|

Líder do Paraguai pode ser destituído; Dilma tenta evitar

Numa decisão rápida e inesperada, o Congresso paraguaio abriu ontem processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo.
O afastamento pode ocorrer já hoje, em sessão do Senado. Surpreendida, a presidente Dilma Rousseff enviou ontem o chanceler Antonio Patriota a Assunção para trabalhar pela permanência de Lugo no cargo.
A principal acusação ao presidente é ser responsável pela morte de 17 pessoas, na última sexta-feira, num conflito agrário entre policiais e camponeses que ocupavam uma fazenda em Curuguaty, na fronteira com o Paraná.
A abertura de processo foi aprovada na Câmara por 76 parlamentares. Apenas um ficou ao lado de Lugo. Depois, foi a vez do Senado.
Aberto o processo, a Câmara formalizou à noite as acusações, que serão julgadas no Senado. Se aprovadas por 30 dos 45 senadores (dois terços), Lugo é afastado.
Ele terá duas horas para apresentar sua defesa. Lugo fragilizou-se ao perder ontem o apoio do seu principal apoiador, o PLRA (Partido Liberal Radical Autêntico).
Se confirmada a saída, assume o vice, Federico Franco, que rompeu com Lugo. A próxima eleição presidencial está prevista para abril de 2013. No Paraguai, não há reeleição.
 
Resposta
 
Em sua defesa, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, disse ontem que não renunciará ao cargo para o qual foi eleito pelo voto popular.
"Não interromperei um processo democrático e me submeterei ao processo político, como mandam as leis paraguaias, com todas as suas consequências, como indica a Constituição", disse.

Por Folha