|

Restruturação da dívida grega ganha adesão de quase 96% dos credores

O plano de reestruturação da dívida soberana grega ganhou a adesão de 95,7% de seus credores, informou nesta sexta-feira a Autoridade de Gestão da Dívida Pública (PDMA). Os detentores privados de 152 bilhões de euros em dívida grega (85,8%) - dos 177 bilhões do total - aceitaram o perdão de forma voluntária. A eles se somam os possuidores do resto da dívida inscritos em leis diferentes da grega, que enviaram seu "consentimento" para proceder à reestruturação de seus títulos.
Segundo os cálculos da PDMA, a soma destes dois tipos de bônus chegaria a 197 bilhões de euros, ou seja, 95,7% dos 206 bilhões em dívida a reestruturar. A Grécia precisava da participação de pelo menos dois terços de seus credores para realizar a troca dos bônus atuais por outros depreciados, na maior reestruturação de dívida soberana de sua história.
O plano prevê a troca de bônus gregos com valor de face de € 206 bilhões por novos títulos com prazos maiores e juros menores; a troca implicaria para os credores uma redução de 53,5% no valor de face da dívida grega. O objetivo é reduzir a dívida da Grécia de mais de 165% do PIB para 120,5% do PIB até 2020.
Há três categorias de bônus envolvidos na reestruturação: cerca de € 117 bilhões em títulos soberanos emitidos de acordo com as leis gregas, que representam 85% do total, cerca de € 18 bilhões em bônus emitidos sob leis estrangeiras (principalmente britânicas), e cerca de € 10 bilhões em títulos emitidos por estatais com garantias do governo grego.
Depois do anúncio do grau de participação dos credores privados na operação, a Grécia fará consultas com seus parceiros da zona do euro, o FMI e o Banco Central Europeu (BCE) para decidir se usa as cláusulas de ação coletiva. Uma teleconferência entre os ministros das Finanças dos países da zona do euro está marcada para as 10h (de Brasília).
Por Estadão