Outro reator nuclear japonês tem aquecimento e autoridades admitem: situação pode se agravar
TÓQUIO - Autoridades e técnicos japoneses correm contra o tempo para evitar uma catástrofe nuclear, mas já estão trabalhando com a perspectiva de derretimento dos núcleos de dois reatores do complexo Fukushima Daiichi, informou a CNN. As instalações apresentam sérios problemas desde o grande terremoto seguido de uma tsunami que varreu o país.
Até agora, segundo as autoridades, não há vazamento radioativo em grandes proporções. A perspectiva de trabalho em torno do pior cenário, afirmam, visa a permitir a adoção de todas as medidas preventivas necessárias a tempo de evitar maiores danos à população.
Em entrevista neste domingo, Yukio Edano, secretário chefe do gabinete, admitiu a perspectiva de colapso do reator número 1 do complexo, e acrescentou aos jornalistas que as autoridades também estavam "assumindo a possibilidade" de colapso do reator número 3.
Água do mar está sendo usada para tentar resfriar os reatores, e as autoridades ainda acreditam que podem controlar a situação.
Cerca de 180.000 pessoas estão sendo evacuadas para locais entre 10 a 20 quilômetros do complexo nuclear.
No dia anterior, explosão
Neste sábado, uma explosão nas instalações que protegem um dos reatores do complexo nuclear Fukushima Daiichi provocou vazamento de gases radioativos na atmosfera, mas as autoridades e a própria Organização Mundial de Saúde consideraram o vazamento sem maiores riscos à população.
Apesar disso, medições foram feitas junto à população da área da usina, e foi costatado algum grau de contaminação num total que chegaria a 160 pessoas.
A situação ficou mais tensa um pouco depois, quando um operador do complexo nuclear anunciou que o sistema de resfriamento de um segundo reator não estava funcionando adequadamente, com risco de nova explosão.
"Todas as funções de manutenção dos níveis de refrigeração do reator de número 3 falharam", afirmou um porta-voz da empresa operadora, Tokyo Electric Power.
"Por volta das 5h30 (de domingo, 17h30 de sábado, hora de Brasília), a injeção de água parou e na parte interna a pressão está subindo levemente", afirmou, acrescentando que a operadora emitiu um relatório de emergência para o governo sobre as condições da usina.
Em seguida, Toshihiro Bannai, uma autoridade da Agência Nuclear do Japão, admitiu à rede de TV americana CNN a possibilidade de um colapso na usina, com a fusão de reator nuclear. Neste caso, os técnicos não conseguem controlar a temperatura, que pode derreter o núcleo, causando um acidente nuclear de grandes proporções, com vazamento de material radioativo em grande quantidade na atmosfera.
Em entrevista por telefone à CNN, a autoridade informou que os engenheiros não conseguiram chegar perto o suficiente do núcleo para saber o que está acontecendo, mas funcionários têm injetado água do mar nos reatores, na tentativa de esfriar o combustível nuclear.
- Nós temos alguma confiança, até certo ponto, de que vamos tornar a situação estável - disse o funcionário.
Já o embaixador do Japão nos EUA, Ichiro Fujisaki, insistiu em declarações à CNN que não há provas de que uma fusão esteja em andamento no reator.
Por O Globo


