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PF investiga irmão de Roberto Requião por fraude e desvio de carga

Eduardo Requião terá muito que explicar nos próximos dias. Irmão do ex-governador do Paraná Roberto Requião, ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de participação em um esquema de fraude em contratos e licitações e por desvios de carga do Porto de Paranaguá, que chefiou entre 2003 e 2008, por indicação de Roberto.
Armas e 140.000 reais em dinheiro encontrados em uma casa de Eduardo no Rio de Janeiro complicam ainda mais sua situação. Ele será convocado para detalhar aos policiais a origem do dinheiro e apresentar o registro das armas. O delegado da PF em Paranaguá, Jorge Nazário, disse ao jornal O Estado do Paraná ter pedido à Justiça a prisão de Eduardo. O pedido, no entanto, teria sido negado.
As ações são parte da Operação Dallas, iniciada na quarta-feira. Desde então, a PF cumpriu 29 mandados de busca e apreensão e prendeu 10 pessoas, entre elas o ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Daniel Lúcio Oliveira de Souza. Ele também foi nomeado por Roberto Requião.
As investigações começaram há dois anos, a partir de denúncias de empresas exportadoras à Receita Federal. A PF apura o desvio grãos no porto, fraudes na contratação da empresa que adquiriria o equipamento para a dragagem no Canal da Galheta, a contratação irregular de empresas que fazem estudos ambientais e a contratação irregular de uma empresa que fazia limpeza no porto.

Defesa de irmão – Eduardo não foi localizado pela Polícia Federal. Quem saiu em sua defesa foi Roberto Requião, senador eleito pelo PMDB nas eleições de 2010. Em quatro dias, ele publicou cerca de 30 mensagens sobre o caso em sua página do Twitter. Começou defendendo a investigação e se dizendo confiante no irmão. Terminou acusando a “mídia canalha” pela divulgação das denúncias.
Roberto Requião chamou para si os louros pela “modernização” no Porto de Paranaguá e disse que partiu de Eduardo a denúncia do desvio de cargas. Segundo o ex-governador, as armas encontradas na casa do irmão são registradas e usadas para a prática de tiro esportivo.
“Transformei uma sucata no melhor Porto do Brasil. Se desvio houve, cadeia para os responsáveis”, disse. “Não tenho dúvidas da ocorrência de corrupção no porto, só não envolvam meu irmão indevidamente.”
Para defender Eduardo, Roberto Requião se esmerou na retórica: “Ouro puro não teme a chama da calúnia e da injúria. Vence o calor e se solidifica como metal singular."

Por Veja