Embaixador da Líbia na ONU deserta para o Egito e critica Gaddafi
Após a deserção do chanceler líbio Moussa Koussa, que fugiu para o Reino Unido, mais um político do alto escalão do regime renunciou ao posto e passou a criticar o ditador Muammar Gaddafi. Ex-chanceler e apontado como embaixador da Líbia nas Nações Unidas, Ali Abdussalm Treki está no Egito, de onde disse que é preciso interromper o "derramamento de sangue" em seu país.
Diplomata líbio na Liga Árabe, baseada no Cairo, Soufian Treki, um sobrinho do ex-chanceler, repassou à agência de notícias Reuters um comunicado enviado por Ali Abdussalm Treki.
"Não podemos deixar que o nosso país se dirija para um destino desconhecido. A nossa nação tem direito a viver em liberdade, democracia e boas condições de vida", afirmou no texto divulgado.
Treki disse ainda que sua renúncia baseia-se em sua rejeição ao "derramamento de sangue" promovido pelas tropas do governo.
Ibrahim Dabbashi, vice-embaixador da Líbia nas Nações Unidas, disse que a maioria dos políticos que integram o alto escalão do regime estão tentando desertar, mas sofrem com um rigoroso esquema de segurança que os impede de abandonar o país.
FIM DO REGIME
As deserções foram vistas nesta quinta-feira como um claro sinal da deterioração do regime, avaliaram os EUA, outras potências e os rebeldes, que veem na crescente pressão diplomática uma nova saída à crise. As tropas leais ao ditador, contudo, continuam avançando e forçando o recuo dos oposicionistas.
O Reino Unido, país para onde Moussa Koussa fugiu, e a Itália, também disseram que sua deserção mostra que o isolamento ao regime pode ser uma maneira eficiente de desestruturar Gaddafi.
No mesmo dia em que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiu o comando completo das operações militares na Líbia, os responsáveis pelo Pentágono e o "número dois" do Departamento de Estado dos EUA defenderam perante o Congresso americano a intervenção americana.
O governo de Barack Obama se mostra satisfeito com os resultados conseguidos, embora com algumas ressalvas.
O subsecretário de Estado, James Steinberg, considerou perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes que a deserção do chanceler líbio, Moussa Koussa, representa "uma indicação" de que as medidas de pressão impostas sobre o regime de Gaddafi "podem ter sucesso".
Quando "alguém que esteve durante tanto tempo com Gaddafi abandona, é um forte sinal de que já não há mais futuro", sustentou.
Em território líbio, os rebeldes sentiram-se estimulados pela deserção e pelas revelações de que os EUA estariam fornecendo apoio secreto às suas tentativas de contra-ataque ao regime.
"Estamos começando a ver o regime de Gaddafi se desintegrar", disse o porta-voz rebelde Mustafa Gheriani na cidade de Benghazi, no leste do país.
O principal oficial militar dos EUA, no entanto, disse ao Congresso que Gaddafi está longe de ser derrotado. "Nós de fato degradamos seriamente as capacidades militares dele", disse o almirante Mike Mullen. "Isso não significa que ele esteja prestes a sofrer um colapso do ponto de vista militar."
TREINAMENTO A REBELDES
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, reconheceu nesta quinta-feira que os rebeldes líbios têm pouco conhecimento, além de treinamento e organização limitados.
Ele rejeitou, contudo, a ideia dos EUA treinarem os rebeldes e disse que outros países podem fazê-lo, em clara referência às informações vazadas ontem (30) pelo jornal "The New York Times" e a agência de notícias Reuters, de que o presidente Barack Obama teria enviado agentes da CIA à Líbia para ajudar os oposicionistas.
"Em termos de providenciar assistência a eles, francamente, há muitos países que podem fazer isso", disse Gates, em audiência no Congresso americano. "Esta não é uma capacidade única do governo americano. E, no meu ponto de vista, outro país deveria fazer isso", completou.
PROBLEMAS DE SAÚDE
Comentando a deserção de Koussa pela primeira vez, o regime de Gaddafi afirmou nesta quinta-feira que o chanceler obteve permissão de saída do país em direção à Tunísia para receber tratamento de saúde.
"Ele recebeu permissão por motivo de doença e, quando chegou à Tunísia, perdemos contato com ele. Entendemos que ele tenha renunciado a seu posto, mas se trata de uma decisão pessoal", afirmou o porta-voz Moussa Ibrahim em entrevista coletiva realizada em Trípoli.
Ibrahim disse ainda que Koussa tinha comunicado que "estava exausto, que tinha diabetes e alta pressão, e lhe deram permissão para sair do país" para ser atendido na Tunísia.
"Não fomos notificados por ele sobre sua renúncia, mas entendemos que é pessoal, e não temos comentários", ressaltou.
A fonte oficial insistiu nos "graves problemas de saúde" que tinha Koussa e expressou esperança de que ele se recupere em breve "física e mentalmente".
"Lhe desejamos o bem. Quando decidir retornar, será mais que bem-vindo", acrescentou o porta-voz.
Ele afirmou ainda que "a luta pela liberdade" na Líbia "não depende de uma só pessoa" e insistiu que, apesar do longo tempo que Koussa estava no governo de Muammar Gaddafi o líder "segue rodeado de muito mais gente".
FORA DE CONTROLE
Mais cedo, Gaddafi afirmou que os países ocidentais que participam na coalizão internacional na Líbia criaram uma "situação que pode sair do controle", em declarações à agência estatal de notícias Jana.
"Se eles (os ocidentais) continuarem, o mundo entrará em uma verdadeira cruzada (...) Iniciaram algo grave e que estará fora do controle, independentemente dos meios de destruição de que dispõem", advertiu.
Segundo o ditador, os dirigentes ocidentais "decidiram promover uma segunda cruzada entre muçulmanos e cristãos no Mediterrâneo".
A solução, segundo Gaddafi, é que estes dirigentes "renunciem imediatamente e que seus povos busquem outras alternativas".
Diplomata líbio na Liga Árabe, baseada no Cairo, Soufian Treki, um sobrinho do ex-chanceler, repassou à agência de notícias Reuters um comunicado enviado por Ali Abdussalm Treki.
"Não podemos deixar que o nosso país se dirija para um destino desconhecido. A nossa nação tem direito a viver em liberdade, democracia e boas condições de vida", afirmou no texto divulgado.
Treki disse ainda que sua renúncia baseia-se em sua rejeição ao "derramamento de sangue" promovido pelas tropas do governo.
Ibrahim Dabbashi, vice-embaixador da Líbia nas Nações Unidas, disse que a maioria dos políticos que integram o alto escalão do regime estão tentando desertar, mas sofrem com um rigoroso esquema de segurança que os impede de abandonar o país.
FIM DO REGIME
As deserções foram vistas nesta quinta-feira como um claro sinal da deterioração do regime, avaliaram os EUA, outras potências e os rebeldes, que veem na crescente pressão diplomática uma nova saída à crise. As tropas leais ao ditador, contudo, continuam avançando e forçando o recuo dos oposicionistas.
O Reino Unido, país para onde Moussa Koussa fugiu, e a Itália, também disseram que sua deserção mostra que o isolamento ao regime pode ser uma maneira eficiente de desestruturar Gaddafi.
No mesmo dia em que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiu o comando completo das operações militares na Líbia, os responsáveis pelo Pentágono e o "número dois" do Departamento de Estado dos EUA defenderam perante o Congresso americano a intervenção americana.
O governo de Barack Obama se mostra satisfeito com os resultados conseguidos, embora com algumas ressalvas.
O subsecretário de Estado, James Steinberg, considerou perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes que a deserção do chanceler líbio, Moussa Koussa, representa "uma indicação" de que as medidas de pressão impostas sobre o regime de Gaddafi "podem ter sucesso".
Quando "alguém que esteve durante tanto tempo com Gaddafi abandona, é um forte sinal de que já não há mais futuro", sustentou.
Em território líbio, os rebeldes sentiram-se estimulados pela deserção e pelas revelações de que os EUA estariam fornecendo apoio secreto às suas tentativas de contra-ataque ao regime.
"Estamos começando a ver o regime de Gaddafi se desintegrar", disse o porta-voz rebelde Mustafa Gheriani na cidade de Benghazi, no leste do país.
O principal oficial militar dos EUA, no entanto, disse ao Congresso que Gaddafi está longe de ser derrotado. "Nós de fato degradamos seriamente as capacidades militares dele", disse o almirante Mike Mullen. "Isso não significa que ele esteja prestes a sofrer um colapso do ponto de vista militar."
TREINAMENTO A REBELDES
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, reconheceu nesta quinta-feira que os rebeldes líbios têm pouco conhecimento, além de treinamento e organização limitados.
Ele rejeitou, contudo, a ideia dos EUA treinarem os rebeldes e disse que outros países podem fazê-lo, em clara referência às informações vazadas ontem (30) pelo jornal "The New York Times" e a agência de notícias Reuters, de que o presidente Barack Obama teria enviado agentes da CIA à Líbia para ajudar os oposicionistas.
"Em termos de providenciar assistência a eles, francamente, há muitos países que podem fazer isso", disse Gates, em audiência no Congresso americano. "Esta não é uma capacidade única do governo americano. E, no meu ponto de vista, outro país deveria fazer isso", completou.
PROBLEMAS DE SAÚDE
Comentando a deserção de Koussa pela primeira vez, o regime de Gaddafi afirmou nesta quinta-feira que o chanceler obteve permissão de saída do país em direção à Tunísia para receber tratamento de saúde.
"Ele recebeu permissão por motivo de doença e, quando chegou à Tunísia, perdemos contato com ele. Entendemos que ele tenha renunciado a seu posto, mas se trata de uma decisão pessoal", afirmou o porta-voz Moussa Ibrahim em entrevista coletiva realizada em Trípoli.
Ibrahim disse ainda que Koussa tinha comunicado que "estava exausto, que tinha diabetes e alta pressão, e lhe deram permissão para sair do país" para ser atendido na Tunísia.
"Não fomos notificados por ele sobre sua renúncia, mas entendemos que é pessoal, e não temos comentários", ressaltou.
A fonte oficial insistiu nos "graves problemas de saúde" que tinha Koussa e expressou esperança de que ele se recupere em breve "física e mentalmente".
"Lhe desejamos o bem. Quando decidir retornar, será mais que bem-vindo", acrescentou o porta-voz.
Ele afirmou ainda que "a luta pela liberdade" na Líbia "não depende de uma só pessoa" e insistiu que, apesar do longo tempo que Koussa estava no governo de Muammar Gaddafi o líder "segue rodeado de muito mais gente".
FORA DE CONTROLE
Mais cedo, Gaddafi afirmou que os países ocidentais que participam na coalizão internacional na Líbia criaram uma "situação que pode sair do controle", em declarações à agência estatal de notícias Jana.
"Se eles (os ocidentais) continuarem, o mundo entrará em uma verdadeira cruzada (...) Iniciaram algo grave e que estará fora do controle, independentemente dos meios de destruição de que dispõem", advertiu.
Segundo o ditador, os dirigentes ocidentais "decidiram promover uma segunda cruzada entre muçulmanos e cristãos no Mediterrâneo".
A solução, segundo Gaddafi, é que estes dirigentes "renunciem imediatamente e que seus povos busquem outras alternativas".
Por Folha


