Governo federal corta ponto de 11,5 mil grevistas

O governo decidiu cortar o ponto de 11.495 servidores públicos federais que estão em greve. O corte poderá ser parcial ou total. De acordo com o Ministério do Planejamento, serão descontados todos os dias não trabalhados. A decisão terá impacto sobre a folha de pagamento de agosto, que é paga a partir do início de setembro. No mês passado, o corte atingiu 1.972 grevistas.
Apesar da abertura de negociação com os servidores públicos para tentar encontrar uma solução para o impasse – 30 categorias declararam greve nos últimos meses –, o governo já havia deixado claro que iria cortar o ponto dos servidores. Na noite desta segunda-feira, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou o corte do ponto dos agentes da Polícia Federal que faltassem ao trabalho por conta da paralisação e avisou que aqueles que realizarem operação-padrão, que na semana passada foi proibida pelo Superior Tribunal de Justiça, serão submetidos a processo disciplinar.
Assessores do Planejamento explicaram que professores e técnicos administrativos das universidades federais não serão atingidos pelo corte – sindicatos da categoria fecharam acordo de reajuste salarial entre 25% e 40% até 2015. Neste caso, os grevistas irão repor os dias parados, por isso o governo não aplicou a mesma punição determinada para as demais categorias.

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Equador anuncia destino de Julian Assange hoje

A longa luta de Julian Assange contra a extradição terá um capítulo decisivo na manhã desta quinta-feira, quando o governo do Equador vai anunciar às 9h da manhã de Brasília sua decisão sobre o pedido de asilo político feito pelo fundador do Wikileaks. A informação veio do minsitro das relações exteriores do país sul-americano, Ricardo Patiño, que concedeu uma entrevista coletiva em Quito na quarta-feira. Na ocasião, o diplomata acusou a Grã-Bretanha de ameaçar invadir a embaixada para prender o empresário australiano. 
Assange está refugiado na embaixada equatoriana em Londres desde 19 de junho, quando perdeu uma batalha legal na Grã-Bretanha, que deu sinal verde para sua extradição à Suécia, onde o empresário australiano enfrenta denúncias de agressão sexual. Assange nega as acusações e afirma que é perseguido por motivos políticos. Seu maior temor é uma eventual extradição para os Estados Unidos, onde enfrentaria acusações que poderiam levá-lo à pena de morte. O ciberativista provocou a ira dos EUA quando divulgou e-mails secretos do exército americano em 2010.

Crise diplomática - Na coletiva de quarta, Patiño afirmou estar chocado com a atitude do governo britânico. "Hoje recebemos por parte da Grã-Bretanha uma ameaça expressa e por escrito de que poderão invadir nossa embaixada em Londres caso o Equador não entregue Julian Assange", relatou o chanceler, visivelmente irritado. “Nós não somos uma colônia britânica”, decretou ele, acrescentando que a entrada não autorizada na embaixada seria uma violação de tratados internacionais. Em tom de ameaça, o diplomata disse que a invasão seria um "ato hostil" da Grã-Bretanha contra a soberania do Equador.
Em resposta às acusações de Patiño, um porta-voz do Foreign Office, orgão do governo britânico responsável pelas relações exteriores, afirmou que a Grã-Bretanha apenas "esclareceu" ao Equador a sua posição em relação às leis internacionais. "Entre elas as garantias sobre os direitos humanos em nossos processos de extradição e o status legal das sedes diplomáticas", em referência à uma lei de 1987 que permite, em certas condições, suspender a imunidade de uma embaixada, o que possibilitaria a entrada da polícia para efetuar a prisão de Assange.

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Cruzeiro do Sul tem patrimônio R$ 2 bi negativo

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) informou nesta terça-feira que elevou em quase 139% o rombo estimado no Banco Cruzeiro do Sul. Após uma série de ajustes patrimoniais, como, por exemplo, um novo cálculo das provisões para cobrir calotes e processos judiciais, além de créditos consignados fictícios; o prejuízo estimado saltou de um valor inicialmente contabilizado em 1,3 bilhão de reais para 3,11 bilhões de reais. Com essa nova cifra, o patrimônio do banco, que era de 1,15 bilhão de reais fica negativo em 2,23 bilhões de reais. "Fizemos todo o levantamento possível, trabalhamos exaustivamente na verificação de cada linha do balanço e chegamos a um ajuste total de R$ 3,110 bilhões", disse Celso Antunes, indicado pelo FGC para assumir a direção do Cruzeiro do Sul.
Em 3 de junho, o Banco Central (BC) decretou intervenção na instituição financeira carioca, que foi colocada sob Regime de Administração Especial Temporária (Raet). A medida ocorreu depois de ter sido identificado o comprometimento da situação econômico-financeira do banco e "grave violação de normas" pela instituição. A decisão implicou o afastamento dos controladores – a família Índio da Costa – da gestão e a passagem ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instituição criada com objetivo de proteger os depósitos dos clientes do sistema financeiro.

"Socialização" – Para cobrir o rombo bilionário do Cruzeiro do Sul, o FGC propôs nesta terça-feira a "socialização" dos prejuízos, em que investidores que compraram títulos do banco aceitem perder, em média, 49,3% do que esperavam receber. A oferta, que será formalizada nesta quarta-feira, está condicionada a uma adesão de 90% dos credores e que apareça um comprador para o Cruzeiro do Sul. Os credores externos têm 3,3 bilhões de reais em papéis do banco, enquanto os credores locais, 430 milhões de reais. O FGC cobrirá o passivo relativo a linha DPGE e depósitos de até 70 mil reais. 

Detalhamento – O FGC fará a oferta de compra de dívida com deságio de 49% para pagar apenas parte do rombo, isto é, 2,23 bilhões de reais – suficiente para zera o patrimônio. "Duvido que não haja interessados. Eu não perderia uma oportunidade dessas", disse o diretor executivo do FGC, Antonio Carlos Bueno.
A proposta de compra de títulos considera o prazo de maturação de cada uma das séries das emissões, sua participação relativa no passivo do Cruzeiro do Sul e sua senioridade. O FGC contratou o HSBC e o Bank of America Merrill Lynch como coordenadores da operação. 
Para a finalização da oferta existem duas condições cumulativas: a adesão de no mínimo 90% dos valores dos papéis objeto das ofertas e a obtenção de proposta firme de compra do controle da instituição por parte de outra instituição autorizada a funcionar no mercado pelo BC. Caso qualquer das condições não seja cumprida, a operação será automaticamente cancelada – situação na qual o FGC recomendará ao Banco Central a imediata liquidação extrajudicial da instituição.

Cronograma – Segundo o cronograma estabelecido pelo FGC, a partir desta quarta-feira os dados das contas do Cruzeiro do Sul estarão à disposição dos interessados. As propostas serão recebidas em 10 de setembro. “Ate lá, tudo roda normalmente, tudo que vencer será pago, nada muda”, afirmou Antunes.
A oferta tem prazo de encerramento previsto para 12 de setembro. O FGC está ofertando também a possibilidade de aquisição do controle acionário do banco às instituições ou conglomerados financeiros já em funcionamento no país e que preencham determinados requisitos.
Dessa forma, a soma dos deságios aplicados a todos os credores, caso se obtenha sucesso nas operações, será de valor equivalente ao patrimônio líquido negativo apurado no balanço especial de abertura, ou seja, 2,236 bilhões de reais, a ser acrescido dos custos incorridos na operação.
Assim, diz o FGC, o ônus pela eliminação do patrimônio liquido negativo será "socializado", isto, será equitativamente distribuído entre credores externos, credores internos não garantidos ou garantidos parcialmente e o fundo.

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Defesa de Roberto Jefferson mira Lula, BMG e MP

O oitavo dia de julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF) foi marcado pela participação do incisivo advogado do ex-deputado Roberto Jefferson, Luiz Francisco Barbosa. O defensor gastou boa parte de seu tempo na sessão desta segunda-feira para questionar a ausência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu no processo.
Sem rodeios, ele disse que o petista é o maior responsável pelo esquema de compra de apoio político de deputados: “Lula é safo, é doutor honoris causa e não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso que deu razão à ação penal. Sim, ele ordenou. Aqueles ministros eram apenas executivos dele”, afirmou Barbosa. 
Como antecipou o site de VEJA, o representante de Jefferson disse que o esquema interessava a quem tinha o poder de enviar projetos de lei ao parlamento: o presidente da República. O advogado também acusou Lula de favorecer o banco BMG, que depois viria a abastecer generosamente o valerioduto. O governo criou uma lei que permitiu à instituição oferecer crédito consignado para aposentados, o que rendeu grandes lucros ao BMG.
A tática de Barbosa é citar a omissão de Lula para criticar o Ministério Público e sustentar que Roberto Jefferson foi vítima de uma ação seletiva da Procuradoria-Geral da República. Sobre os mais de 4 milhões e reais recebidos pelo PTB eram resultado de um acordo lícito para as eleições municipais de 2004, e não o fruto da adesão da sigla ao governo Lula: “As direções nacionais do PT e PTB ajustaram, para aquela eleição, apoio material por transferência de recursos”, disse. 
Barbosa alegou ainda que seu cliente foi transformado em réu para que não prosseguisse denunciando o mensalão. “Denunciaram Roberto Jefferson para silenciá-lo. É acusado só para não abrir aqui sua boca enorme. Tem gente que praticou crime e nada aconteceu”, disse.

José Borba - Representante do ex-deputado José Borba (PP), o advogado Inocênio Mártires Coelho alegou que faltam provas de que seu cliente recebeu mais de 2 milhões de reais do valerioduto. Citando uma lista interminável de juristas, ele gastou relativamente pouco tempo a análise direta da acusação. Criticou a "volatilidade das declarações" de Marcos Valério e atacou o Ministério Público, que teria montado uma peça de acusação sem elementos concretos: 
"Desde o início do processo, embora devessem agir com a isenção de magistrado, os representantes do Ministério Público vêm se comportando como advogados", disse o defensor, que destacou o fato de não haver documentos ligando seu cliente ao esquema de corrupção.

Romeu Queiroz - Suspeito de ter embolsado cerca de 102 000 reais do esquema do valerioduto, o ex-deputado federal Romeu Queiroz (PTB-MG) seguiu a linha-base da defesa dos mensaleiros e disse que o dinheiro que recebeu por meio da agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, não passou de recursos não contabilizados de campanha. A origem do montante seria, segundo ele, uma doação da Usiminas para as eleições de 2004. 
“Nem sempre a gente quer fazer essa doação (de campanha) de modo que gostaríamos de ser identificados. A Usiminas disponibilizou o dinheiro via SMP&B”, disse o advogado Ronaldo Garcia Dias. “A consciência da ilicitude nunca existiu. O dinheiro tinha aparência de uma origem sadia”, resumiu. Em sua defesa, o ex-deputado Romeu Queiroz ainda negou ter vendido seus votos durante a análise das reformas previdenciária e tributária na Câmara dos Deputados.

Bispo Rodrigues - O primeiro advogado a falar nesta segunda-feira foi Bruno Braga, representante do ex-deputado Bispo Rodrigues (na época, filiado ao extinto PL).Acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o réu recebeu, em 2003, 150 000 reais do esquema de Marcos Valério. Assim como fizeram outros advogados, Braga afirmou que tudo não passou de acertos de campanha.
"Esse montante veio do PT com destinação absolutamente daquela imaginada e sustentada pela acusação", justificou o representante de Rodrigues. O advogado disse ainda que seu cliente não pode ser acusado de vender seu voto na Câmara porque integrava o PL, partido do então vice-presidente José Alencar: "Anormal seria o PL, nessas condições, votar contra o governo do qual fazia parte", disse.

Palmieri - O Supremo ouviu ainda o representante de Emerson Palmieri, que ocupava o cargo de tesoureiro informal do PTB na época dos pagamentos recebidos via valerioduto. O advogado Itapuã de Messias disse que seu cliente não tinha ingerência sobre as movimentações financeiras da sigla: "Emerson não é e nunca foi tesoureiro do PTB. Tem funções específicas, subalternas ao tesoureiro, ao presidente e ao secretário", alegou.

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Londres 2012 se despede 'feliz e gloriosa'

A conta foi alta, a expectativa era enorme e a responsabilidade, maior ainda. Mas nem os britânicos mais otimistas – e não é tão fácil achá-los em meio a uma população que não costuma ficar satisfeita com pouca coisa – esperavam um desfecho tão positivo. Depois de um investimento de 9,3 bilhões de libras (o equivalente a quase 30 bilhões de reais), uma operação de guerra para manter a cidade funcionando com mais de 1 milhão de pessoas a mais nas ruas e um projeto revolucionário, que transferiu o foco do presente para o futuro, a Olimpíada de Londres foi encerrada neste domingo com uma bela e divertida cerimônia – e com a conclusão de que o esforço e os gastos valeram a pena. Ainda nem se fala em legado: esse foi um dos pilares da empreitada olímpica londrina, mas é impossível saber quais benefícios serão sentidos pela população daqui para frente. De qualquer forma, a imagem deixada pela Grã-Bretanha em seu primeiro grande evento esportivo internacional desde a Copa do Mundo de 1966 (e em sua primeira Olimpíada desde 1948) é a de um país moderno, dinâmico, aberto e multicultural. Com uma rara mistura de charme e eficácia, os britânicos conquistaram os visitantes, que foram quase unânimes nos elogios à festa. Ao fim de quase todas as Olimpíadas, discute-se se aqueles Jogos foram os melhores de todos os tempos. Por ser uma questão impossível de responder de forma objetiva, nem deve ser abordada. Não se deve comparar, quesito a quesito, Londres com outras concorrentes bem-sucedidas, em função das peculiaridades de cada um e do contexto em que sediaram os Jogos. Ainda assim, fica claro que esta edição, a trigésima da era moderna, está, de fato, entre os sucessos mais estrondosos da história olímpica.
"Quando nosso momento chegou, fizemos tudo certo", festejou Sebastian Coe, presidente do Comitê Organizador de Londres 2012, em seu discurso na cerimônia deste domingo no Estádio Olímpico. "Foram Jogos felizes e gloriosos", emendou Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Os pronunciamentos dos cartolas resumiram bem o que foi a Olimpíada. Com execução próxima da perfeição, o projeto olímpico incluiu diversos aspectos elogiáveis, a começar pela iniciativa de revitalizar uma região desprezada da cidade. Houve ainda grande investimento na sustentabilidade e um combate implacável ao desperdício, através do uso de arenas temporárias em vez da construção de elefantes brancos. Temia-se um caos no trânsito, mas os focos de problema foram isolados – quase todos os envolvidos nos Jogos, incluindo autoridades e convidados de honra, preferiram usar o transporte público, que foi beneficiado com um ambicioso projeto de modernização. Na parte técnica e logística, portanto, Londres sai de sua prova de fogo com uma nota altíssima. Havia dúvidas, contudo, sobre o fator humano. No decorrer das obras para 2012 – e em função dos incômodos que elas traziam ao cotidiano –, os londrinos reclamaram muito, demais, sem parar. Como fazer uma Olimpíada de sucesso se o cenário era perfeito, mas o público não queria entrar na festa? A preocupação provou-se infundada. Os britânicos surpreenderam a todos – e a si mesmos – com uma torcida barulhenta e uma recepção inesperadamente calorosa aos visitantes. Londres, uma das metrópoles mais cosmopolitas do planeta, recebeu gente de todas as partes tratando-as sempre da mesma maneira: com cordialidade e simpatia, ainda que na medida britânica desses atributos.
Havia um momento, entretanto, em que os anfitriões deixavam que a emoção corresse solta. Bastava avistar nas quadras, pistas e piscinas um atleta vestido com o uniforme do "Team GB" – a delegação olímpica que reuniu, em clima de harmonia, os ingleses, escoceses, galeses e norte-irlandeses – para a torcida local ir à loucura. Na vitória de Jessica Ennis, uma descendente de jamaicanos, no heptatlo, o ruído no Estádio Olímpico era equivalente a ficar ao lado de um helicóptero pronto para decolar. No triunfo de Mo Farah, nascido na Somália e criado na capital britânica, os decibéis medidos na pista chegaram ao patamar de uma turbina de avião. Com tamanho incentivo e confiança, a equipe britânica disparou no quadro de medalhas: fez sua melhor campanha desde 1908, terminando em terceiro lugar (Estados Unidos e China foram os dois primeiros). O primeiro-ministro David Cameron já prometeu manter o mesmo nível de investimento nos esportes olímpicos no futuro, evitando que as marcas de 2012 sejam apenas um caso isolado de sucesso. O legado esportivo, aliás, foi uma das grandes bandeiras dos Jogos, que pretendiam envolver mais jovens e crianças na prática esportiva. Era outro objetivo de que se duvidava. O clima de euforia que cercou as duas semanas de Olimpíada, porém, dá pistas de que novos heróis como Jennifer Ennis e Mo Farah aparecerão nas próximas delegações britânicas nos Jogos. Mais do que um avanço esportivo, enxerga-se na Grã-Bretanha que se despediu dos Jogos neste domingo um país mais orgulhoso de sua história e confiante em sua capacidade de inovar e surpreender. Depois de tantas incertezas e hesitações, é difícil pensar num legado melhor que esse.

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Na disputa por medalha, o nome do jogo é atitude

O medalhista de ouro Arthur Zanetti, campeão das argolas na ginástica artística, filho de uma analista contábil e do dono de uma mecânica industrial em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, há quatro anos repete diariamente a rotina de movimentos que o levou ao pódio em Londres. O atleta divide o quarto com o irmão. A parte de baixo do beliche é sua. Por imposição da carreira, ele precisa dormir cedo - o irmão, Victor, ao chegar mais tarde, põe uma toalha em cima da luminária para não incomodar o sono do jovem, que, aos 22 anos, virou herói. Herói depois de uma lesão no punho e uma cirurgia no ombro direito. Zanetti, pela vida absurdamente dedicada, é um exemplo do esforço, estoicismo e resistência de verdadeiros atletas olímpicos - como os da natação, para citar outro esporte, que passam horas e horas contando azulejos no fundo da piscina. São seres humanos excepcionais. Infelizmente, essa é uma condição que não basta quando chega a hora de uma Olimpíada. É preciso que eles saiam dos Jogos maiores do que quando entraram.
Fabiana Murer, favorita ao pódio no salto com vara, saiu menor do que entrou. Culpa dela? Não, da natureza. “Comecei a correr e senti um vento forte”, disse, e em seguida justificou a desistência no terceiro salto: “Era até perigoso me machucar se tentasse”. A russa campeoníssima Yelena Isinbaeva não entendeu nem concorda com a decisão da brasileira: “Uma atleta do nível dela não desiste nunca”. Cesar Cielo é outro que saiu menor do que estava quando chegou. Foi ouro nos 50 metros em Pequim. Sai com o bronze de Londres. Atribuiu o desempenho abaixo do esperado ao fato de ter disputado a prova dos 100 metros dois dias antes. Se olhasse para o lado, Cielo procuraria outra explicação. O americano Michael Phelps, com duas dezenas de medalhas olímpicas, entrou e saiu da piscina mais vezes do que Cielo do ônibus da delegação. O russo Alexander Popov, campeão dos 50 e dos 100 metros no passado, explicou o desempenho de Cielo melhor do que o próprio brasileiro: “Prova olímpica é vencida pelo mais forte. Tinha gente mais forte do que Cielo na piscina”. Thiago Pereira, fenomenal prata nos 400 medley, deixou para trás Phelps e também o temor de se indispor com atletas da própria equipe. Disse Thiago: “Faltou um pouco de comprometimento das nadadoras brasileiras. Lá nos Estados Unidos, tem mulher que fica que nem a gente, não raspa nada e só raspa para melhorar na hora da prova. Aqui, como posso dizer, tem mais vaidade”. A medalha de ouro da desculpa mais esfarrapada da delegação brasileira vai para o cavaleiro José Roberto Reynoso: “A cultura europeia é voltada para o cavalo, no Brasil a pessoa é voltada a ter cachorro em casa”. Ou seja, as magníficas vitórias de cavaleiros brasileiros em Olimpíadas passadas só poderiam ser explicadas como manifestações de contracultura? Reynoso, então, só vencerá uma prova olímpica quando a cultura brasileira mudar de cachorro para cavalo? Claro que não.
Há dois tipos de atleta em uma Olimpíada: os que vão sabendo que podem ganhar uma medalha e os que sabem não ter chance alguma. Entre os vencedores, tudo se perdoa. Eles podem rir, chorar no pódio, fazer extravagâncias, ser exibicionistas como Usain Bolt e suas flechadas. Asseguram, enfim, seu lugar no panteão dos heróis olímpicos. Até sexta-feira passada, o Brasil contava com um total de 22 ouros desde a primeira participação do país em uma Olimpíada, em 1920. São três a menos do que os conquistados pela Grã-Bretanha só nos Jogos deste ano. O Brasil está longe de ser uma potência esportiva, mas, caminhando para sediar uma Olimpíada em 2016, está passando da hora de começar a selecionar e formar atletas vencedores - antes que se abra a guarda para explicações genéricas antropológicas e depreciativas dando conta de que “o brasileiro é alegre, expansivo, faz amigos com facilidade, mas não tem as virtudes necessárias para ser um campeão olímpico”. O ciclista belga Gijs van Hoecke, 15º lugar na categoria Omnium, saiu carregado de uma festa e foi repatriado, antes que a sociologia de botequim visse no comportamento dele a confirmação de que “esses belgas são bons mesmo é de copo”.
Ser derrotado não é desonra. Sofrer um acidente no treino em meio a uma prova faz parte do cotidiano de um atleta de alto nível. Mas os grandes campeões sempre sabem por que ganharam e por que perderam - e nunca põem a culpa em fenômenos sobre os quais não têm controle: o vento e a cultura do país. Com base na história das delegações que melhoraram sobremaneira o desempenho geral de uma Olimpíada para outra, tem-se como lição - e quase como uma regra - que o saldo positivo de um atleta, em especial na natação e no atletismo, que não ganhou medalha olímpica em um esporte individual se mede objetivamente pela sua conquista do melhor desempenho de sua carreira. Isso mostra que ele se superou. Chegou ao auge de seu potencial atual na Olimpíada, que é o palco adequado para essa demonstração. Bater um recorde nacional ou um recorde continental também dá a medida objetiva de um atleta que, mesmo de pescoço vazio, saiu dos Jogos tendo sido um honrado representante do espírito olímpico - citius, altius, fortius, os termos em latim para “mais rápido, mais alto, mais forte”.
Fazer seu melhor tempo, bater o recorde continental ou o nacional é uma demonstração de que o atleta chegou à Olimpíada ao cabo de uma programação racional de trabalho, que ele e seu treinador sabem em que ponto da carreira está o esportista e como ele se compara aos demais da sua categoria. Esse tipo de atleta, quando entrevistado depois da prova, não chora, não ri nervosamente - principalmente, dá respostas coerentes. O campeão olímpico Zanetti já foi muito criticado por exibir-se apenas nas argolas. Mas seu técnico, Marcos Goto, percebeu, desde os 7 anos de Arthur, que os braços curtos e as pernas finas eram ideais para a mais plástica das modalidades da ginástica. Nela eles ficaram, sempre buscando movimentos com maior dificuldade.
O esforço de anos é recompensado, enfim, não necessariamente pelo pódio - mas pela superação de um resultado. Turistas olímpicos são os atletas - não abatidos por contusões e acidentes - eliminados antes das semifinais, que não batem recordes regionais nem nacionais. Nas entrevistas depois do fiasco, esse tipo de atleta se dá por satisfeito apenas por ter estado em uma Olimpíada. “A gente veio não para pegar medalha, mas experiência”, disse Fernando Saraiva, do halterofilismo. Deveria ter ido buscar sua melhor marca de todos os tempos. Fica a lição dos países que deram saltos espetaculares no desempenho geral: selecionar atletas olímpicos com espírito de superação constante - de si mesmos e dos competidores.
Temos muitos exemplos disso aqui mesmo no Brasil. Na Olimpíada de 2004, a seleção feminina de vôlei desperdiçou sete match points contra a Rússia, tomou a virada e perdeu a chance de chegar à final. Ficou o trauma. A revanche veio na semana passada, nas quartas de final de Londres, com uma vitória que abriria o caminho para a finalíssima contra os Estados Unidos. Depois de dar um desproporcional peixinho na quadra para quem é tão contido, o treinador José Roberto Guimarães, duas vezes vencedor olímpico (masculino em 1992, feminino em 2008), vibrou: “O campeão voltou”. Que nossos campeões voltem, apareçam, sejam descobertos, se façam descobrir e sejam apoiados em sua caminhada de glória.

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Caso Demóstenes é a última cartada de Jefferson

Em uma última cartada para tentar desqualificar a denúncia da Procuradoria-Geral da República e provar que o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ) não participou do esquema do mensalão, embora ele próprio o tenha denunciado, o advogado Luiz Francisco Corrêa Barbosa vai apelar para o direito à imunidade parlamentar. A tese do defensor, a ser exposta na próxima segunda-feira, leva em conta o fato de que parlamentares não poderiam ser responsabilizados nem penal nem civilmente “por suas palavras, opiniões e votos”.
A argumentação de Barbosa chega ao ponto de admitir que, em tese, poderia até existir um balcão de compra e venda de votos no Congresso, conduta que, segundo ele, não caberia ser investigada pelo Ministério Público ou pelo Poder Judiciário, mas apenas internamente pela Câmara ou pelo Senado.
“Nenhuma Justiça poderia questionar isso. É a impossibilidade jurídica do pedido de condenação”, explica. Para ele, a chamada “cláusula de inviolabilidade constitucional” impediria a responsabilização de congressistas por atividades realizadas dentro das casas parlamentares e, portanto, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, não poderia ter denunciado os deputados pela suposta venda de votos. As negociatas para a corrupção de parlamentares, que votariam em favor dos interesses do Palácio do Planalto, são a base da denúncia do Ministério Público sobre o mensalão.

Demóstenes - Embora a argumentação sobre a imunidade parlamentar não deva ser levada adiante pelos ministros da Suprema Corte, o advogado de Roberto Jefferson vai insistir também em outra vertente para desqualificar o trabalho de Roberto Gurgel. Barbosa pretende repetir na tribuna os ataques ao chefe do Ministério Público ventilados por petistas interessados em usar a CPI do Cachoeira para, às vésperas do julgamento do mensalão, pressionar o procurador-geral, que passou a ser acusado de agir deliberadamente para retardar um processo contra o então senador Demóstenes Torres.
Para Barbosa, Gurgel agiria segundo suas conveniências, e não em função do interesse público. Conforme o advogado, o procurador-geral repetiu com Demóstenes o que já havia feito em relação ao ex-presidente Lula. “Lula tem vários zagueiros e um deles é o procurador-geral”, afirma.
Na segunda-feira, segundo adiantou o site de VEJA, Luiz Francisco Barbosa pedirá a suspensão do julgamento do mensalão para a realização de novas diligências que investiguem Lula ou, como alternativa, o destacamento de um novo processo, em que o petista seria acusado separadamente.
A acusação contra Lula se basearia, entre outros pontos, na tese de que os três ex-ministros citados no processo, Anderson Adauto, Luiz Gushiken e José Dirceu, não tinham poder para enviar ao Congresso projetos de lei. A denúncia do Ministério Público argumenta que parlamentares da base aliada foram cooptados para votar em favor dos projetos de lei sobre as reformas tributária e previdenciária. Por essa lógica, Lula seria o maior interessado no funcionamento do esquema do mensalão.

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03:37 | Posted in | Leia mais »

Defesa de Jefferson tentará incluir Lula como réu

O advogado do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB), Luiz Francisco Barbosa, pedirá ao Supremo Tribunal Federal (STF) a inclusão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como réu no processo do mensalão. O requerimento será apresentado na sessão de segunda-feira, data da defesa do petebista em plenário. Ele pedirá a suspensão do julgamento para a realização de novas diligências que investiguem Lula ou, como alternativa, o destacamento de um novo processo, em que o petista seria acusado separadamente.
"O procurador-geral da República sugeriu que o presidente, que tem até título de doutor honoris causa, fosse um pateta. Mas ele tinha domínio de tudo", disse o representante de Jefferson ao site de VEJA. 
Há poucas chances de o pedido prosperar, mas a solicitação de Barbosa pode retomar a discussão sobre a responsabilidade de Lula em um momento em que os holofotes estão voltados para o Supremo Tribunal Federal.
O advogado de Jefferson alegará que os três ex-ministros citados no processo, Anderson Adauto, Luiz Gushiken e José Dirceu, não tinham poder para enviar ao Congresso projetos de lei - segundo a denúncia do Ministério Público, o governo comprou o apoio de parlamentares para facilitar a aprovação de propostas no Congresso. Por isso, Lula era o maior interessado no funcionamento do esquema. E, mesmo depois de ter sido avisado por Roberto Jefferson sobre a existência do mensalão, o então presidente não teria tomado providência.
Barbosa cita ainda outro episódio que envolveria o petista: Lula assinou a lei que alterava as regras para a operação de crédito consignado a aposentados: o BMG, até então fora do mercado, passou a participar do negócio. O governo ainda deu um auxílio extra ao enviar cartas a mais de 10 milhões de aposentados, convidando-os a emprestar dinheiro. "Em um ano, o BMG fez cinco vezes mais negócios do que a Caixa, que tinha um número de agências muito maior", alega o advogado. Só depois, afirma o defensor de Roberto Jefferson, é que a instituição bancária passou a abastecer o esquema do valerioduto, onde despejou cerca de 30 milhões de reais. Com o ato de ofício de Lula - a lei que favoreceu o BMG - ficaria reforçada a participação do petista no episódio.
Em ocasiões anteriores, Luiz Francisco Barbosa questionou o Supremo Tribunal Federal a respeito da ausência de Lula no processo. Em todas as vezes, a Corte se recusou a discutir o caso. Esta será a primeira vez em que a inclusão do petista como réu será solicitada diretamente. "O presidente terá de submeter o tema ao plenário", diz o advogado.

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Defesa de João Paulo Cunha se limita a negativas

Um dos réus do mensalão que responde por robusta acusação da Procuradoria-Geral da República, o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) optou por uma defesa de negativas, recheada de frases de efeito, mas sem rebater pontualmente as denúncias de sua participação no esquema.
Segundo a denúncia da Procuradoria, um dia depois de se reunir com Marcos Valério de Souza, o petista recebeu 50 000 reais do esquema. O saque foi feito pela mulher do deputado numa agência do Banco Rural. Duas semanas depois, a empresa SMP&B, de Valério, venceu uma licitação na Câmara. Detalhe: a agência havia sido desclassificada anteriormente por insuficiência técnica.
Desse contrato, João Paulo é acusado de desviar em proveito próprio 252 000 reais. O valor refere-se à subcontratação pela SMP&B da empresa de um jornalista que já prestava assessoria ao deputado. Com isso, Cunha continuaria desfrutando dos serviços sem ter que arcar com os custos. Do mesmo contrato, a Procuradoria aponta que Cunha é responsável por 536.440,55 reais desviados para o caixa de Marcos Valério.
João Paulo responde por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. Ele foi absolvido no plenário da Câmara, conseguiu se reeleger em 2006 e 2010 e agora disputa as eleições para a prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo.
Diante dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado do petista, Alberto Zacharias Toron, adotou um discurso enérgico, bateu palmas durante sua fala, classificou a peça acusatória de “fantasmagórica” e disse que as denúncias se resumiam a “criação mental”.
Candidato à presidência da OAB em São Paulo, Toron disse ser legal a terceirização de serviços feita pela agência de publicidade SPMP&B, mas não explicou, por exemplo, se as empresas subcontratadas efetivamente trabalharam na Casa. O advogado afirmou que as subcontratações eram um expediente corriqueiro de agências de publicidade. A linha da defesa foi listar testemunhas que afirmaram ter visto o jornalista prestar os serviços."Ele (o jornalista) fazia o trabalho para a instituição. Se essas pessoas que sentaram como testemunhas mentiram, deveriam ser alvo do Ministério Público com ação de falso [testemunho], mas isso não se cogitou."
A defesa também não apontou – embora esse argumento conste da defesa final do deputado petista – a real destinação dos 50 000 reais recebidos por sua esposa do esquema. Para a acusação, o dinheiro sacado na boca do caixa prova o crime de corrupção passiva.
Sobre a acusação de lavagem de dinheiro, o advogado afirmou que a mulher do petista não sabia a origem do dinheiro. "Mandaria ele a própria esposa buscar dinheiro de corrupção?", disse. Segundo Toron, se houve entrega do dinheiro, "ele já veio lavado."
O advogado chegou a citar o “coração maravilhoso” do presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, e a predileção do ministro Luiz Fux por artes marciais. “João Paulo Cunha é um homem que tem origem profundamente humilde. É candidato, se expõe, aparece e mostra a cara porque crê na sua inocência. Não praticou crime de espécie alguma”, disse. “Não há nos autos o mínimo de prova, de suporte empírico material. Estamos em um caso típico de criação mental.”

Outros réus - Ao longo do julgamento desta quarta-feira, os ministros da Suprema Corte também ouviram as defesas do ex-ministro Luiz Gushiken e de três nomes ligados ao Banco Rural: José Roberto Salgado, Ayanna Tenório e Vinícius Samarane.
Representando Salgado, ex-vice-presidente do Banco Rural, o criminalista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça, disse faltarem provas de que seu cliente tenha cometido crimes financeiros e ajudado a manter em funcionamento a engenharia financeira que abasteceu o mensalão. Atual integrante do Conselho de Administração do Rural, Salgado é acusado de autorizar e renovar empréstimos fraudulentos para Marcos Valério e para o PT, além de viabilizar a remessa de parte do dinheiro do esquema para o exterior. "É um julgamento de bala de prata, feito uma vez só. Como se trata de destinos de pessoas, é preciso um duplo cuidado”, afirmou.
Responsável pelas linhas gerais de defesa de todos os executivos do Banco Rural, Bastos ainda classificou o mensalão é uma "marca-fantasia" de episódios distintos, cuja união teria sido forjada pelo Ministério Público Federal em sua denúncia. "Ele (Salgado) se viu envolvido nesse furacão, nessa marca-fantasia do mensalão." Ele também manteve a defesa alinhada à de outros réus: "Vamos ter condições de montar um mosaico de persuasão da inocência desses acusados".
O advogado Antonio Cláudio Mariz, representante da ex-dirigente do Banco Rural, Ayanna Tenório, alegou, por sua vez, que, apesar de a executiva ter ocupado um cargo que exigia exatamente o cumprimento das normas financeiras, ela desconhecia as irregularidades nos empréstimos feitos pelo banco ao PT e às empresas de Marcos Valério.
Mariz adotou a tese de que sua cliente não foi informada de nenhuma irregularidade nas transações: "Como ela poderia saber que de repente estaria, mesmo que inconscientemente, se envolvendo em uma trama diabólica, criminosa, o escândalo da República, se os documentos oficiais não a comunicavam de eventuais irregularidades?"
O advogado disse que a acusada é "ignorante" em finanças e que está sendo processada apenas em razão do cargo que ocupava. "Ayanna está sendo responsabilizada pelo organograma. É a responsabilidade de papel, não a responsabilidade de conduta”, argumentou.
Também representante de réus que fazem parte do chamado núcleo financeiro da denúncia do mensalão, o advogado Maurício de Oliveira Campos Jr., responsável pela defesa do atual vice-presidente do Rural, Vinícius Samarane, disse em defesa do banqueiro que o Ministério Público quer transformar em crime “rotinas bancárias” comuns.
Ele afirmou que o então superintendente de Controles Internos da instituição financeira só assumiu o posto e, portanto, se tornou gestor, em abril de 2004 – data posterior aos empréstimos supostamente fraudados concedidos pelo banco a empresas de Marcos Valério. Por essa tese, ele não poderia ser acusado de gestão fraudulenta. “Ele foi arrastado pela conveniência do processo”, afirmou.
“São rotinas bancárias submetidas a censuras graves de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e formação de quadrilha. (A acusação) Eleva à condição de gestão fraudulenta a conduta dessas pessoas (diretores do Rural) em razão de uma, duas ou três operações financeiras em um universo de milhares de empréstimos concedidos pelo Banco Rural”, disse o advogado.

Gushiken - Último a se manifestar na sessão plenária desta quarta no STF, o advogado Luiz Justiniano Fernandes, responsável pela defesa do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Luiz Gushiken, ressaltou que o próprio Ministério Público não pediu a condenação do petista por considerar não haver provas da participação do ex-auxiliar de Lula no esquema do mensalão. Ainda assim, argumentou que gostaria que a Corte declarasse a inocência do acusado. “A defesa de Gushiken deseja o reconhecimento de que está provada sua inocência e não apenas que faltam provas”, resumiu o defensor.

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03:25 | Posted in | Leia mais »

Defesa tenta desvincular núcleos do mensalão

A defesa de cinco réus que integram os chamados núcleos financeiro e operacional do mensalão tentaram nesta terça-feira, no quarto dia de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), se desconectar do esquema de compra de apoio de parlamentares no Congresso Nacional. Na prática, os advogados tentaram convencer os ministros que seus clientes não tinham o controle da situação e não sabiam a motivação das transações financeiras envolvidas no chamado valerioduto.
Até mesmo a defesa de Kátia Rabello, presidente do Banco Rural na época do estouro do escândalo, adotou uma tese diversionista: o advogado José Carlos Dias afirmou que a acusada nunca teve vocação para o mercado financeiro, chegou ao comando do banco por razões familiares e não controlava o dia a dia da instituição. Quem tinha essa responsabilidade, segundo Dias, era o vice-presidente do Banco Rural à época, José Augusto Dumont - que morreu em um acidente de carro.
"Ele era o homem que tocava o banco. Era ele, indiscutivelmente, o homem responsável por todas as operações do banco", disse o advogado, que defendeu a legalidade das transações financeiras feitas entre o banco e as empresas de publicidade de Marcos Valério de Souza, o operador do mensalão. Ao todo, a instituição repassou 32 milhões de reais ao grupo do publicitário.
“Essa moça que subiu à presidência do banco sem estar vocacionada está sendo julgada como quadrilheira. Ela está vivendo o inferno”,disse o advogado. "Kátia Rabello era uma bailarina que, por uma sucessão de tragédias, assumiu a presidência do Banco Rural",afirmou.

Não sabia - Tese semelhante adotaram os advogados de Simone Vasconcelos, ex-diretora administrativa da SMP&B de Marcos Valério, e Geiza Dias, ex-gerente financeira da mesma empresa. Apesar de ocuparem cargos importantes na companhia e terem distribuído em mãos os recursos do mensalão, as duas alegam que apenas cumpriram ordens e não sabiam das práticas criminosas. "Simone Vasconcelos não tinha consciência da ilicitude", afirmou seu advogado.
O advogado de Geiza Dias, Sérgio Abreu e Silva, chegou a chamá-la de "funcionária mequetrefe" e "batedora de cheques". O representante de Simone, Leonardo Yarochewsky, afirmou que ela não sabia a finalidade dos recursos que distribuía a parlamentares: "Simone estava cumprindo ordens. Era isso o que ela fazia e nada mais do que isso", justificou.
Sérgio Abreu e Silva também defendeu na tribuna o advogado Rogério Tolentino, que fez um empréstimo de 10 milhões de reais a Marcos Valério. O Ministério Público afirma que esse valor abasteceu o mensalão. Segundo Silva, Tolentino não sabia que os recursos abasteceriam um esquema criminoso. O fato de Rogério Tolentino ter ido a Portugal buscar recursos para o valerioduto foi minimizado pelo defensor: "Ele foi fazer turismo remunerado", disse Silva, sem aparentar ironia. "É um roteiro para novela das oito", afirmou o advogado, atacando a denúncia do Ministério Público.
O primeiro a falar foi Castellar Guimarães, representante de Cristiano Paz, então sócio de Marcos Valério. O advogado destacou o histórico profissional de sucesso de seu cliente e afirmou que Paz não exercia atividade financeira ou administrativa nas empresas SMP&B e DNA. "Ele se dedica integralmente à sua tarefa de criação, impossibilitando que pudesse ocupar qualquer outra função na empresa", alegou o advogado, sustentando a tese de que não há provas contra seu cliente.

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03:26 | Posted in | Leia mais »

A defesa orquestrada dos réus: mensalão não existiu, nem desvio de dinheiro público, só caixa 2

Em um movimento orquestrado, os advogados dos principais réus do esquema do mensalão - José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e Marcos Valério - negaram nesta segunda-feira no Supremo Tribunal Federal (STF) a existência de um esquema de pagamentos sistemáticos a parlamentares. Em uníssono, disseram que não houve distribuição de recursos públicos para a corrupção de congressistas, tentaram desqualificar em bloco a acusação feita pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e resumiram o escândalo ao crime de caixa dois de campanha. 
Para o Ministério Público, houve uma “orquestrada organização criminosa” com José Dirceu como “mentor” da quadrilha. Na versão dos advogados, a peça redigida por Roberto Gurgel não passaria de um compilado de deduções, sem nenhuma prova da existência do mais grave escândalo político do governo Lula.
Na avaliação dos ex-cardeais petistas José Dirceu e José Genoino, apesar de a base da denúncia contra os mensaleiros ser essencialmente testemunhal, não haveria, no processo, relatos de depoentes que confirmaram o pagamento de mesada a parlamentares. Os recursos que irrigaram as contas bancárias de congressistas seriam, segundo a defesa deles, mero crime eleitoral, com recursos não contabilizados de campanha. Ou ainda, no eufemismo do defensor Marcelo Leonardo, que atua em favor de Marcos Valério, “falsidade ideológica eleitoral”.
“José Dirceu talvez tenha sido uma das pessoas mais investigadas nesse país. Meu cliente não é quadrilheiro, não é chefe de uma organização criminosa”, disse o advogado José Luis de Oliveira Lima, que defende Dirceu.

Núcleo político – O advogado de José Genoino, Luiz Fernando Pacheco, afirmou que o ex-presidente do PT era um “expert em articulação política”, mas incapaz de lidar com os recursos da legenda. Sua estratégia de defesa, compartilhada pelos demais réus do núcleo político da denúncia, foi transferir qualquer responsabilidade sobre o caixa do PT - e o destino dado a ele - ao então tesoureiro do partido, Delúbio Soares.
"[Condenação por] Responsabilidade objetiva não é condizente com o estado democrático de direito. Nos remete à Idade Média. Queima porque é bruxa, e porque é bruxa é que queima. É o direito penal do terror, o direito penal nazista", disse Pacheco.
Pacheco fez um apanhado da vida política do ex-presidente petista, réu no processo por corrupção ativa e formação de quadrilha, e afirmou que o valor arrecadado pela legenda cobriria dívidas de campanha de diretórios regionais e de partidos aliados. Tudo sob a alçada de Delúbio.
O caixa dois de campanha não faz parte do rol de crimes listados na acusação do procurador-geral da República, mas, ainda que a tese seja acatada pelo Supremo Tribunal Federal, o ilícito já está prescrito e não produz efeitos de condenação. O próprio Delúbio Soares, acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa, admitiu ter arrecadado recursos de campanha de forma irregular, mas negou que o dinheiro tenha sido utilizado para corromper deputados.
Apontado como réu número um da ação penal do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu foi classificado pela defesa como “uma das pessoas mais investigadas nesse país”. Seu advogado, José Luiz de Oliveira Lima, rejeitou a pecha de “quadrilheiro” ao ex-ministro e disse que ele não teve mais ascendência sobre o PT desde que assumiu, em 2003, o primeiro escalão do governo Lula. A defesa do ex-chefe da Casa Civil, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha, ainda tentou colocar em xeque a denúncia inicial do presidente do PTB, Roberto Jefferson, e disse que, para comprovar o mensalão, o Ministério Público se apegou até em testemunhos de pessoas que “ouviram dizer” que o esquema existiu.

Defesa técnica – Embora também tenha encampado a tese de que o mensalão não passou de uma enxurrada de distribuição caixa dois de campanha, a defesa do empresário Marcos Valério utilizou aspectos técnicos para tentar livrar o ex-publicitário dos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
Em uma longa defesa, Leonardo disse que o esquema do mensalão não envolveu recursos públicos e se fixou na suposta não existência de um crime anterior para tentar livrar o empresário do crime de lavagem de dinheiro. A legislação estabelece que só ocorre lavagem de dinheiro se ela for precedida por outro crime. De acordo com o advogado Marcelo Leonardo, Valério também não poderia ser condenado por lavagem porque o dinheiro que abasteceu o esquema estaria em conta bancária identificada em nome da agência de publicidade SMP&B. 
Para ele, se os recursos estão em bancos, portanto, dentro do sistema financeiro, sua movimentação não poderia ser interpretada como lavagem. “Dinheiro em conta bancária devidamente titulada e com origem lícita não é dinheiro sujo que precisa ou pode ser lavado”, observou o defensor. 
Marcelo Leonardo também se fiou em decisões do próprio Supremo para na tentativa de minar a acusação do Ministério Público. Além de resumir o escândalo a um crime eleitoral, ele criticou, por exemplo, o conceito de “organização criminosa”, utilizado pelo MP para descrever o modo de atuação do ex-ministro José Dirceu e da cúpula do PT na corrupção dos mensaleiros. Não existe, conforme lembra o advogado, referência na legislação penal brasileira ao conceito de “organização criminosa”.
Ele encerrou a fala de forma dramática, dizendo que seu cliente foi "preconceituosamente ridicularizado" pelo corte de cabelo careca, segundo ele, utilizado em solidariedade ao filho que teve câncer. "Marcos Valério não é troféu ou personagem para ser sacrificado em altar midiático."
Nesta terça-feira, dando continuidade à rodada de sustentações orais, o STF ouvirá essencialmente as defesas do núcleo operacional da denúncia. Serão expostas as defesas do ex-sócio de Marcos Valério, Cristiano Paz, do advogado braço direito de Valério, Rogério Tolentino, da ex-diretora da SMP&B, Simone Vasconcelos, da gerente financeira da SMP&B, Geiza Dias, e, por fim, já no núcleo financeiro do mensalão, da presidente do conselho de administração do Banco Rural, Kátia Rabello.

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03:12 | Posted in | Leia mais »

Curiosity pousa com sucesso em Marte

O jipe espacial Curiosity pousou como planejado na superfície de Marte. Depois de oito meses e meio de viagem e 2,5 bilhões de dólares gastos ao longo de quase 10 anos, a missão "Mars Science Laboratory" representa o retorno da ciência humana ao planeta vermelho em grande estilo. O veículo é o maior e mais complexo já lançado para qualquer planeta. Seus dez instrumentos foram especificamente projetados para dois objetivos nada modestos: descobrir se Marte é ou já foi habitado por formas de vida e pavimentar o caminho para futuras missões tripuladas. Para chegar na superfície de Marte, foi preciso vencer a sequência de pouso, uma complicada e delicada série de tarefas automáticas que durou sete minutos, do topo da atmosfera até o solo.

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03:33 | Posted in , | Leia mais »

STF luta contra o tempo para ter voto de Peluso

Os ministros do Supremo Tribunal Federal mobilizam-se para garantir que o ministro Cezar Peluso - que se aposenta compulsoriamente da corte em 3 setembro, quando completa 70 anos - possa dar seu voto no julgamento do mensalão, o maior escândalo político da história do país. O ministro é considerado um voto certo pela condenação dos mensaleiros, mas os atrasos no cronograma do Supremo colocam em risco sua participação. 
Pelo cronograma original, a última sessão de julgamento do mensalão será no dia 30 de agosto. O problema é que o cronômetro da mais alta Corte do país tem agido contra a participação de Peluso. A partir da próxima segunda-feira, começam as sustentações orais da defesa, oportunidade que os advogados terão para tentar desqualificar a acusação e expor argumentos que eximam os denunciados de culpa. Do dia 6 ao dia 10 de agosto estão previstas 25 sustentações orais. As outras 13 manifestações da defesa ocorrem apenas na semana do dia 13 de agosto, terminando, provavelmente, no dia 15.
Se tudo for feito conforme o Supremo previu, o voto do relator da ação penal, o ministro Joaquim Barbosa, começa no dia 16 de agosto. O magistrado compilou seu entendimento sobre a culpabilidade dos réus em cerca de 1.000 páginas. Em uma previsão otimista, precisaria de pelo menos três sessões plenárias, com cinco horas cada, para expor todos os seus argumentos. Como as sessões nesta fase do julgamento estão previstas para serem realizadas três vezes por semana, às segundas, quartas e quintas-feiras, Barbosa poderia levar seu voto a plenário nos dias 16, 20 e 22 de agosto. 
Em seguida, o Supremo ouve a manifestação do ministro-revisor, Ricardo Lewandowski. A figura do ministro-revisor é obrigatória em ações penais e serve como uma espécie de contraponto ao relator. Como Lewandowski também elaborou um voto de aproximadamente 1.000 páginas, é de se esperar que ele também precise de três sessões plenárias – nos dias 23, 27 e 29 de agosto.
Para conseguir votar, Peluso precisaria antecipar seu voto no dia 30 de agosto. Originalmente ele se manifestaria depois dos ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia. O voto antecipado de Peluso, às vésperas de se aposentar, não é ilegal, mas pode abrir margem para contestações dos advogados dos mensaleiros, já que o magistrado não estaria presente na etapa de definição das penas dos eventuais condenados e tampouco poderia ajustar seu entendimento se, ao ouvir os votos dos demais colegas, considerar necessário.
Para afrouxar o cronograma, os ministros estudam a implementação de sessões extras ou diárias, a partir da terceira semana de julgamento, ou reuniões também pela manhã. Os ministros devem debater essa possibilidade de novas convocações do plenário em uma sessão administrativa agendada para o dia 8 de agosto.
No primeiro dia de julgamento da ação penal do mensalão, o ministro Marco Aurélio Mello já havia alertado para a complexidade dos votos de cada magistrado e sobre a necessidade de agendar sessões específicas para analisar as penas a serem eventualmente impostas a cada réu. “Talvez teremos que reservar sessões para chegar a um resultado, ante a dispersão de votos”, disse na ocasião. O ministro Cezar Peluso, aposentado, não participaria das discussões sobre as sanções aos réus.
O risco de atraso no julgamento também é compartilhado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que admitiu que desistiu de questionar a suspeição do ministro José Antonio Dias Toffoli para evitar mais postergações na análise da ação penal do mensalão. “Decidi não pedir a suspeição. Caso isso acontecesse, poderia resultar na suspensão do julgamento e em um adiamento”, disse nesta semana Gurgel.
Advogados dos réus contam com cada dia de protelação para pressionar o calendário e evitar a participação de Peluso. “Como ficou evidenciado, a defesa se esforça para postergar o julgamento”, avalia o procurador-geral.
As manobras protelatórias devem voltar na próxima semana, com pedidos de impedimento do ministro relator, Joaquim Barbosa, e questionamentos sobre a ausência do ex-presidente Lula como um dos réus. As duas questões serão expostas pelas defesas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza e de Roberto Jefferson, respectivamente.

Advogados reservas – Para evitar ainda outros tipos de situações que poderiam forçar o adiamento das sessões do mensalão, o presidente do STF, Carlos Ayres Britto, deixou de sobreaviso sete advogados que podem ser convocados para atuar no julgamento. Eles seriam acionados, por exemplo, se algum dos defensores não estiver presente na sessão por quaisquer motivos. Todos estudaram a acusação do Ministério Público e os argumentos de cada réu e poderiam responder pela defesa de qualquer uma das 38 pessoas que respondem à ação penal.

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20:38 | Posted in , , | Leia mais »

Procurador-geral quer prisão imediata dos réus

Após cinco horas de acusação contra o que classificou como “o mais atrevido escândalo” da história brasileira, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, responsável pela denúncia do esquema do mensalão, defendeu nesta sexta-feira a prisão de todos os réus em caso de condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) imediatamente após a sentença. De acordo com ele, é possível que 36 envolvidos no escândalo sejam presos. 
Na avaliação de Gurgel, como os eventuais recursos dos condenados não poderão mudar o conteúdo da sentença no Supremo, não haveria razão para que eles recorressem das prováveis condenações em liberdade.
“Confiante no juízo condenatório dessa Corte Suprema e tendo em vista a inadmissibilidade de qualquer recurso com efeito modificativo da decisão plenária, que deve ter pronta e máxima efetividade, a Procuradoria-Geral da República requer, desde já, a expedição dos mandados de prisão cabíveis imediatamente após a conclusão do julgamento”, disse o chefe do Ministério Público. “Espera-se a condenação de 36 dos réus e a expedição dos mandados de prisão cabíveis. Em princípio, é algo que se aplica a todos”, resumiu.
Dos 38 réus que figuram na ação penal do mensalão, Roberto Gurgel entendeu que não há provas para a condenação somente do ex-ministro da Secretaria de Comunicação do governo Lula, Luiz Gushiken, e do ex-assessor parlamentar Antonio Lamas.
“A Procuradoria-Geral da República tem plena confiança que essa Corte Suprema, com a absoluta isenção de sempre, aplicará as penas de forma justa, sancionando adequadamente os responsáveis ante a imensa gravidade de seus crimes”, disse.
Em tom de desabafo, Roberto Gurgel revelou que, desde o ano passado, quando apresentou as alegações finais do caso, tem sofrido pressões das mais diversas áreas. “Houve uma tentativa de intimidação e constrangimento absolutamente inéditos. Temos uma quadrilha que é extremamente arrogante”, afirmou.

Falta de tradição – O apelo do chefe do Ministério Público pela prisão dos mensaleiros eventualmente condenados evidencia a “falta de tradição” do Supremo Tribunal Federal em condenar políticos. Um mandato como deputado federal ou senador é garantia quase certa de os políticos não terem dor de cabeça em ações penais na Justiça. Desde a Constituição de 1988, o STF só condenou seis deputados, mas nenhum deles efetivamente foi para a cadeia.
Os motivos para a impunidade são os mais variados: desde a prescrição dos crimes até a conversão das penas para o simples pagamento de serviços à comunidade.
Com o fim dos votos dos ministros na ação penal do mensalão, etapa prevista para ser concluída no final do mês, a Suprema Corte terá de enfrentar novamente a pecha de ser incapaz de colocar um político atrás das grades. Dos 38 réus da mais famosa ação penal em tramitação no STF, 19 já fizeram carreira política ou têm fortes ligações partidárias.

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04:10 | Posted in | Leia mais »

Thomaz Bastos insiste em desmembrar mensalão

Às vésperas do início do julgamento do mensalão, a defesa dos réus insiste em uma ineficiente estratégia para postergar a decisão sobre o maior caso de corrupção da história do país. O advogado Márcio Thomaz Bastos já tem pronto o pedido de desmembramento do processo, que apresentará logo no início do julgamento, nesta quinta-feira, no Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao longo do processo, porém, as sucessivas tentativas da defesa dos réus de questionar situações periféricas aos autos, como o desmembramento ou não do caso, foram duramente criticadas pelos ministros. Joaquim Barbosa, por exemplo, condenou publicamente em plenário o “abuso no poder de litigar” dos réus e, em 2011, propôs que questões repetidas fossem rejeitadas automaticamente em plenário. Agora, diante do início do julgamento, é praticamente certo que haverá novas rejeições desse argumento.
O ex-ministro da Justiça representa um réu secundário no processo: José Roberto Salgado, ex-diretor do Banco Rural. Mas as possíveis consequências do pedido do advogado beneficiariam a maioria dos outros réus: à exceção dos três deputados federais citados no processo, todos os outros acusados veriam seus processos serem "rebaixados" para a primeira instância.
Bastos argumenta que o seu cliente não deve responder ao processo no STF por não possuir foro privilegiado. Ele afirma que, dessa forma, Salgado fica prejudicado porque não teria como recorrer a uma Corte superior em caso de condenação. A Corte tem entendido, entretanto, que a existência de deputados federais no rol de acusados leva todo o processo para o Supremo.
Ele vai citar outros episódios que, na visão dele, formam uma jurisprudência que sustenta o pedido de desmembramento. Na lista, consta o processo do chamado "valerioduto mineiro".
O pedido do ex-ministro da Justiça não deve ser a única questão de ordem apresentada no início do julgamento; a perspectiva é de que os advogados de outros réus questionem normas do julgamento, o que pode atrasar o início da leitura do relatório preparado pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

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03:45 | Posted in | Leia mais »

CNJ aprova Lei da Ficha Limpa para o Judiciário

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou nesta terça-feira uma resolução que aplica ao Judiciário os dispositivos da Lei da Ficha Limpa. A decisão foi unânime. A medida atinge a nomeação de funcionários comissionados e em cargos de chefia em todos os tribunais do país, à exceção do Supremo Tribunal Federal (STF), que está fora da jurisdição do CNJ.
Não poderão ser nomeadas pessoas que tiverem condenações transitadas em julgado ou por órgãos colegiados em decorrência de atos de improbidade administrativa, ou por uma lista de delitos que inclui corrupção, formação de quadrilha, exploração de trabalho escravo e todos os crimes hediondos.
A Ficha Limpa também impede que sejam nomeados funcionários que tenham sido punidos com a perda do cargo em algum órgão público.
"O Conselho Nacional de Justiça, portanto, nos limites de sua competência constitucional, ao aprovar esta proposta de resolução dará o exemplo para uma nova era da administração da coisa pública no Brasil, valorizando a impessoalidade, a probidade, a ética e a eficiência", argumentou o relator do caso, o conselheiro Bruno Dantas.
A resolução aprovada nesta terça-feira também vale para os funcionários cedidos à Justiça por empresas terceirizadas. Já os concursados estão livres das exigências.
Os tribunais terão 90 dias para exigir dos atuais funcionários afetados pela Lei da Ficha Limpa a comprovação de regularidade perante a Justiça. Nos casos em que houver incompatibilidade com a nova medida, os trabalhadores devem ser exonerados até 180 dias depois de constatada a irregularidade.

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03:20 | Posted in | Leia mais »

PF fará acareação entre juiz e mulher de Cachoeira

O delegado Sandro Paes Sandre, da Polícia Federal, disse nesta segunda-feira que a acareação entre o juiz federal Alderico Rocha Santos e Andressa Mendonça, mulher do contraventor Carlinhos Cachoeira, será na próxima semana. Andressa foi denunciada por tentativa de chantagem pelo juiz da 11ª Vara da Justiça Federal em Goiás.
Segundo a Polícia Federal, Andressa tentava cooptar o magistrado para obter uma decisão judicial favorável ao marido. O contraventor foi preso durante a Operação Monte Carlo, no mês de fevereiro, sob suspeita de chefiar esquema de exploração de jogos eletrônicos ilegais em Goiás. 
Apesar de ser investigada pelo crime de corrupção ativa, a mulher de Cachoeira foi liberada após prestar depoimento. A Justiça determinou, no entanto, que Andressa terá de pagar uma fiança de 100 000 reais e não poderá manter contato com os investigados na operação Monte Carlo - o que inclui o seu marido.
Um dos policiais que esteve no condomínio de luxo onde mora o casal Cachoeira disse que, ao ser convocada, Andressa engoliu em seco, depois chorou muito. Os policiais federais também apreenderam computadores na casa dela. 
"Ela está sendo monitorada", disse o delegado Sandro Sandre. "E também está proibida de acesso e frequência à Justiça Federal, e de entrar em contato com qualquer pessoa envolvida na Operação Monte Carlo", disse ele. A PF também investiga se Andressa Mendonça recebeu ordem do marido para agir.

'Mensageira' - Os procuradores da República, Léa Batista, Marcelo Ribeiro e Daniel Salgado, do Ministério Público Federal (MPF) em Goiás, classificaram a mulher de Cachoeira como "mensageira do grupo criminoso" comandado por seu marido em Goiás.
"A ousadia da companheira de Carlinhos Cachoeira, ao chantagear e ofertar vantagem ao juiz federal, somadas às galhofas observadas durante a audiência, mostra o desprezo e a afronta de Carlos Augusto de Almeida Ramos e de pessoas ligadas ao 'capo' do grupo criminoso", disse Daniel Salgado.
Durante entrevista coletiva, a procuradora Léa Batista afirmou que a suposta investigação sobre a vida do juiz demonstrou, na prática, que o grupo de Cachoeira "continua ativo", mesmo após a sua prisão.
O Ministério Público revelou que Andressa Mendonça está sendo investigada em outros dois inquéritos policiais pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção no caso da fazenda Santo Luzia, adquirida em Luziânia, no entorno do Distrito Federal, para lavar o dinheiro do grupo de Cachoeira. De acordo com o MPF em Goiás, se for também condenada por corrupção ativa, Andressa Mendonça pegará uma pena de 22 anos de prisão.

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05:33 | Posted in | Leia mais »

A disputa pelo voto evangélico nas capitais

Há mais de uma década os evangélicos são considerados eleitores-chave. Mas, desde junho, quando foram divulgados os dados referentes a religião do Censo 2010, a importância do grupo foi endossada em números. O crescimento dos evangélicos no Brasil pressiona candidatos e partidos a criar estratégias para atrair fieis e, ao mesmo tempo, evitar desgastes com a exposição de uma agenda moral que entre em conflito com outras crenças e segmentos da sociedade. Nos últimos 10 anos, pela primeira vez o catolicismo perdeu seguidores: ao todo 1,7 milhão de brasileiros deixou de se declarar católico desde 2000. No mesmo período, o protestantismo arrebanhou 16 milhões de pessoas. Os evangélicos ganham atenção. Os pastores, concentram poder. “Tenho sido bombardeado de Norte a Sul, de Leste a Oeste pelos candidatos. Com o crescimento da Igreja Evangélica, e como estou na mídia e tenho influência, é gente atrás o tempo todo”, afirma o pastor Silas Malafaia, uma das lideranças da Assembleia de Deus e vice-presidente do Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb), que reúne 8.500 pastores de diversas denominações evangélicas.
Com o quadro estruturado para a corrida à prefeitura, quatro referências das principais igrejas pentecostais definiram seus candidatos. Em São Paulo, a Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), igreja evangélica com maior quantidade de fieis no Brasil, apoiará José Serra, do PSDB, repetindo o comportamento de 2010. “No estado de São Paulo, somos cerca de 8 mil pastores. Trabalharemos a conscientização do eleitor, mostrando o que é melhor, onde há maiores identificações. Tudo com muita cautela”, afirma o presidente político do CGADB, pastor Lelis Washington Marinho. No Rio, não houve uma organização semelhante da Assembleia de Deus, mas Malafaia, um dos principais nomes, declarou apoio a Eduardo Paes (PMDB). Ele deve, inclusive, aparecer na propaganda eleitoral.
O prefeito da cidade do Rio conseguiu arregimentar lideranças evangélicas importantes. A Universal caminhará com ele no pleito através do apoio do ministro da Pesca, Marcelo Crivella, do PRB. O deputado estadual Marcos Soares, filho de RR Soares, da Igreja Internacional da Graça de Deus, também se engajará pela reeleição de Paes.
Em São Paulo, o voto evangélico está distribuído. A influência da Universal sobre o PRB reunirá seus fieis na candidatura de Celso Russomanno. Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial, anunciou seus préstimos a Fernando Haddad, do PT. O pastor RR Soares não tem por hábito declarar seu apoio nas eleições e, por isso, a Igreja Internacional da Graça de Deus não se posicionou oficialmente. Mas Daniel Soares, outro filho de RR, será candidato a vereador na cidade de Guarulhos, município vizinho a capital, pelo DEM, partido da base aliada de Serra.

Rejeição a Haddad – Conquistar o eleitor evangélico é preciso. E a explicação não é só quantitativa. A ramificação pentecostal é mais forte, sobretudo, em áreas onde a renda é mais baixa e a escolaridade, menor. Uma receita atraente para a construção de um eleitorado orientado pelos pastores. “Uma banana para quem diz que um religioso não pode falar sobre eleições. Quer dizer que Marx vale mais do que Jesus?”, defende Malafaia. Em São Paulo, ele tem se reunido com pastores para reforçar questões morais que devem estar presentes na cabeça do eleitorado no momento do voto. A preocupação central de Malafaia é em relação ao candidato do PT, Fernando Haddad, chamado por ele de “o criador do ‘Kit Gay’”
“Não adianta tentar dar uma de anjo agora. Nossa questão com o cara de São Paulo (Haddad) é que ele tentou promover o homossexualismo e ensinar crianças sobre isso. Ele não terá colher de chá. Um governante é para todos. Enquanto quiserem beneficiar um grupo social em detrimento do outro, não merecerá o nosso apoio”, diz Malafaia, que entrará em ação em um eventual segundo turno na capital paulista. Se a eleição não terminar no dia 7 de outubro, o pastor apoiará o oponente de Haddad - caso ele esteja na disputa - mesmo que o outro candidato em questão seja Celso Russomanno (PRB). O PRB é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, corrente cujo dono é o Bispo Edir Macedo, proprietário da TV Record. Em junho, Malafaia disse a VEJA que a distância que o separa de Macedo “vai do Brasil à China”. É uma distância, como se vê, menor da que aquela que o separa da Haddad.
“As nações mais democráticas e poderosas do mundo foram influenciadas pelo pensamento cristão, não tem como dissociar isso. É idiotice. O ser humano é religioso. Outra coisa é misturar Estado com religião”, diferencia o pastor. 
Que o voto evangélico tem força, não há dúvida. Mas até hoje, quando um candidato tentou se eleger em uma disputa majoritária com a bandeira religiosa, o resultado não foi o primeiro lugar. “O piso é alto, mas o teto é baixo”, explica o cientista político da PUC-Rio Cesar Romero Jacob, que estuda o comportamento do voto religioso desde 1996.

Rio de Janeiro – No caso do Rio, os mapas analisados por Jacob mostram pesos diferentes do eleitorado evangélico entre as áreas de cidade. Em 2004, por exemplo, Marcelo Crivella, evangélico da Igreja Universal do Reino de Deus, então candidato à prefeitura da cidade, ganhou votos em zonas eleitorais onde havia maior quantidade de fieis ligados às pentecostais. Em contrapartida, teve baixíssima votação em áreas de predominância católica. No espaço geográfico, isso significa que ele conseguiu angariar eleitores na parte pobre da zona oeste, como Bangu, Santa Cruz e Campo Grande, e na zona da Leopoldina, que inclui os bairros de Bonsucesso, Ramos, Olaria e Penha – onde estão os complexos do Alemão e da Maré, favelas com concentração de evangélicos. Na zona sul, onde ainda há maioria católica, Crivella foi mal.
“Em eleição majoritária, quando você tem candidatura que não soma, significa que subtrai, polariza, divide. O segredo da vitória é ganhar de muito em uma área e perder de pouco em outra”, explica Jacob. No Rio, os evangélicos avançaram sobre o vácuo deixado pelo fim do ciclo brizolista. Um dos sinais mais claros do esgotamento desse tipo de política foram as eleições de Sérgio Cabral e de Eduardo Paes. A partir de então, as correntes evangélicas ganharam uma relevância que pode ser decisiva na vitória de um candidato - desde que a campanha não seja baseada apenas na rede de igrejas evangélicas.

São Paulo - Em São Paulo, o panorama é diferente. Os pentecostais não têm o mesmo peso do Rio. “A força do PT e do PSDB impede que grupos religiosos tenham presença tão significativa. São Paulo é o centro do capitalismo brasileiro, há uma elite empresarial forte, que simpatiza com o PSDB. E existe uma elite sindical também muito forte, que prefere o PT”, explica Jacob. Os mapas paulistanos mostram que na capital existe maior coerência no voto, algo inexistente no Rio.
São Paulo é cercado por municípios industriais. Nas divisas, o sindicalismo é mais forte e, consequentemente, o PT também. Em 2004, a força de Martha Suplicy, que disputava a prefeitura, estava concentrada nas extremidades da capital, onde há população de menor renda e escolaridade, e mais evangélicos. Os católicos estão na parte central, um ninho tucano por excelência. O mapa da votação de José Serra, em 2004, endossa sua força justamente nessa área, cujos moradores apresentam maiores renda e escolaridade. O espaço da cidade de São Paulo mostra maior polaridade entre os dois partidos, nos quais os grupos religiosos se veem obrigados a se articular. Desta vez, no entanto, Haddad corre o risco de perder os eleitores onde o PT costuma mostrar vigor. O peso dos evangélicos, que não é pequeno - na zona leste chega a haver mais de 30% de seguidores de correntes evangélicas -, pode contribuir para esvaziar a balança do petista.

Por Veja

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Com 3 medalhas, país tem melhor início em Jogos

Para uma equipe olímpica que está a apenas quatro anos de disputar uma Olimpíada em casa, os brasileiros chegaram a Londres sem fazer muito barulho. Oficialmente, o comando da delegação sustentava uma previsão cautelosa em relação às chances de medalha - a meta era apenas igualar Pequim-2008, com quinze medalhas. Muitos brasileiros figuravam entre os candidatos ao pódio nas projeções dos especialistas, mas faltava protagonismo ao país quando o assunto eram as disputas olímpicas mais aguardadas. Esse cenário mudou radicalmente neste sábado, primeiro dia de competições em Londres. Nunca o Brasil começou tão bem uma Olimpíada. Na trigésima edição dos Jogos, foram três medalhas logo na estreia do programa olímpico na capital - uma de ouro, uma de prata e uma de bronze. Marcas históricas foram alcançadas, e ainda houve tempo para o time olímpico brasileiro avançar em disputas que seguem em aberto, como o vôlei de praia e o futebol feminino. Ainda é cedo demais para saber até onde o Brasil é capaz de chegar nos Jogos de Londres. Se depender dos primeiros sinais de sua força, porém, é possível sonhar com uma campanha consistente e superior ao seu patamar usual.
A grande heroína brasileira do dia mede 1,52 metro, pesa 48 quilos e tem apenas 22 anos. Em sua segunda Olimpíada, Sarah Menezes fez uma campanha arrasadora, com cinco vitórias - incluindo um duelo contra a última campeã dos Jogos - e conquistou um ouro inédito. Jamais uma atleta do judô brasileiro tinha chegado ao topo do pódio (até Pequim, aliás, as mulheres do país não tinham medalhas na modalidade). Sarah foi a primeira a garantir uma medalha ao país em Londres, ao avançar à final de sua categoria. Mesmo que perdesse, teria a prata garantida. Enquanto essa dúvida não era decidida, o Brasil, de novo no judô, faturava oficialmente sua primeira medalha, com o bronze de Felipe Kitadai na categoria até 60 quilos. Aniversariante do dia, Kitadai saiu da repescagem para conseguir o primeiro pódio olímpico de sua carreira. Com essas duas medalhas, o judô ultrapassou o iatismo como modalidade que mais forneceu medalhas ao Brasil, com 17 no total. Robert Scheidt e Bruno Prada vêm aí para tentar aumentar a contagem da vela - mas os judocas brasileiros aparecem com várias outras chances de medalha nos próximos dias. Alguns deles, como Leandro Guilheiro e Mayra Aguiar, são cotados para o ouro.
A terceira medalha do dia também foi muito significativa. Os olhares do mundo estavam sobre Ryan Lochte e Michael Phelps, que travavam sua primeira batalha nesta Olimpíada nos 400 metros nado medley. Mas o aguardado duelo entre os fenômenos americanos não saiu da imaginação dos especialistas: contrariando todas as previsões, Phelps, que em Londres ainda pode virar o maior medalhista olímpico da história, nem sequer subiu ao pódio. E um dos penetras na festa dos EUA - a primeira-dama Michelle Obama estava no Centro Aquático para torcer - foi um brasileiro. Thiago Pereira surpreendeu, manteve um ritmo forte e mostrou fôlego notável na reta final, conquistando uma prata que poucos previam. Foi o seu primeiro pódio olímpico. Phelps foi só o quarto colocado. Com o resultado, o Brasil entrava na noite deste sábado com o quarto lugar no quadro de medalhas, empatado com a Coreia do Sul, atrás de China, Itália e Estados Unidos. A anfitriã Grã-Bretanha, que esperava pelo menos um ouro neste primeiro dia, com o ciclismo, ficou de mãos abanando. Assim como os donos da casa, o Brasil também acumulou algumas decepções, como Felipe França, da natação, e Diego Hypólito, da ginástica, que prometiam brigar por medalhas mas acabaram fora da disputa. Ainda assim, ninguém ousaria dizer que o dia foi nada menos que muito bom para o Brasil.

Por Veja

03:35 | Posted in | Leia mais »

Londres encanta na abertura dos Jogos Olímpicos

Para muita gente, cerimônias de abertura de Olimpíada são sempre a mesma coisa. Mas jamais houve uma festa como que inaugurou Londres-2012. Depois da pirotecnia, do rigor marcial e da grandiosidade de Pequim-2008, a capital britânica dispensou a pompa e apresentou uma celebração solta, divertida e emocionante. Apesar de mais leve na forma, foi muito mais impactante na substância. Os britânicos aproveitaram a ocasião para desfilar toda a sua influência sobre o resto do mundo. Dos Beatles a James Bond, da revolução industrial às revoluções da moda, do poderio naval do antigo império ao fascínio exercido por sua música e por seu cinema, Londres abriu, em cerca de três horas, uma cápsula do tempo cheia de referências sociais e culturais. Foi a solenidade de abertura mais pop da história olímpica - e também uma celebração do impacto notável dos britânicos na civilização ocidental. Depois da apresentação desta sexta-feira, ficará difícil superar a façanha londrina. Afinal, além de saber como narrar bem uma história, os anfitriões tinham muito a contar. Após cerca de uma hora e meia do espetáculo conduzido pelo cineasta Danny Boyle, começava o desfile das delegações, trazendo o evento de volta à esfera esportiva. A bela festa acabou mostrando, entretanto, que a Olimpíada é também muito mais - é uma chance de um país mostrar do que é feito (e o que é capaz de fazer).
Desde o início da festa, com um cenário rural que remetia às origens da nação britânica, a abertura foi uma aula de história e cultura. Para representar a revolução industrial, Boyle fez surgir no gramado chaminés gigantes. Os anéis olímpicos surgiram do alto do estádio, incandescentes, como se fossem forjados de aço. Um dos melhores trechos da festa, no entanto, veio logo em seguida. Um clipe exibido nos telões do estádio mostrou o ator Daniel Craig, o agente 007 do cinema, entrando no Palácio de Buckingham para escoltar a rainha Elizabeth II até a cerimônia. E a própria monarca apareceu no vídeo, cheio de referências bem humoradas aos gostos de sua majestade, como os cães da raça Corgis. A dupla entra num helicóptero e, ao sobrevoar o estádio, um jogo de cena faz parecer que tanto Bond como a rainha saltaram de para-quedas para chegar à festa. Depois do hino britânico e do hasteamento da bandeira do país-sede, a cerimônia tem uma coreografia inspirada na literatura infanto-juvenil britânica, com personagens como Mary Poppins, Peter Pan e Capitão Gancho, Cruella de Vil e Harry Potter. A autora da série de livros de Potter, J.K. Rowling, aparece para ler um trecho de Peter Pan. Antes, Kenneth Branagh já tinha entrado no cenário para recitar Shakespeare.

Bean na praia - O tributo ao cinema britânico, puxado pela trilha sonora de Carruagens de Fogo, tem mais uma cena bem humorada para quebrar o tom solene. Outro personagem do mundo pop britânico, o Mr. Bean, criação do humorista Rowan Atkinson, aparece inserido na orquestra, participando da performance (de forma desastrada, evidentemente). Bean, aliás, surge numa montagem do próprio filme, na cena clássica dos atletas correndo na praia. O segmento seguinte, um dos mais empolgantes da noite, retrata uma casa de família típica da Grã-Bretanha dos anos 1960 aos 1990, com um repertório arrasador, que incluiu Beatles, Rolling Stones, The Who, David Bowie, Queen, Sex Pistols e Prodigy. Depois do desfile das delegações e de um show da banda Arctic Monkeys, o presidente do Comitê Organizador Local, Sebastian Coe, e o presidente do COI, Jacques Rogge, discursaram sob a enorme árvore cenográfica colocada numa das extremidades do estádio. "Nunca senti tanto orgulho de ser britânico quanto hoje", disse Coe. "Obrigado, Londres, por receber os Jogos pela terceira vez nesta cidade vibrante e diversificada", completou Rogge. Elizabeth II fez o rápido pronunciamento que abre oficialmente a Olimpíada, e começou a procissão da chama olímpica rumo ao estádio. O astro David Beckham trouxe a tocha desde a Torre de Londres, através do Tâmisa, até um dos canais que cercam o Parque Olímpico.
Steve Redgrave, britânico pentacampeão olímpico, a carregou até o estádio - onde, enquanto isso, a bandeira olímpica era carregada por um grupo de notáveis escolhido pelo COI, entre eles a ex-senadora Marina Silva e o ex-campeão de boxe Muhammad Ali, um dos nomes mais aplaudidos da noite. Depois do já tradicional mistério sobre quem seria indicado para acender a pira olímpica, revelou-se a escolha de um grupo de jovens atletas, apadrinhados por sete lendas do esporte britânico, como Daley Thompson, Kelly Holmes e Mary Peters. A fila de atletas novatos correu até o centro do gramado e acendeu um grande círculo preenchido por hastes metálicas. Já iluminadas pelo fogo, elas ergueram-se lentamente, formando o caldeirão olímpico - uma cena de beleza singela, bem adequada ao tom da solenidade. Um espetáculo pirotécnico precedeu a entrada de Paul McCartney no estádio. Depois de cantar um de trecho da cançãoThe End, o beatle deu início a um dos poucos momentos da festa já conhecidos com antecedência: sua interpretação de Hey Jude, para fazer o público cantar em uníssono o famoso refrão enquanto os atletas acenavam e comemoravam. Enquanto McCartney cantava sobre "pegar uma canção triste e fazê-la melhor", ficava claro que era bem isso que Londres faria com os Jogos Olímpicos - quatro anos depois do artificialismo chinês, uma antiga capital do mundo devolvia vida à grande festa do esporte.

Por Veja

03:20 | Posted in | Leia mais »