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Dilma mantém Turismo com PMDB e aliado de Sarney

O deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) já aceitou o convite para ser o novo ministro do Turismo, substituindo Pedro Novais, que pediu demissão nesta quarta-feira. Ele já conversou nesta noite como o vice-presidente, Michel Temer, e vai falar ainda com a presidente Dilma Rousseff.
O nome do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) foi descartado depois de uma conversa entre Temer e a presidente Dilma Rousseff. Outro nome cotado era do deputado Manoel Júnior (PB). A bancada do partido, por sua vez, rejeitou a orientação da presidente, que preferia alguém de fora do PMDB.
O nome do substituto de Pedro Novais no Ministério do Turismo chegou a ficar indefinido nesta quarta. A presidente Dilma e o vice Michel Temer ficaram reunidos até quase as 22h, mas quase não chegaram a um acordo sobre o novo ministro. A presidente teria manifestado preferência por um nome que não fosse da bancada, para evitar novos problemas. Temer ficou de consultar novamente os colegas de partido.
No final da noite desta quarta-feira o Planalto confirmou o nome de Gastão Vieira para o cargo.

Novo ministro do Turismo estava em festa quando foi chamado por Temer para uma conversa

O novo ministro do Turismo, deputado Gastão Vieira (PMDB-MA), estava numa festa de apoio à candidatura de Átila Lins (PMDB-AM), para cargo de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), quando foi chamado para uma conversa com o vice-presidente Michel Temer. Consultado, ele aceitou o convite e em seguida, falou com a presidente Dilma Rousseff. Pouco antes de ser confirmado para o cargo, Gastão disse ao GLOBO que tinha conversado com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e recebeu dele a informação de que a decisão seria de Temer.
O nome de Gastão foi confirmado depois que o líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN), vetou a opção de um nome de fora da bancada, conforme sugeriu o Planalto. A escolha do novo ministro resolve um problema político, envolvendo Sarney, pois ele é do mesmo estado do antecessor, Pedro Novais. Pesou na escolha o fato de Gastão ter ficha limpa, segundo interlocutores.
O nome de Marcelo Castro (PI) também chegou a ser cogitado, mas foi vetado pelo núcleo palaciano porque ele teria que dar explicações sobre a liberação de verba do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a construtora Jurema, ligada à sua família.

Henrique Alves parabeniza novo ministro do Turismo e a presidente Dilma Rousseff pela escolha

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), elogiou no Twitter a escolha do deputado Gastão Vieira (PMDB-MA) como novo ministro do Turismo. Alves disse que ele "reúne as qualidades para prestar um grande serviço ao País". "Parabenizo o deputado Gastão. E parabenizo a Presidente Dilma pela excelente escolha", acrescentou Alves.
Mais cedo, Eduardo Henrique Alves passou a informação de que até o final desta quarta-feira Temer teria algumas alternativas para apresentar a Dilma. A ideia de Alves era levar uma lista cujos nomes cotados eram: Manoel Junior (PB), Marcelo Castro (PI), Lelo Coimbra (ES) e Gastão Vieira (MA).
A confirmação da saída de Novais da pasta foi confirmada por Temer no início da noite, quando anunciou que o deputado havia entregado a carta de demissão do cargo de ministro à presidente Dilma.
Logo após a entrega da carta de demissão, o Ministério do Turismo divulgou uma nota confirmando a saída de Pedro Novais da pasta.
Em reunião com a bancada do PMDB da Câmara, depois de se encontrar com o vice-presidente Michel Temer, o líder Henrique Eduardo Alves foi comunicado que a maioria dos deputados desaprova a apresentação de uma lista de quatro nomes para a vaga do ministro do Turismo Pedro Novais.
Os deputados argumentaram que da lista de quatro, com a escolha de um, os outros três sairiam queimados. Assim, Dilma poderia escolher quem quisesse. Surgiu o nome do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Moreira Franco, também filiado ao partido, mas ele não quis.
- Até se a presidente Dilma quiser trocar o Ministério do Turismo, e nos der uma pasta melhor, nós aceitamos - disse Henrique durante a reunião da bancada.
Mais cedo, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), havia confirmado que Pedro Novais entregaria a carta de demissão à presidente Dilma Rousseff. Segundo o líder, a decisão partiu do próprio ministro. O líder deixou a vice-presidência em direção à Câmara dos Deputados, de onde, segundo ele, sairia um nome para substituir Novais.
- Com certeza será um parlamentar da Câmara (o novo ministro) - garantiu Alves.

Pedro Novais se reuniu com Temer na vice-presidência

No final da tarde desta quarta-feira, Pedro Novais se reuniu com o vice-presidente Michel Temer e com e o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele chegou à vice-presidência pouco depois das 17h e não quis dar entrevista. Novais se limitou a confirmar o encontro que teria com Temer.
- Eu vim conversar com meu amigo vice-presidente Michel Temer - resumiu Novais antes de entrar no prédio.
A situação de Novais ficou insustentável após denúncias. Após aval da presidente Dilma, a cúpula do PMDB começou a negociar nomes para ocupar seu cargo. No entanto, Dilma deixou a condução do processo a cargo do vice-presidente Michel Temer, repetindo o modelo adotado na substituição do ex-ministro da Agricultura Wagner Rossi.

Pedro Novais resistia em pedir demissão

Durante a tarde desta quarta-feira, o ministro do Turismo, Pedro Novais, resistia em pedir demissão, segundo interlocutores do Planalto . Mais cedo, em encontro com o líder Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ele insistiu que tinha condições de enfrentar mais essa crise no cargo.
Para o partido a permanência de Novais desgasta a imagem de todo o PMDB, principalmente na véspera do encontro nacional . Por isso a decisão de substitui-lo imediatamente para estancar a crise antes de quinta-feira.
- Para Novais só tem duas soluções: ou sair por vontade própria, ou ser saído - resumiu o presidente do PMDB Valdir Raupp, que esteve pela manhã com Dilma.

Escândalos em série motivaram saída de Novais

A saída do peemedebista do cargo foi motivada por uma série de denúncias publicadas contra o ministro na imprensa. Na terça-feira, o jornal "Folha de S. Paulo" publicou uma reportagem na qual mostra que, entre 2003 e 2010, quando ainda era deputado, Novais pagou o salário de sua governanta com dinheiro público . Uma nova denúncia publicada no jornal nesta quarta-feira agravou a situação do ministro. Segundo a reportagem, a mulher do ministro usava irregularmente um servidor da Câmara como motorista particular .
A presidente Dilma conversou nesta quarta-feira, por volta do meio-dia, com o presidente do PMDB, o senador Valdir Raupp (RO). Henrique Alves teria dito a Novais que ele tinha experiência política suficiente para avaliar o quadro e que estava preocupado com a repercussão negativa das denúncias.
- É um noticiário desconfortável, não posso negar. Tem que ter uma resposta cabal do ministro - avaliou Alves, antes da reunião.

Deputados ligados a Henrique Eduardo Alves e Sarney são cogitados para substituir Novais

A bancada insistia em um nome da Câmara, despontando os deputados Marcelo Castro (PI), Gastão Vieira (MA) e Lelo Coimbra (ES). Castro era o nome preferido do líder do PMDB na Câmara. Já o presidente do Senado, José Sarney, queria Gastão Vieira. Apesar das possibilidades, existe o temor de que, ao aceitar ser ministro, um deputado possa virar ele próprio alvo de novas denúncias. Fora da Câmara, outro nome cotado era o do vice-presidente da Caixa, Geddel Vieira Lima.
- O Henrique teve uma reunião tensa com a bancada e tentou sair de lá com uma carta branca, alegando que podia ter que indicar logo e não daria tempo de consultar o partido. Ele defendeu o Marcelo Castro, mas Dilma não quer de jeito nenhum porque o irmão dele aparece nos grampos da Polícia Federal na Operação Voucher. Sarney quer Gastão, mas a bancada está chiando e não aceita porque diz que a vaga é da Câmara. Então, pode sobrar para Lelo - contou um dos deputados que participou da reunião com Henrique.

- Agora estão tentando uma saída para preservar o pequenininho. Mas o partido tem que agir depressa e apresentar um nome de consenso, senão Dilma toma logo uma providência e tira a vaga do PMDB.

Presidente do PMDB diz que denúncias são graves

Raupp considerou graves as denúncias de que o ministro manteve uma empregada doméstica custeada pela Câmara. Mas preferiu não acusar seu companheiro de partido.
- Vamos sentar hoje à tarde e aguardar os esclarecimentos. Da outra vez, ele prestou esclarecimentos, que foram importantes - disse, em relação às denúncias de que ONGs mantinham contratos milionários com o Ministério do Turismo, mas não prestavam trabalho.
Novais vinha se segurando no governo apesar de bombardeado por denúncias de desvio de verbas da Câmara antes mesmo de assumir o cargo, e depois de irregularidades graves na pasta.

Dilma queria explicações para tomar 'medidas cabíveis'

Pela manhã, a presidente Dilma Rousseff falou sobre a situação do ministro. Ela queria explicações dele para tomar as medidas cabíveis. A presidente deu uma entrevista de cerca de 25 minutos antes de participar da abertura do Seminário de Gestão de Compras Governamentais em um hotel de Brasília. Ao ser perguntada sobre a situação do ministro, ela disse:
- Primeiro, a gente pede as explicações cabíveis. Eu voltei hoje de São Paulo. Vamos encaminhar isso, avaliar qual é a situação e tomar as medidas cabíveis de forma muito tranquila.
A presidente afirmou que Pedro Novais não a procurou para se explicar sobre denúncias:
- Ele não me deu explicação até porque eu não estava aqui.
Com a saída de Novais, já são cinco os ministros que deixaram o governo Dilma: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Nelson Jobim (Defesa) e Wagner Rossi (Agricultura). A presidente ainda promoveu a troca de Ideli Salvatti, agora nas Relações Institucionais, por Luiz Sérgio, que foi para Pesca.
Novais é o segundo ministro do PMDB a deixar um ministério em meio a denúncias. No dia 17 de agosto, o então ministro da Agricultura, Wagner Rossi, pediu demissão diante da notícia de que ele e um de seus filhos - o deputado estadual Baleia Rossi (PMDB-SP) - costumavam fazer viagens particulares em avião emprestado por uma empresa do ramo do agronegócio com interesses na pasta. Outro ministro da legenda que também deixou o governo foi Nelson Jobim , mas nesse caso por ter falado demais e ofendido colegas.

Por O Globo