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Governo cedeu a lobby, afirmam importadoras

A Abeiva (associação dos importadores de veículos) afirmou nesta sexta-feira que a medida que o governo federal tomou ao elevar o IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) é lobby da indústria automotiva brasileira contra o crescimento do comércio de carros importados no país.
O presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, disse que a concorrência com os importados impede que as montadoras elevem os preços do veículos no mercado interno.
O decreto 7.567, que regulamenta o aumento do IPI em 30 pontos percentuais para veículos importados ou que não atendam a novos requisitos de conteúdo nacional, foi publicado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União e começou a valer.
Entre as determinações exigidas pelo governo, está a utilização de 65% de componentes fabricadas no país, realização de investimentos em inovação, pesquisa de desenvolvimento tecnológico no país, correspondente a 0,5% da receita bruta total de vendas de bens e serviços.
As empresas também terão que atender pelo menos seis de 11 etapas de produção definidas pelo governo. Entre elas, fabricação de motores e montagem de chassis.

PREÇO
 
De acordo com a a associação, o consumidor deverá sentir o impacto do aumento do imposto maior no preço dos carros importados em cerca de um mês.
O ministro Guido Mantega afirmou ontem que a mudança pode representar reajuste de 25% a 28% nos preços para carros que não atenderem às exigências.
O IPI sobe 30 pontos percentuais. Atualmente, o tributo varia de 7% a 25%, dependendo da potência e do tipo de combustível. Agora, ficará entre 37% e 55%.
Serão afetados automóveis, caminhões, caminhonetes e veículos comerciais leves. Deve encarecer, principalmente, carros chineses, coreanos e de luxo.
O presidente da Abeiva afirmou que não há invasão de veículos chineses no Brasil. Dados da associação apontam que os chineses representam apenas 2,5% dos veículos do mercado brasileiro. Os importados asiáticos --que incluem Coreia do Sul e Japão-- representam 5,8%.

Por Folha