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Dilma e Palocci atendem Lula e dão explicações

BRASÍLIA - O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, explicou nesta quinta-feira a senadores petistas o seu aumento patrimonial nos últimos quatro anos e teria acusado a oposição de tentar desestabilizar o governo com informações despropositadas. O ministro almoçou hoje com a presidente Dilma e senadores do PT, no Palácio da Alvorada. Após a explicação de Palocci, que durou quinze minutos já no final da reunião, a presidente disse que "a oposição tenta o terceiro turno" das eleições.
Ela reclamou que durante a campanha sofreu durante dois meses um bombardeio com acusações de que o PT teria vazado dados sigilosos da família de José Serra, e ninguém queria debater conteúdo.
- Agora se negam a discutir o vazamento dos sigilos e só querem discutir o conteúdo dos sigilos. Estão querendo fazer um terceiro turno e esse episódio da politização da devolução do imposto da WTorre é a maior prova disso - reclamou Dilma, segundo relato dos presentes.
Na conversa, Palocci teria dito que ele e o governo estão convictos que as informações sobre seu aumento patrimonial "nasceram em São Paulo". Durante todo o tempo da sabatina, Dilma esteve ao lado de Palocci pedindo que ele detalhasse melhor esse ou aquele ponto mais nebuloso.

Dilma fica irritada com Wellington Dias

Em suas explicações, o ministro Palocci jurou que fez exatamente o que declarou, tudo dentro da lei e que continuaria se negando a revelar sua carteira de clientes e valores recebidos. E se as empresas quisessem se declarar, seria por sua própria conta e risco, pois correriam o risco de ficarem vulneráveis a uma devassa da Imprensa, como aconteceu no caso da WTorre. O ministro, entretanto, ao contrário de Lula, disse que a imprensa estava cumprindo seu papel de investigar.
O senador Wellington Dias foi o único que teve coragem de cobrar ocupação de cargos. Dilma não gostou.
- Olha aqui! Eu vou aproveitar que você tocou nesse assunto para deixar uma coisa bem clara! Eu me nego terminantemente a tratar de cargos junto com a votação do Código Florestal! - esbravejou Dilma, encerrando o assunto.
Logo depois ele mostrou seu lado ternura, quando o neto, Gabriel, começou a tagarelar numa sala próxima, quebrando seu raciocínio:
- Olha aí, eu tenho que viajar a China, tratar de Código Florestal e ainda cuidar do meu netinho!
Aos líderes, Dilma pediu também atenção especial à tramitação da emenda que muda o rito das medidas provisórias (MPs), relatada pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG).

Por O Globo