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Vazamento nuclear força remoção de 170 mil

Num dos piores acidentes nucleares da história, uma usina no norte do Japão vazou radiação em quantidades ainda desconhecidas, consequência do terremoto e do tsunami que atingiram o país.
Cerca de 170 mil pessoas tiveram de ser removidas de regiões próximas à usina Fukushima 1, noroeste do país. Numa escala de 1 a 7, o acidente atingiu nível 4.
Havia ontem o temor de que o acidente ainda piorasse, caso o combustível principal do reator vazasse.
Níveis de radiação foram identificados em nove pessoas, e há suspeitas sobre mais cerca de 150.
Conforme as autoridades japonesas, na manhã de domingo (noite de sábado no Brasil), havia seis reatores em estado de emergência. Eles estavam em duas diferentes usinas do complexo de Fukushima --três na Unidade 1 e três na Daini.
Depois da falha sequencial nos sistemas de resfriamento, técnicos apelaram para o bombeamento de água diretamente do mar na tentativa de conter a temperatura. O processo pode durar dias.
Pelo menos nove pessoas tiveram a contaminação confirmada por meio de exames, de acordo com a Agência de Segurança Nuclear e Industrial do Japão. O número pode chegar a 160, segundo a mesma autoridade.
O problema começou com o tremor e o tsunami de anteontem, que afetaram o sistema de resfriamento daquele complexo. Por volta das 16h30 deste sábado (4h30 no horário de Brasília), houve uma explosão.
Uma grande nuvem de vapor radioativo foi libertada, e parte do prédio ruiu. Quatro funcionários ficaram feridos. Mas o reator, que fica sob uma capa de aço com espessura de 15 centímetros, não ficou danificado.
No informe feito à AIEA (agência nuclear da ONU), Tóquio destacou que os níveis de radiação no entorno da planta nuclear tinham diminuído nas últimas horas. Mesmo assim, cerca de 170 mil pessoas foram retiradas de uma área de 20 km.
Essas pessoas receberam pílulas de iodo do governo japonês --a substância reduz o risco de câncer.
Mesmo antes do acidente, técnicos já haviam detectado um vazamento de césio --elemento decorrente do uso do combustível nuclear. O governo do Japão esforçou-se, no entanto, para dizer que a situação está sob controle. 

Por Folha