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Dilma e Merkel falam em 'celebrar' cooperação entre Brasil e Alemanha

A presidente Dilma Rousseff e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, afirmaram nesta segunda-feira que a presença do Brasil como convidado especial na feira de informática CeBIT é um marco de uma longa cooperação tecnológica e econômica entre os dois países. "Este é o momento de celebrar nossa longa cooperação", afirmou Dilma em seu discurso na cidade alemã de Hannover, dirigindo-se a Merkel. "Essa cooperação deu ao Brasil a possibilidade de dar um grande salto em sua indústria na segunda metade do século XX. Agora, a participação na CeBIT de 2012 é um marco em uma nova etapa dessa longa cooperação".
Merkel afirmou que, quando se fala das relações entre Brasil e Alemanha, está se falando simbolicamente de um processo no qual o mundo se mostra cada vez mais interconectado. Ela destacou a importância dos dois países no G20 - bloco das principais nações ricas e emergentes.
Agora, o Brasil se apresenta na CeBIT como um mercado importante para o setor de informática, mas também como um parceiro de negócios e como produtor de artigos que competem de forma igual com os países industrializados no mercado mundial. Isso faz do Brasil - disseram tanto Merkel como Dilma - um lugar interessante para investidores internacionais. "O Brasil é um país de oportunidades, oportunidades para 190 milhões de brasileiros que cada vez têm mais acesso aos benefícios do progresso, mas também para os investidores devido à estabilidade macroeconômica e às perspectivas de crescimento", disse Dilma.
Merkel falou ainda sobre o papel-chave desempenhado pelo Brasil no processo de integração latino-americana. A chanceler alemã lembrou que a confiança representa o tema central da CeBIT deste ano e ressaltou que se trata de um elemento também fundamental nas relações entre Brasil e Alemanha.
Essa confiança, disse Merkel, também implica em transparência quando se fala das diferenças. A líder alemã destacou que ela e a presidente brasileira falarão abertamente de temas conflituosos, como as preocupações do governo brasileiro com o tsunami econômico que pode significar a crise do euro ou temas relacionados ao protecionismo.
Na última quinta-feira, dia 1º, Dilma criticou o que chamou de "tsunami monetário, referindo-se ao despejo de dólares no mercado internacional para desvalorizar a moeda americana e ganhar competitividade nas exportações, em detrimento da economia dos países emergentes. "Nós nos preocupamos, sim, com esse tsunami monetário que os países desenvolvidos fazem ao não seguir políticas fiscais de ampliação da capacidade de investimento para sair da crise em que estão metidos", disse a presidente, acrescentando que os países ricos criam uma "guerra cambial baseada numa política monetária expansionista, que cria situações desiguais". Hoje, mais cedo, Dilma fez novas críticas à política monetária de países desenvolvidos. De acordo com a presidente, as medidas causam "desvalorização artificial" das moedas, "equivalem a barreiras tarifárias" e geram bolhas e especulação.
Em resposta à Dilma, a chanceler alemã Angela Merkel fez críticas ao que chamou de "medidas protecionistas unilaterais". "A presidente Dilma citou tsunami de liquidez, manifestou sua preocupação. Temos de olhar para medidas protecionistas unilaterais. Penso que a confiança é o caminho que devemos trilhar para sair da crise", afirmou Merkel.

Por Época