O CASO
As acusações que Strauss-Kahn enfrenta, segundo a polícia americana, incluem "agressão sexual, retenção ilegal e tentativa de estupro" de uma camareira de 32 anos em um quarto de hotel em Nova York.
O francês foi preso no sábado após ser retirado por policiais da primeira classe do voo da Air France que ia para Paris minutos antes da sua decolagem. Ele iria se encontrar neste domingo com a chanceler (premiê) alemã, Angela Merkel.
De acordo com o sub-comissário de polícia de Nova York, Paul Browne, ouvido pela emissora CNN, Strauss-Kahn apareceu nu quando a funcionária entrou em seu quarto para limpá-lo, por volta das 13h do sábado (14).
Browne disse que Strauss-Kahn tentou abusar da mulher mas ela conseguiu fugir e correu até a recepção do hotel. Os funcionários alertaram a polícia mas, quando os agentes chegaram ao hotel, o chefe do FMI já havia fugido para o aeroporto, deixando no quarto alguns objetos pessoais, entre eles seu telefone.
O celular esquecido no quarto do hotel Sofitel foi decisivo para a prisão do diretor-gerente do FMI. Já no aeroporto JFK, o francês ligou para a recepção informando onde estava e pedindo para que o aparelho fosse devolvido. Do outro lado da linha, um policial atendeu e direcionou equipes para o terminal aéreo.
HISTÓRICO
Não é a primeira vez que Strauss-Kahn se vê envolvido em polêmicas deste tipo. Em 2008, pouco depois de assumir o comando do FMI, ele assumiu ter tido um caso com uma funcionária do organismo, a economista Piroska Nagy, casada com um ex-presidente do Banco Central argentino.
Na época, Strauss-Kahn admitiu "um erro de julgamento" por conta do caso.
Ainda que não tenha anunciado a sua candidatura, Strauss-Kahn, que é membro do Partido Socialista francês, aparece nas pesquisas como o principal rival do atual presidente Nicolas Sarkozy nas eleições à Presidência da França, marcadas para abril do ano que vem.
Números divulgados no início de maio apontam que o chefe do FMI, que ainda não confirmou se vai concorrer, teria 23% dos votos no primeiro turno contra 17% para a líder da extrema-direita Marine Le Pen e 16% para Sarkozy.
O próprio apoio de Sarkozy para a sua candidatura ao FMI foi visto como uma manobra para afastá-lo da corrida presidencial.
Por Folha