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Japão está em 'alerta máximo' para resolver crise, diz premiê

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, afirmou na manhã desta terça-feira no horário local (noite de segunda-feira em Brasília) que seu governo está em "estado de alerta máximo" para tratar dos problemas relativos ao acidente na central nuclear de Fukushima.
Kan destacou que a situação permanece "imprevisível" na central nuclear, onde os sistemas de refrigeração de vários reatores seguem avariados e os vazamentos de material radioativo se multiplicam desde o tsunami que atingiu o complexo, em 11 de março passado.
O governo "vai enfrentar este problema em estado de alerta máximo", disse o premiê durante reunião da comissão de orçamento no Senado.

AIEA NÃO FOI COMUNICADA
 
Também na noite desta segunda-feira a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada às Nações Unidas, indicou que ainda não foi informada pelas autoridades do Japão sobre um suposto vazamento de plutônio do complexo nuclear de Fukushima, danificado pelo grande terremoto do último dia 11 que atingiu o nordeste do país.
Questionado sobre este assunto pela imprensa em Viena, Denis Flory, diretor-adjunto para Segurança Nuclear da agência, assinalou que "deve ser plutônio com pureza para reatores que se molda para o reator".
A fuga de plutônio "significa que há uma degradação do combustível, o que não é uma novidade", manifestou o funcionário da agência.
"Estivemos dizendo isso de forma consistente durante dias", exclamou Flory, que não deu mais detalhes do assunto.

PLUTÔNIO
 
A Tokyo Electric Power (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima Daiichi, informou nesta segunda-feira que detectou plutônio em cinco pontos do solo do complexo.
A Tepco detalhou que o nível de plutônio encontrado em amostras retiradas nos dias 21 e 22 de março não impõe risco à saúde humana, mas ressaltou que vai ampliar o monitoramento do complexo e arredores. O plutônio é mais tóxico que outras substâncias radioativas como iodo e césio.
O único reator que contém combustível misto de urânio e plutônio é o número 3. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) já havia alertado para uma fissura na câmera de contenção deste reator, que nos últimos dias emitiu, de maneira intermitente, fumaça --um indicador de que a pressão continua alta.
Segundo a rede de TV CNN, a Tepco encontrou três tipos diferentes de plutônio no solo.
Mais cedo, a Tepco informou que detectou água com altos níveis de radiação em túneis subterrâneos fora do reator 2, o primeiro indício de um vazamento do tipo desde a crise nuclear.
O vazamento estava em um túnel que rodeia o reator número 2 e viria do núcleo do reator, onde as varetas de combustível sofreram derretimento parcial, segundo a Kyodo.
Segundo a Tepco, a água continha concentrações radioativas de mais de mil milisievert por hora. A Agência de Proteção Ambiental dos EUA diz que uma única dose de 1.000 millisieverts é suficiente para causar hemorragia em 30 minutos. Se a pessoa ficar exposta por quatro horas, pode morrer em 30 dias.
Esse nível é similar ao detectado este fim de semana em uma região alagada no interior do prédio de turbinas da unidade 2, que obrigou a interromper o trabalho dos operários.
Uma das das entradas do túnel subterrâneo está localizada a apenas 55 metros do mar. A Tepco afirmou que não há indícios de que a água contaminada tivesse chegado ao mar, mas que não pode descartar uma contaminação do solo.
A Agência de Segurança Nuclear disse que a Tepco deve bombear a água altamente contaminada que se acumula no porão do prédio de turbinas do reator, conectado ao tubo, para eventualmente remover a água.
Os técnicos em Fukushima já haviam liberado vapor com radioatividade para conter o aumento da pressão nos reatores e evitar uma explosão, mas esta é a primeira vez que se fala em vazamento de água radioativa --o que aumenta o risco de uma contaminação ambiental.
Até então, água com alto teor de radiação havia sido encontrada somente dentro dos edifícios dos reatores.
O porta-voz do governo japonês, Yukio Edano, disse que o alto nível de radiação poderia provir do contato de água com material das barras de combustível nuclear parcialmente fundido. Ele afirmou, contudo, que a maior parte da radiação ainda está contida dentro do prédio.

ERRO
 
Também nesta segunda-feira, o governo criticou duramente o anúncio equivocado da Tepco sobre um nível de radioatividade 10 milhões de vezes acima do normal na água que sai da central nuclear de Fukushima.
"Mesmo que o cansaço das pessoas que trabalham no local possa ajudar a explicar o erro, considerando que a vigilância da radioatividade é uma condição maior para garantir a segurança, este tipo de erro é absolutamente inaceitável", declarou Yukio. "O governo ordenou que a Tepco não cometa o mesmo erro."
O anúncio da Tokyo Electric Power aumentou ainda mais a paranoia ao redor da central acidentada. O vice-presidente da Tepco, Sakae Muto, explicou que elementos radioativos foram confundidos durante as análises das mostras obtidas no vazamento do reator 2.

Por Folha