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Em meio a rumores sobre calote, liberação de verba à Grécia empaca

As negociações para a liberação do socorro à Grécia, envolvida em uma profunda crise da dívida soberana, voltaram a patinar neste final de semana, durante encontro de ministros das finanças da Europa, ocorrido em Wroclaw, na Polônia. Nos bastidores, ficou claro que a liberação da segunda parcela do empréstimo de 109 bilhões de euros prometido à Grécia em julho vai depender da oferta de mais garantias pelo país.
A exigência desse novo pacote de garantias partiu da Finlândia. Embora parte dos ministros europeus considere que a solução para o impasse está próxima, o resultado da negociação não deve sair antes de outubro. Na sexta-feira, o presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, já havia afirmado que a decisão sobre a nova parcela – que soma 8 bilhões de euros – não ocorreria, como o previsto, neste mês.
Neste sábado, novos rumores sobre um possível calote grego surgiram, após o primeiro-ministro da Grécia, George Papandreou, cancelar uma viagem aos Estados Unidos. De acordo com agências internacionais, Papandreou já estava em Londres, quando decidiu voltar a seu país.
Durante o encontro em Wroclaw, o ministro de Finanças grego, Evangelos Venizelos, rechaçou os boatos. "Os comentários sobre um iminente default são irresponsáveis, ridículos", disse. "Todo final de semana a Grécia é alvo desse ataque de especuladores dos mercados financeiros." Venizelos afirmou que Papandreou decidiu retornar ao país simplesmente porque decisões difíceis, de caráter político e técnico, terão de ser tomadas nos próximos dias, para garantir que o dinheiro do resgate seja liberado.
Na próxima semana, a Grécia deve retomar as conversas com inspetores da União Europeia e do FMI. Os auditores irão verificar se houve progresso na situação fiscal do país.

'The Economist' - Nesta semana, a conceituada revista britânica The Economist dedica sua de capa à crise do euro. O periódico não está de acordo com as alternativas propostas pelos líderes europeus. E, bem ao seu estilo, sugere uma solução para o assunto. Confira o que disse a revista:

Os líderes europeus têm negado repetidamente que Grécia é insolvente (quando todos já sabem que ela é), deixando de traçar uma linha entre essa situação e as situações da Espanha e da Itália, que são solventes, mas possuem pouca liquidez. A desculpa é que a reestruturação grega pode causar contágio. Na verdade, negar o inevitável tem minado as promessas sobre os governos solventes.
Em vez de austeridade, um resgate deve começar com crescimento e, onde isso é inevitável, com uma séria reestruturação da dívida. A Europa precisa fazer um julgamento honesto sobre de que lado da linha da solvência está cada país. A Grécia, que é inequivocamente insolvente, deveria ter uma dura, mas ordenada redução de valor em seus papéis. O último, e inadequado, plano para um segundo socorro à Grécia, acordado em reunião de cúpula em julho, deve ser jogado fora e reescrito. Mas todos os outros membros da zona do euro (e, segundo dados, Portugal está no campo dos solventes) devem ser defendidos com poder de fogo decisivo, em termos financeiros. Todas as economias problemáticas, solventes ou insolventes, necessitam de um renovado programa de reforma estrutural e de liberalização. É liberalizando serviços e profissões, privatizando empresas, desburocratizando o estado e atrasando aposentadorias que se cria condições para um renovado crescimento – e esse é o melhor caminho para se reduzir déficits.

Por Veja