O povo despertou?
As comemorações do 7 de Setembro foram marcadas por protestos em todo o país contra a corrupção. Em Brasília, onde ocorreu a maior manifestação, cerca de 25 mil pessoas se juntaram e foram às ruas demonstrar sua insatisfação com o atual estado da política brasileira, sentimento reforçado pela indecorosa absolvição da dep. Jacqueline Roriz na Câmara.
Essas manifestações possuem algumas características peculiares: foram organizadas através das redes sociais (Facebook e Twitter, principalmente); e seus participantes, em geral, são pessoas “comuns”, isto é, não possuem um histórico de engajamento e militância política. Inclusive, a participação de partidos e políticos foi rejeitada.
A abordagem que a imprensa deu ao fato, porém, foi dúbia. Enquanto parte do jornalismo político saudou a iniciativa como um novo movimento popular de grande amplitude, comparando até com a campanha das Diretas (seria esse movimento formado pelos indignados dos quais Juan Arias sentiu falta?), outra fatia dedicou-se à tarefa de desmoralizar os atos, tachando os manifestantes de “udenistas”, “conservadores”e “reacionários”.
De fato, a realidade não dá razão a nenhum dos dois grupos. Nem se trata de um grande movimento popular que tenha potencial de contagiar e tirar da inércia o povo, muito menos é o começo uma frente de ações de caráter golpista, ou revolucionário.
No caso brasileiro, não coexistem os elementos que formaram o contexto da mobilização popular que derrubou governos no mundo árabe, ou que causou embaraços na Europa e no Chile.
Ao contrário, as marchas brasileiras são fruto da indignação da população com a classe política, a qual não tem correspondido às expectativas do eleitorado em geral. Nesse sentido, o brado contra a corrupção é o elo de ligação de todos os anseios desses manifestantes.
Longe de se tornar uma grande onda de manifestações populares, tais movimentos devem constituir-se em alertas aos políticos em geral de que sua atuação não tem sido satisfatória.
Por outro lado, é interessante notar que sempre que uma manifestação possui um caráter crítico ao governo petista, o jornalismo chapa-branca trata logo de ridicularizar e deslegitimar o movimento. Para eles, só são válidos os atos liderados por entidades aparelhadas como a CUT e a UNE, estes sim golpistas (lembram do FORA FHC?).
Os gritos de “udenista!”, “golpista!”, “conservador!” logo são ouvidos. Como se defender a decência e a moralidade fosse coisa de “reacionários”. Não, não é! A defesa da ética é um dever de todo cidadão de bem. Tinha razão Rui Barbosa: em breve, ter-se-á vergonha de ser honesto.
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