Chuvas matam 11 e deixam 15 soterrados na divisa MG-RJ
O secretário estadual de Defesa Civil e comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, afirmou na tarde desta segunda-feira que o deslizamento de terra ocorrido em Jamapará, distrito de Sapucaia, no Médio Paraíba, deixou oito mortos - seis adultos e duas crianças - e cerca de 40 pessoas desalojadas. O Corpo de Bombeiros já identificou as vítimas dos deslizamentos. O deslizamento aconteceu no Km 108 da BR-353, às 3h30m desta segunda-feira. Nove casas foram atingidas, e a Defesa Civil já removeu algumas famílias que moram no entorno da área. Segundo o Corpo de Bombeiros, ainda há 15 pessoas desaparecidas - e não 24, como anunciado anteriormente. Segundo Simões, a prioridade neste momento é encontrar os corpos.De acordo com a corporação, morreram Luiz Carlos Nassifi, de 40 anos, e sua neta, Ana Maria Costa Bela Nassifi, de 3 anos; o casal Sergio "Batatinha" e Solange, e do filho Tiago Carvalho, de 18 anos; e Rosiani Gomes Bastos, de 23 anos, o filho Josiel, de 3, todos em um mesmo deslizamento. Em outro ponto da cidade, morreu um homem de 45 anos identificado apenas como Francisco. O último corpo encontrado até o momento pela Defesa Civil foi de Tiago. Ele estava entre os escombros na Rua dos Barros.
A Defesa Civil afirmou ainda que uma família de cinco pessoas que estava dentro de um Fusca pode ter morrido depois que o veículo foi soterrado. Segundo testemunhas, a família foi para o carro com medo de que sua casa desabasse, mas a casa permaneceu de pé.
O prefeito de Sapucaia, Anderson Zanon, disse nesta tarde que todo o distrito de Jamapará está em área de risco de deslizamento. Ele recentemente baixou um decreto, no qual nem a Light nem a Cedae podem fazer serviços em novas ocupações do distrito. Ele afirmou que o município está à espera de verba do Governo Federal para a construção de novas casas e a retirada de famílias de áreas de risco. O prefeito disse que, diante dessa tragédia, vai pedir recursos ao governo estadual:
- Em outro ponto de Jamapará, eu avisei às famílias que haveria deslizamentos. Estas famílias conseguiram ir para o Ciep mais próximo. Mas, no lugar da tragédia, havia casas de pelo menos 60 anos, e nunca ocorreram deslizamentos como esses.
Cerca de 30 bombeiros dos destacamentos de Carmo, Teresópolis, Três Rios e Itaipava foram deslocados para o local. A Polícia Civil estadual também participa do auxílio às vítimas do deslizamento. O Serviço Aeroespacial (Saer) está utilizando o helicóptero Águia 3, para realizar o resgate de feridos por meio de rapel. Além disso, a aeronave transportou equipes do Corpo de Bombeiros para Sapucaia, além de mantimentos e água para as vítimas. Além do Saer, o Departamento Geral de Polícia Técnico-Científica enviou legistas e papiloscopistas para auxiliar no trabalho de identificação dos corpos encontrados no município de Três Rios, no Centro-Sul fluminense, onde temporais vem atingindo a cidade.
Na igreja de Jamapara, próximo ao local onde houve o desabamento, foi montado um miniposto de saúde, a fim de atender moradores e parentes de desaparecidos. A lista de cadastrados no Programa Saúde da Família vai complementar as informações de moradores para que seja criada uma lista unificada de desaparecidos.
Testemunha da tragédia, o pintor Alex Junior, morador do lugar onde ocorreu o deslizamento, disse que estava dormindo na hora do acidente:
- Parecia uma forte explosão, e quando sai de casa só vi muita sujeira. Mas, com a ajuda de seis amigos, ainda conseguimos resgatar duas pessoas.
O secretário municipal de planejamento e Defesa Civil, Marco Antonio Teixeira, disse que pelo menos 59 famílias (cerca de 150 pessoas) foram retiradas do lugar. A maioria foi realocada para casas de parentes, vizinhos e amigos. Outros permaneceram no Ciep.
- A terra em Japamará é de aluvião, ou seja, é uma terra ruim, que se dissolve facilmente. E contém muitas pedras. Por isso, o risco aqui é grande. Há pelo menos 4 mil pessoas morando no distrito onde temos feito obras de mitigação - disse Teixeira.
Pezão anuncia liberação de R$ 600 mil para rodoviária em Cardoso Moreira
O vice-governador e coordenador de Infraestrutura do estado, Luiz Fernando Pezão, começou nesta segunda-feira a visitar os 11 municípios das regiões Norte e Noroeste atingidos pelas fortes chuvas. No fim da tarde, ele estava em Itaperuna, em uma reunião com os secretários de Saúde, Sérgio Côrtes, e Assistência Social, Rodrigo Neves. Em Cardoso Moreira, o vice-governador anunciou a liberação de R$ 600 mil para a construção da rodoviária da cidade. O montante é proveniente do Programa Somando Forças. O anúncio foi feito após reunião com o prefeito local, Gilson Siqueira. Já em Italva, a primeira cidade a ser visitada, o vice-governador se reuniu com o prefeito Joelson Soares, para definir ações de ajuda à população da cidade. No município, o posto de saúde e o hospital ficaram submersos, e a prefeitura vai montar um espaço alternativo para atender à população. Nesta terça-feira, Luiz Fernando Pezão vai se reunir com os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e dos Transportes, Paulo Passos para avaliar os prejuízos nos municípios fluminense atingidos pelas chuvas.
O governador Sérgio Cabral, em evento nesta segunda-feira no Palácio Guanabara, foi embora sem falar com a imprensa sobre os problemas e os atrasos no cronograma de ações relacionadas à chuva na Região Serrana e no Norte e Noroeste do estado. A assessoria de imprensa do governador informou aos jornalistas que apenas o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, pode responder perguntas sobre as intervenções e os investimentos para conter novas tragédias. Em nota, no entanto, a assessoria de imprensa do governador afirma que Cabral conversou, no começo da tarde desta segunda-feira, com o prefeito Anderson Zanon, de Sapucaia, determinando que os secretários de Defesa Civil e de Saúde fossem deslocados com suas equipes. Cães farejadores também foram enviados ao local para reforçar o trabalho de buscas.
Um funcionário da Agência Nacional de Transporte Terrestre, que não quis se identificar, informou que há pelo menos 70 deslizamentos na BR-393. Os buracos já ocupam mais de meia pista nos quilômetros 122 e 126, próximos a Jamapará. A um quilômetro da tragédia, a Defesa Civil montou um ponto de apoio onde há três helicópteros. A chuva aumentou de intensidade e o nível do rio continua a subir.
Mais cedo, em entrevista ao RJTV, o secretário de Comunicação de Sapucaia, Sérgio Murilo, disse há notícias de que uma família que se abrigou em um fusca também acabou morrendo durante o deslizamento.
Climatempo alerta para risco de temporais no Sudeste
O Instituto Climatempo informou que a chegada de outra frente fria ao litoral da Região Sudeste forçou a formação de uma grande área de baixa pressão atmosférica. A ação facilita o crescimento de nuvens carregadas que provocam raios, intensas rajadas de vento e chuvas fortes e volumosas. Para a tarde e a noite desta segunda-feira e para a madrugada de terça, a situação é de alerta para raios, chuva moderada a forte e rajadas de vento superiores aos 60 km/h para todo o Sudeste.
E a chuva não dá trégua na Região Serrana, onde grandes volumes voltaram a ser registrados. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a previsão para a terça-feira é de concentração de chuvas em áreas serranas e do Norte e Noroeste do Rio. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, entre 11h de domingo e 11h desta segunda-feira, choveu quase 96 milímetros sobre Nova Friburgo. Esse volume corresponde a 46% da média normal de chuva para todo o mês de janeiro, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo. Em Teresópolis, foram registrados 58 milímetros. Toda a Região Serrana do Rio de Janeiro já está encharcada, por causa do excesso de chuva que vem sendo observado desde dezembro passado.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Noroeste Fluminense, Douglas Paulich, Itaperuna, Italva e Laje do Muriaé tiveram mais de 100 milímetros de chuvas de domingo para segunda. E a maior preocupação é um possível deslizamento de terra.
A chuva está sendo volumosa também no Sul do Estado, e a região de Resende acumulava 72 milímetros entre 11h de domingo e 11h desta segunda. No mesmo período choveu 87 milímetros sobre Macaé, no litoral Norte Fluminense, e quase 44 milímetros sobre Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. Em Campos, no Norte do Estado do Rio, choveu mais 18 milímetros. O total acumulado em nove dias já era de aproximadamente 170 milímetros, superando a média normal para janeiro que fica em torno dos 140 milímetros.
A previsão para esta terça-feira é de que as áreas de instabilidade continuem sobre o estado, provocando mais chuva. A situação é de alerta para o alto risco de novas enchentes e deslizamentos de terra. Há previsão de mais chuva para o decorrer da semana, mas alguns períodos com sol a partir de quarta-feira.
Famílias são retiradas de Outeiro, onde mais um dique rompeu
No Norte e Noroeste Fluminense, equipes da Defesa Civil estadual e da Defesa Civil de Campos continuam, desde cedo, o trabalho de remoção das famílias que vivem na localidade de Outeiro, em Cardoso Moreira, onde um dique se rompeu no domingo. Foi o segundo dique que se rompeu na região em menos de uma semana. Alguns moradores estão indo voluntariamente para casas de parentes, e outros estão recebendo barracas de acampamento para fazem abrigos de emergência num morro próximo. A previsão era de que até esta tarde toda a área de Outeiro - um distrito que nasceu no entorno de uma usina desativada - estivesse inundada.
O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou à rádio CBN que já foi retirado cerca de um quarto dos 900 moradores da localidade de Outeiro. De acordo com o secretário, a situação está sob controle.
- A situação é menos grave do que imaginávamos ontem à noite. A área de Outeiro está plenamente assistida. Cerca de um quarto das pessoas já saíram e o restante está reticente, quer ver como a água vai chegar, o que é natural - afirmou o secretário, acrescentando que o nível dos rios do Noroeste deve baixar. A expectativa é que a chuva diminua, e os rios voltem ao nível das calhas. Estamos mobilizados em alerta máximo para antecipar ações - disse.
Cardoso Moreira é um dos sete municípios do Norte e do Noroeste Fluminense que se encontram em estado de emergência por causa de enchentes, e terminou o fim de semana praticamente isolado. Além do rompimento do dique, no fim da tarde de domingo, na noite de sábado a queda de uma barreira fechou uma estrada vicinal que vinha sendo o principal acesso à cidade desde quarta-feira, quando o Rio Muriaé abriu uma cratera na BR-356, que liga Campos a Itaperuna. Nos últimos dois dias, a cidade voltou a ser castigada por uma forte chuva. O chamado Dique das Onças se rompeu por causa da força das águas do Rio Muriaé. Outeiro é uma área rural que tem cerca de 400 famílias. O caso é semelhante ao que aconteceu na quarta-feira com a localidade de Três Vendas, em Campos, quando uma cratera foi aberta pelas águas do Muriaé na BR-356. Outeiro fica bem próximo a Três Vendas. Segundo a Defesa Civil, a situação é delicada, mas não potencializa a cheia na área urbana de Cardoso Moreira, talvez o município mais castigado pela enchente da semana passada, e encontra-se praticamente isolada de Campos, por causa da queda de barreira em uma estrada vicinal entre as localidades de Palmares e Pureza, no município de São Fidélis. Em Outeiro moram cerca de 600 pessoas, que terão que deixar suas casas.
Estava previsto que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tentasse desobstruir, nesta segunda-feira, a estrada onde caiu uma barreira, que faz ligação com São Fidélis. O caminho alternativo mais razoável para quem saía de Cardoso Moreira rumo a Campos era essa via. Agora, resta apenas um, que passa por Bom Jesus do Itabapoana, aumentando o tempo de viagem em duas horas.
O secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, disse, em entrevista à rádio CBN, que, entre os principais prejuízos causados pelas chuvas no Noroeste Fluminense está a perda de 50 mil litros por dia de leite dos 500 mil geralmente produzidos. Até agora, já foram perdidos 300 mil litros. Ainda assim, o secretário acredita que por enquanto não haverá aumento de preços no mercado.
- A perda se dá mais pela falta de logística - afirmou o secretário, explicando que técnicos trabalham na ligação de Cardoso Moreira com Bom Jesus de Itabapoana e na ligação de Cardoso Moreira com São Fidélis.
Alerta máximo em Itaperuna
Em Itaperuna, vários deslizamentos de terra levaram a prefeitura a decretar alerta máximo. No domingo, a Defesa Civil do município constatou que o nível dos rios Muriaé e Carangola subiu uma média de sete centímetros por hora, o que obrigou moradores de áreas próximas às margens a abandonar suas casas. Devido aos problemas causados pelas chuvas, a presidência do TRF-2 suspendeu os prazos processuais, entre os dias 9 e 13 de janeiro, e o expediente, entre os dias 09 e 11 de janeiro, na Subseção Judiciária de Itaperuna.
Em Miracema e Santo Antônio de Pádua, uma tempestade acompanhada de ventos fortes e granizo também provocou, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, cheia em rios e córregos. Em Campos, na madrugada de sábado, milhares de casas ficaram alagadas nos bairros Parque Aurora, Rosário e IPS, mas, na manhã de domingo, o quadro já era de normalidade.
Em Petrópolis, que continua em estadio de atenção, foram registradas 467 ocorrências - sendo 343 emergências e 124 preventivas -, sem registro de vítimas, desde o dia 1º. A Coordenadoria de Defesa Civil da prefeitura da cidade informou que o número de pessoas desalojadas aumentou para 23, e 33 residências foram interditadas. Nesta segunda-feira, duas residências na Rua Santo Antônio, no distrito da Posse, foram interditadas pela Defesa Civil após um deslizamento, que colocou em risco a permanência dos moradores. Agentes da Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Setrac) está dando assistência às famílias.
Além das mortes em decorrência do desabamento desta segunda-feira em Sapucaia, já haviam sido registradas duas mortes em decorrência da chuva. Segundo a Defesa Civil, o Estado tem mais de 10 mil desalojados (pessoas fora de casa) e cerca de 2 mil desabrigados.
O governo vai criar uma Força Nacional de Apoio Técnico e Emergência, com o reforço de 35 geólogos e 15 hidrólogos para trabalhar em ação complementar ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A presidente Dilma Rousseff também determinou, durante reunião com cinco ministros e técnicos nesta segunda-feira, que esses centros continuem atuando nas áreas de risco até março e não apenas durante o período mais crítico das chuvas. Dilma autorizou, ainda, a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os atingidos pelas chuvas possam reconstruir suas casas.
Dados do Sistema de Alerta de Cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostram que está em alerta máximo o nível dos rios que cortam o Noroeste Fluminense. A situação é crítica no Rio Muriaé - que passa pelos municípios de Laje do Muriaé, Italva, Itaperuna, Cardoso Moreira e Campos -, Rio Carangola - que atravessa Porciúncula, Natividade -, Rio Pomba - que passa por Santo Antônio de Pádua -, Rio Itabapoana - que atravessa Bom Jesus de Itabapoana - e o Rio Paraíba do Sul - que corta Campos e é o principal da bacia.
Na Baixada Fluminense, também há pelo menos um local em estágio de alerta máximo: Saracuruna, em Duque de Caxias. O Rio Capivari, em Belford Roxo, que estava em estágio de alerta máximo até o início da manhã desta segunda-feira, voltou ao estágio de atenção. Os demais rios que atravessam a região também estão no nível de atenção, representado pela cor amarela. Na Região Serrana, estão em alerta (cor laranja) o Córrego Dantas e o Rio Bengalas, em Nova Friburgo. Nos outros municípios, a situação é de atenção.
Chuvas provocam quedas de barreiras na Serra
A madrugada foi marcada por chuvas fortes em rodovias do estado e a ocorrência de deslizamentos de terra, que levaram à interdição de diversos trechos. Na Região Serrana, houve queda de barreiras em pelo menos dez pontos da Rodovia BR-040, que liga o Rio à Juiz de Fora. Foi retirada nesta tarde a barreira que bloqueava o km 32, em Areal. Nos demais pontos, as equipes continuam trabalhando.
Sobre as barreiras que caíram na BR-393 (antiga Rio-Bahia), que faz ligação com a BR-040 no km 22, em Três Rios, uma opção de acesso a Além Paraíba pela BR-040, para quem segue em direção ao Rio, é entrar em Juiz de Fora pelo km 799, seguir até Bicas e de lá se dirigir a Leopoldina, retornando para acessar Além Paraíba.
Para quem segue em direção a Juiz de Fora, a opção é se dirigir até Petrópolis, sair no km 58, e pegar a estrada Itaipava-Teresópolis, de onde terá acesso a Além Paraíba.
Caixa divulga contas para doações a vítimas das enchentes
Como parte do Plano de Ações divulgado pela Caixa Econômica Federal na última sexta-feira, o banco divulgou nesta segunda-feira a abertura de duas contas para arrecadação de doações para vítimas das enchentes no Rio de Janeiro e Minas Gerais. A CEF informa que, além da abertura das contas, promove reforço de pessoal para atendimento nas agências e o deslocamento de duas Unidades de Atendimento Temporário (caminhões-agências) para os locais onde se concentrarão as populações que estão deixando seus locais de residência.
Número das contas para doação:
Rio de Janeiro:
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2012-8
Minas Gerais:
Agência: 0935
Operação: 006
Conta: 700-8
Agentes da Operação Lei Seca vão dar apoio às cidades castigadas
Nesta terça-feira, a Secretaria de Estado de Governo vai enviar 75 agentes da Operação Lei Seca para as regiões Norte e Noroeste Fluminense. As equipes vão atuar nas cidades de Santo Antônio de Pádua, Itaocara, Cambuci, Aperibé, Cardoso Moreira, Italva, Itaperuna, Laje do Muriaé e Campos dos Goytacazes. Quinze veículos do órgão também serão disponibilizados para auxiliar os trabalhos.
A Defesa Civil afirmou ainda que uma família de cinco pessoas que estava dentro de um Fusca pode ter morrido depois que o veículo foi soterrado. Segundo testemunhas, a família foi para o carro com medo de que sua casa desabasse, mas a casa permaneceu de pé.
O prefeito de Sapucaia, Anderson Zanon, disse nesta tarde que todo o distrito de Jamapará está em área de risco de deslizamento. Ele recentemente baixou um decreto, no qual nem a Light nem a Cedae podem fazer serviços em novas ocupações do distrito. Ele afirmou que o município está à espera de verba do Governo Federal para a construção de novas casas e a retirada de famílias de áreas de risco. O prefeito disse que, diante dessa tragédia, vai pedir recursos ao governo estadual:
- Em outro ponto de Jamapará, eu avisei às famílias que haveria deslizamentos. Estas famílias conseguiram ir para o Ciep mais próximo. Mas, no lugar da tragédia, havia casas de pelo menos 60 anos, e nunca ocorreram deslizamentos como esses.
Cerca de 30 bombeiros dos destacamentos de Carmo, Teresópolis, Três Rios e Itaipava foram deslocados para o local. A Polícia Civil estadual também participa do auxílio às vítimas do deslizamento. O Serviço Aeroespacial (Saer) está utilizando o helicóptero Águia 3, para realizar o resgate de feridos por meio de rapel. Além disso, a aeronave transportou equipes do Corpo de Bombeiros para Sapucaia, além de mantimentos e água para as vítimas. Além do Saer, o Departamento Geral de Polícia Técnico-Científica enviou legistas e papiloscopistas para auxiliar no trabalho de identificação dos corpos encontrados no município de Três Rios, no Centro-Sul fluminense, onde temporais vem atingindo a cidade.
Na igreja de Jamapara, próximo ao local onde houve o desabamento, foi montado um miniposto de saúde, a fim de atender moradores e parentes de desaparecidos. A lista de cadastrados no Programa Saúde da Família vai complementar as informações de moradores para que seja criada uma lista unificada de desaparecidos.
Testemunha da tragédia, o pintor Alex Junior, morador do lugar onde ocorreu o deslizamento, disse que estava dormindo na hora do acidente:
- Parecia uma forte explosão, e quando sai de casa só vi muita sujeira. Mas, com a ajuda de seis amigos, ainda conseguimos resgatar duas pessoas.
O secretário municipal de planejamento e Defesa Civil, Marco Antonio Teixeira, disse que pelo menos 59 famílias (cerca de 150 pessoas) foram retiradas do lugar. A maioria foi realocada para casas de parentes, vizinhos e amigos. Outros permaneceram no Ciep.
- A terra em Japamará é de aluvião, ou seja, é uma terra ruim, que se dissolve facilmente. E contém muitas pedras. Por isso, o risco aqui é grande. Há pelo menos 4 mil pessoas morando no distrito onde temos feito obras de mitigação - disse Teixeira.
Pezão anuncia liberação de R$ 600 mil para rodoviária em Cardoso Moreira
O vice-governador e coordenador de Infraestrutura do estado, Luiz Fernando Pezão, começou nesta segunda-feira a visitar os 11 municípios das regiões Norte e Noroeste atingidos pelas fortes chuvas. No fim da tarde, ele estava em Itaperuna, em uma reunião com os secretários de Saúde, Sérgio Côrtes, e Assistência Social, Rodrigo Neves. Em Cardoso Moreira, o vice-governador anunciou a liberação de R$ 600 mil para a construção da rodoviária da cidade. O montante é proveniente do Programa Somando Forças. O anúncio foi feito após reunião com o prefeito local, Gilson Siqueira. Já em Italva, a primeira cidade a ser visitada, o vice-governador se reuniu com o prefeito Joelson Soares, para definir ações de ajuda à população da cidade. No município, o posto de saúde e o hospital ficaram submersos, e a prefeitura vai montar um espaço alternativo para atender à população. Nesta terça-feira, Luiz Fernando Pezão vai se reunir com os ministros da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e dos Transportes, Paulo Passos para avaliar os prejuízos nos municípios fluminense atingidos pelas chuvas.
O governador Sérgio Cabral, em evento nesta segunda-feira no Palácio Guanabara, foi embora sem falar com a imprensa sobre os problemas e os atrasos no cronograma de ações relacionadas à chuva na Região Serrana e no Norte e Noroeste do estado. A assessoria de imprensa do governador informou aos jornalistas que apenas o vice-governador, Luiz Fernando Pezão, pode responder perguntas sobre as intervenções e os investimentos para conter novas tragédias. Em nota, no entanto, a assessoria de imprensa do governador afirma que Cabral conversou, no começo da tarde desta segunda-feira, com o prefeito Anderson Zanon, de Sapucaia, determinando que os secretários de Defesa Civil e de Saúde fossem deslocados com suas equipes. Cães farejadores também foram enviados ao local para reforçar o trabalho de buscas.
Um funcionário da Agência Nacional de Transporte Terrestre, que não quis se identificar, informou que há pelo menos 70 deslizamentos na BR-393. Os buracos já ocupam mais de meia pista nos quilômetros 122 e 126, próximos a Jamapará. A um quilômetro da tragédia, a Defesa Civil montou um ponto de apoio onde há três helicópteros. A chuva aumentou de intensidade e o nível do rio continua a subir.
Mais cedo, em entrevista ao RJTV, o secretário de Comunicação de Sapucaia, Sérgio Murilo, disse há notícias de que uma família que se abrigou em um fusca também acabou morrendo durante o deslizamento.
Climatempo alerta para risco de temporais no Sudeste
O Instituto Climatempo informou que a chegada de outra frente fria ao litoral da Região Sudeste forçou a formação de uma grande área de baixa pressão atmosférica. A ação facilita o crescimento de nuvens carregadas que provocam raios, intensas rajadas de vento e chuvas fortes e volumosas. Para a tarde e a noite desta segunda-feira e para a madrugada de terça, a situação é de alerta para raios, chuva moderada a forte e rajadas de vento superiores aos 60 km/h para todo o Sudeste.
E a chuva não dá trégua na Região Serrana, onde grandes volumes voltaram a ser registrados. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a previsão para a terça-feira é de concentração de chuvas em áreas serranas e do Norte e Noroeste do Rio. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, entre 11h de domingo e 11h desta segunda-feira, choveu quase 96 milímetros sobre Nova Friburgo. Esse volume corresponde a 46% da média normal de chuva para todo o mês de janeiro, segundo a meteorologista Josélia Pegorim, do Climatempo. Em Teresópolis, foram registrados 58 milímetros. Toda a Região Serrana do Rio de Janeiro já está encharcada, por causa do excesso de chuva que vem sendo observado desde dezembro passado.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil do Noroeste Fluminense, Douglas Paulich, Itaperuna, Italva e Laje do Muriaé tiveram mais de 100 milímetros de chuvas de domingo para segunda. E a maior preocupação é um possível deslizamento de terra.
A chuva está sendo volumosa também no Sul do Estado, e a região de Resende acumulava 72 milímetros entre 11h de domingo e 11h desta segunda. No mesmo período choveu 87 milímetros sobre Macaé, no litoral Norte Fluminense, e quase 44 milímetros sobre Arraial do Cabo, na Região dos Lagos. Em Campos, no Norte do Estado do Rio, choveu mais 18 milímetros. O total acumulado em nove dias já era de aproximadamente 170 milímetros, superando a média normal para janeiro que fica em torno dos 140 milímetros.
A previsão para esta terça-feira é de que as áreas de instabilidade continuem sobre o estado, provocando mais chuva. A situação é de alerta para o alto risco de novas enchentes e deslizamentos de terra. Há previsão de mais chuva para o decorrer da semana, mas alguns períodos com sol a partir de quarta-feira.
Famílias são retiradas de Outeiro, onde mais um dique rompeu
No Norte e Noroeste Fluminense, equipes da Defesa Civil estadual e da Defesa Civil de Campos continuam, desde cedo, o trabalho de remoção das famílias que vivem na localidade de Outeiro, em Cardoso Moreira, onde um dique se rompeu no domingo. Foi o segundo dique que se rompeu na região em menos de uma semana. Alguns moradores estão indo voluntariamente para casas de parentes, e outros estão recebendo barracas de acampamento para fazem abrigos de emergência num morro próximo. A previsão era de que até esta tarde toda a área de Outeiro - um distrito que nasceu no entorno de uma usina desativada - estivesse inundada.
O secretário estadual de Defesa Civil, coronel Sérgio Simões, informou à rádio CBN que já foi retirado cerca de um quarto dos 900 moradores da localidade de Outeiro. De acordo com o secretário, a situação está sob controle.
- A situação é menos grave do que imaginávamos ontem à noite. A área de Outeiro está plenamente assistida. Cerca de um quarto das pessoas já saíram e o restante está reticente, quer ver como a água vai chegar, o que é natural - afirmou o secretário, acrescentando que o nível dos rios do Noroeste deve baixar. A expectativa é que a chuva diminua, e os rios voltem ao nível das calhas. Estamos mobilizados em alerta máximo para antecipar ações - disse.
Cardoso Moreira é um dos sete municípios do Norte e do Noroeste Fluminense que se encontram em estado de emergência por causa de enchentes, e terminou o fim de semana praticamente isolado. Além do rompimento do dique, no fim da tarde de domingo, na noite de sábado a queda de uma barreira fechou uma estrada vicinal que vinha sendo o principal acesso à cidade desde quarta-feira, quando o Rio Muriaé abriu uma cratera na BR-356, que liga Campos a Itaperuna. Nos últimos dois dias, a cidade voltou a ser castigada por uma forte chuva. O chamado Dique das Onças se rompeu por causa da força das águas do Rio Muriaé. Outeiro é uma área rural que tem cerca de 400 famílias. O caso é semelhante ao que aconteceu na quarta-feira com a localidade de Três Vendas, em Campos, quando uma cratera foi aberta pelas águas do Muriaé na BR-356. Outeiro fica bem próximo a Três Vendas. Segundo a Defesa Civil, a situação é delicada, mas não potencializa a cheia na área urbana de Cardoso Moreira, talvez o município mais castigado pela enchente da semana passada, e encontra-se praticamente isolada de Campos, por causa da queda de barreira em uma estrada vicinal entre as localidades de Palmares e Pureza, no município de São Fidélis. Em Outeiro moram cerca de 600 pessoas, que terão que deixar suas casas.
Estava previsto que o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) tentasse desobstruir, nesta segunda-feira, a estrada onde caiu uma barreira, que faz ligação com São Fidélis. O caminho alternativo mais razoável para quem saía de Cardoso Moreira rumo a Campos era essa via. Agora, resta apenas um, que passa por Bom Jesus do Itabapoana, aumentando o tempo de viagem em duas horas.
O secretário estadual de Agricultura, Christino Áureo, disse, em entrevista à rádio CBN, que, entre os principais prejuízos causados pelas chuvas no Noroeste Fluminense está a perda de 50 mil litros por dia de leite dos 500 mil geralmente produzidos. Até agora, já foram perdidos 300 mil litros. Ainda assim, o secretário acredita que por enquanto não haverá aumento de preços no mercado.
- A perda se dá mais pela falta de logística - afirmou o secretário, explicando que técnicos trabalham na ligação de Cardoso Moreira com Bom Jesus de Itabapoana e na ligação de Cardoso Moreira com São Fidélis.
Alerta máximo em Itaperuna
Em Itaperuna, vários deslizamentos de terra levaram a prefeitura a decretar alerta máximo. No domingo, a Defesa Civil do município constatou que o nível dos rios Muriaé e Carangola subiu uma média de sete centímetros por hora, o que obrigou moradores de áreas próximas às margens a abandonar suas casas. Devido aos problemas causados pelas chuvas, a presidência do TRF-2 suspendeu os prazos processuais, entre os dias 9 e 13 de janeiro, e o expediente, entre os dias 09 e 11 de janeiro, na Subseção Judiciária de Itaperuna.
Em Miracema e Santo Antônio de Pádua, uma tempestade acompanhada de ventos fortes e granizo também provocou, entre a noite de sábado e a madrugada de domingo, cheia em rios e córregos. Em Campos, na madrugada de sábado, milhares de casas ficaram alagadas nos bairros Parque Aurora, Rosário e IPS, mas, na manhã de domingo, o quadro já era de normalidade.
Em Petrópolis, que continua em estadio de atenção, foram registradas 467 ocorrências - sendo 343 emergências e 124 preventivas -, sem registro de vítimas, desde o dia 1º. A Coordenadoria de Defesa Civil da prefeitura da cidade informou que o número de pessoas desalojadas aumentou para 23, e 33 residências foram interditadas. Nesta segunda-feira, duas residências na Rua Santo Antônio, no distrito da Posse, foram interditadas pela Defesa Civil após um deslizamento, que colocou em risco a permanência dos moradores. Agentes da Secretaria de Trabalho, Assistência Social e Cidadania (Setrac) está dando assistência às famílias.
Além das mortes em decorrência do desabamento desta segunda-feira em Sapucaia, já haviam sido registradas duas mortes em decorrência da chuva. Segundo a Defesa Civil, o Estado tem mais de 10 mil desalojados (pessoas fora de casa) e cerca de 2 mil desabrigados.
O governo vai criar uma Força Nacional de Apoio Técnico e Emergência, com o reforço de 35 geólogos e 15 hidrólogos para trabalhar em ação complementar ao Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A presidente Dilma Rousseff também determinou, durante reunião com cinco ministros e técnicos nesta segunda-feira, que esses centros continuem atuando nas áreas de risco até março e não apenas durante o período mais crítico das chuvas. Dilma autorizou, ainda, a liberação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os atingidos pelas chuvas possam reconstruir suas casas.
Dados do Sistema de Alerta de Cheias do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) mostram que está em alerta máximo o nível dos rios que cortam o Noroeste Fluminense. A situação é crítica no Rio Muriaé - que passa pelos municípios de Laje do Muriaé, Italva, Itaperuna, Cardoso Moreira e Campos -, Rio Carangola - que atravessa Porciúncula, Natividade -, Rio Pomba - que passa por Santo Antônio de Pádua -, Rio Itabapoana - que atravessa Bom Jesus de Itabapoana - e o Rio Paraíba do Sul - que corta Campos e é o principal da bacia.
Na Baixada Fluminense, também há pelo menos um local em estágio de alerta máximo: Saracuruna, em Duque de Caxias. O Rio Capivari, em Belford Roxo, que estava em estágio de alerta máximo até o início da manhã desta segunda-feira, voltou ao estágio de atenção. Os demais rios que atravessam a região também estão no nível de atenção, representado pela cor amarela. Na Região Serrana, estão em alerta (cor laranja) o Córrego Dantas e o Rio Bengalas, em Nova Friburgo. Nos outros municípios, a situação é de atenção.
Chuvas provocam quedas de barreiras na Serra
A madrugada foi marcada por chuvas fortes em rodovias do estado e a ocorrência de deslizamentos de terra, que levaram à interdição de diversos trechos. Na Região Serrana, houve queda de barreiras em pelo menos dez pontos da Rodovia BR-040, que liga o Rio à Juiz de Fora. Foi retirada nesta tarde a barreira que bloqueava o km 32, em Areal. Nos demais pontos, as equipes continuam trabalhando.
Sobre as barreiras que caíram na BR-393 (antiga Rio-Bahia), que faz ligação com a BR-040 no km 22, em Três Rios, uma opção de acesso a Além Paraíba pela BR-040, para quem segue em direção ao Rio, é entrar em Juiz de Fora pelo km 799, seguir até Bicas e de lá se dirigir a Leopoldina, retornando para acessar Além Paraíba.
Para quem segue em direção a Juiz de Fora, a opção é se dirigir até Petrópolis, sair no km 58, e pegar a estrada Itaipava-Teresópolis, de onde terá acesso a Além Paraíba.
Caixa divulga contas para doações a vítimas das enchentes
Como parte do Plano de Ações divulgado pela Caixa Econômica Federal na última sexta-feira, o banco divulgou nesta segunda-feira a abertura de duas contas para arrecadação de doações para vítimas das enchentes no Rio de Janeiro e Minas Gerais. A CEF informa que, além da abertura das contas, promove reforço de pessoal para atendimento nas agências e o deslocamento de duas Unidades de Atendimento Temporário (caminhões-agências) para os locais onde se concentrarão as populações que estão deixando seus locais de residência.
Número das contas para doação:
Rio de Janeiro:
Agência: 0199
Operação: 006
Conta: 2012-8
Minas Gerais:
Agência: 0935
Operação: 006
Conta: 700-8
Agentes da Operação Lei Seca vão dar apoio às cidades castigadas
Nesta terça-feira, a Secretaria de Estado de Governo vai enviar 75 agentes da Operação Lei Seca para as regiões Norte e Noroeste Fluminense. As equipes vão atuar nas cidades de Santo Antônio de Pádua, Itaocara, Cambuci, Aperibé, Cardoso Moreira, Italva, Itaperuna, Laje do Muriaé e Campos dos Goytacazes. Quinze veículos do órgão também serão disponibilizados para auxiliar os trabalhos.


