Sob pressão, BC corta juros além do previsto
O Comitê de Política Monetária (Copom) mudou o plano de voo que mantinha desde a metade do ano passado: cortou em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros (Selic) para 9,75% ao ano. Após uma reunião que demorou quase quatro horas, ele antecipou o cumprimento da promessa – anunciada em janeiro - de que o país teria taxa de um dígito. A decisão dos diretores do Banco Central (BC) foi de cinco votos a favor e dois pela redução de meio ponto percentual.
O comunicado do colegiado ao final da reunião não deu nenhum recado sobre os próximos rumos das decisões do Copom: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 ponto percentual”.
Nos últimos dias cresceram as apostas no mercado financeiro de um corte maior. Alguns analistas falavam em até 1 ponto percentual de queda. No mercado de juros futuros, porém, os contratos mais importantes foram sendo negociados com uma aposta de corte de 0,75 ponto percentual. Essas perspectivas de um corte mais agressivo ganhou força nas últimas semanas.
Os argumentos a favor de uma “radicalização” imediata giraram em torno do apelidado “tsunami cambial”, ou seja, a vultuosa quantia de dólares que sobra no mundo e vem para o Brasil lucrar com os juros mais altos do mundo. O crescimento aquém do que queria o governo em 2011 também reforçou o discurso. Além disso, o BC já tinha avisado que os juros chegarão a um dígito. E uma pesquisa da autarquia mostrou que os diretores veem mais espaço para uma queda da taxa básica sem afetar a inflação do que o estimado pelo mercado. Para completar, na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que neste momento de crise vários países trabalham com juros num patamar menor do que o recomendado para estimular suas economias e sair da crise.
No entanto, vários economistas dizem que mesmo com tantas razões para o Copom apertar o passo, o BC errou porque começa dar sinais de que a inflação poderá sair do controle no ano que vem.
Segundo o analista André Perfeito, da corretora Gradual, o BC tinha de aproveitar que essas expectativas estão mudando e influenciar ainda mais o comportamento dos agentes financeiros, mas para isso era necessário sentir confiança na autoridade monetária.
- É um processo de convencimento. Não adianta nada fazer um movimento mais audacioso para fazer os juros caírem mais rápido no Brasil ver a inflação ganhar força lá na frente – alega o economista, que completa:
- É ganhar a batalha e perder a guerra.
O comunicado do colegiado ao final da reunião não deu nenhum recado sobre os próximos rumos das decisões do Copom: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu reduzir a taxa Selic para 9,75% ao ano, sem viés, por cinco votos a favor e dois votos pela redução da taxa Selic em 0,5 ponto percentual”.
Nos últimos dias cresceram as apostas no mercado financeiro de um corte maior. Alguns analistas falavam em até 1 ponto percentual de queda. No mercado de juros futuros, porém, os contratos mais importantes foram sendo negociados com uma aposta de corte de 0,75 ponto percentual. Essas perspectivas de um corte mais agressivo ganhou força nas últimas semanas.
Os argumentos a favor de uma “radicalização” imediata giraram em torno do apelidado “tsunami cambial”, ou seja, a vultuosa quantia de dólares que sobra no mundo e vem para o Brasil lucrar com os juros mais altos do mundo. O crescimento aquém do que queria o governo em 2011 também reforçou o discurso. Além disso, o BC já tinha avisado que os juros chegarão a um dígito. E uma pesquisa da autarquia mostrou que os diretores veem mais espaço para uma queda da taxa básica sem afetar a inflação do que o estimado pelo mercado. Para completar, na semana passada, o presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que neste momento de crise vários países trabalham com juros num patamar menor do que o recomendado para estimular suas economias e sair da crise.
No entanto, vários economistas dizem que mesmo com tantas razões para o Copom apertar o passo, o BC errou porque começa dar sinais de que a inflação poderá sair do controle no ano que vem.
Segundo o analista André Perfeito, da corretora Gradual, o BC tinha de aproveitar que essas expectativas estão mudando e influenciar ainda mais o comportamento dos agentes financeiros, mas para isso era necessário sentir confiança na autoridade monetária.
- É um processo de convencimento. Não adianta nada fazer um movimento mais audacioso para fazer os juros caírem mais rápido no Brasil ver a inflação ganhar força lá na frente – alega o economista, que completa:
- É ganhar a batalha e perder a guerra.
Por O Globo


