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Medida do banco central americano para conter crise tem efeito oposto

No final da tarde de quarta-feira (21), o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anunciou uma série de medidas com a intenção de acelerar a economia americana e garantir taxas de juros mais baixas por um período maior. O pacote, que os investidores esperavam melhorar o cenário de crise dos mercados internacionais, teve efeito exatamente oposto e deixou os investidores mais preocupados ainda pelo que se observou dos principais índices asiáticos e europeus nesta quinta-feira (22). Ao invés de os índices crescerem, a maioria despencou.
O anúncio do Fed foi de que o banco trocará títulos do Tesouro de curto prazo (com vencimento em menos de três anos) por outros de longo prazo (com vencimento de seis a 30 anos), em um valor de US$ 400 bilhões. A medida é conhecida no meio financeiro como "operação twist".
O problema é que a medida não alegrou ninguém, e os principais índices da Ásia caíram entre 2% e 9%, e em Wall Street já se fala que a bolsa americana Dow Jones deverá já abrir com uma baixa de 160 pontos. Segundo o Fed, o crescimento econômico continua lento e o mercado de trabalho enfraquecido.
Após reunião de dois dias, o Comitê de Mercado Aberto, que dirige a política monetária do Banco Central dos Estados Unidos, não alterou as taxas de juros do país. Em uma decisão dividida (sete votos a favor e três contra), o Comitê decidiu que manterá, pelo menos até meados de 2013, sua política monetária, que desde dezembro de 2008 mantém a taxa básica de juros em menos de 0,25%.
O comunicado do Comitê declarou ainda que a taxa de emprego continua alta, as despesas das famílias americanas cresceram e o mercado imobiliário continua em depressão. Por outro lado, os investimentos em tecnologias seguem em expansão e as expectativas de inflação a longo prazo são reduzidas.

Bolsas
 
Na Ásia, os índices das principais bolsas fecharam em forte queda. Nikkei encerrou o dia com perdas de 2,1%, o Hang Seng de Hong Kong perdeu 4,9% e o mercado de Jacarta, na Indonésia, teve uma das piores baixas, de quase 9%. Na Europa o cenário não foi diferente: a FTSE 500, de Londres, encerrou a quinta-feira com perdas de 4,67%; a DAX-30, em Frankfurt, teve baixa de 4,96%; FTSE MIB, em Milão, perdeu 4,52%; a bolsa de Madri, Ibex-35, terminou o dia com queda de 4,62%; e a bolsa de Paris CAC-40 fechou o dia com uma das piores quedas - 5,25%.
Ainda na quarta-feira, antes de os mercados americanos fecharem, Dow Jones perdeu 2,5% em ações, e o índice Standard & Poor’s 500 teve queda de 3%. O dólar negociado em todos os mercados teve sua maior alta em sete meses. Nesta quinta-feira, o euro encerrou em baixa em Frankfurt, cotado a US$ 1,347; no câmbio do Banco Central Europeu, ficou em US$ 1,3448.
Ao jornal inglês The Guardian, Paul Ashworth, economista-chefe da Capital Economics disse que o mercado não está convencido pela operação twist, e que investidores não acreditam que ela vá ser efetiva. “A grande questão”, disse, “é saber se essa operação vai resultar em algo. Nós duvidamos.”

Por Época

 

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