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Hugo Chávez recomenda 'força' a Antonio Palocci

Brasília (AE) - Em processo de perda de influência política no continente, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, aproveitou a visita ao Brasil para recomendar "força" ao ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, suspeito de tráfico de influência e enriquecimento ilícito. Ao ser recebido pela presidenta Dilma Rousseff no Salão Nobre, do Planalto, Chávez abraçou Palocci por longo tempo. "Fuerza, fuerza", disse o venezuelano, que se apoiava em uma bengala por conta de um problema no joelho.
Chávez não subiu a rampa, ritual tradicional nas visitas oficiais de chefes de Estado e governo. Ele entrou no palácio por um elevador. Os dois presidentes ouviram os hinos do Brasil e da Venezuela, no topo da rampa. Sem a badalação das recepções oferecidas durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), o almoço de ontem no Itamaraty ocorreu numa sala com portas fechadas à imprensa e não teve o tradicional brinde público.
A visita de Chávez serviu, no entanto, para o Planalto demonstrar que a crise envolvendo Palocci não engessou as atividades do governo. O ministro, que não costuma participar de almoços oferecidos a presidentes de países vizinhos, estava ao lado de Dilma. A presidenta e seu ministro se recusaram a dar entrevista.

Seguranças

Após o almoço no Itamaraty e a saída de Dilma e Chávez, o ministro Antonio Palocci mandou assessores mobilizarem seguranças do Planalto para não ser abordado pela imprensa na saída privativa do prédio. Os seguranças, no entanto, deixaram o local assim que Dilma saiu. O ministro orientou o motorista a mudar de portaria. Depois de tentar sair por outras três portarias, ele acabou conseguindo despistar a imprensa e saiu por uma porta do prédio anexo.
Durante a visita, Dilma e Chávez fecharam acordo em que o BNDES emprestará US$ 637 milhões para a PDVSA construir um estaleiro na península de Ayara, em Sucre. A empresa brasileira Braskem, controlada pela Odebrecht e pela Petrobras, reafirmou a disposição de fazer parceria com a PDVSA para construir usinas de resina na Venezuela, projeto que chegou a ser anunciado no governo Lula.
Em declaração conjunta, Dilma defendeu a integração e cooperação harmoniosa dos países latino-americanos, respeitando os direitos humanos. "O Brasil sempre estará lutando pela integração dos nossos países, por uma harmoniosa cooperação e um modelo de desenvolvimento, sempre respeitando os direitos humanos", disse. "Acredito que houve grandes avanços nesta última década por esse espírito de cooperação e nós olhamos com muita esperança para o futuro de nossa região, e que tenhamos países muito desenvolvidos e democráticos."
Dilma ressaltou que o tempo coloca para o Brasil e a Venezuela desafios fortes nas áreas da economia, da política, da cooperação científica e dos direitos humanos. Ela destacou o aumento do comércio bilateral, no último ano, e ressaltou o interesse do Brasil em aumentar a importação de diesel e etanol venezuelano. Chávez, por sua vez, enfatizou o trabalho dos dois países na erradicação da miséria, disse que a relação entre Brasil e Venezuela não se limita a um intercâmbio comercial e que Dilma está ajudando a consolidar um modelo de cooperação econômica, social e científica, que começou a ser implantado por Lula. Na visita marcada pelo formalismo, o venezuelano disse que os oito anos de mandato de Lula foram "maravilhosos". 

Por Tribuna do Norte

 

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