|

RJ decreta luto após chuvas; governo foi alertado em 2008 sobre região serrana

O governador Sérgio Cabral (PMDB) decretou luto oficial no Estado do Rio de Janeiro por sete dias pelas vítimas das chuvas em cinco cidades da região serrana. O decreto, assinado na sexta-feira (14), entra em vigor na próxima segunda (17), quando será publicado no "Diário Oficial". Ao menos 549 pessoas morreram desde a última terça-feira (11), segundo último balanço da Defesa Civil.
Segundo a assesoria, Cabral vai ao Hospital de Campanha instalado em Nova Friburgo, na região serrana do Rio, por volta das 11h deste sábado para acompanhar os atendimentos.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil, 248 pessoas morreram em Nova Friburgo, 238 em Teresópolis, 43 em Petrópolis e 16 em Sumidouro. Também há registro de quatro mortes em São José do Vale do Rio Preto.

RISCO

Reportagem publicada na edição deste sábado da Folha mostra que um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense.
A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra.
O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas.
O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que o mapeamento de áreas de risco foi feito, faltando "apenas" a retirada dos moradores, e que os parques florestais da região também foram ampliados.

VERBA

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira o envio de R$ 100 milhões para ajudar as cidades serranas do Rio, informou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra. O dinheiro faz parte de um total de R$ 780 milhões liberados por Dilma, por meio de medida provisória editada na quarta-feira (12), para as cidades e Estados prejudicados pelas chuvas.
O governador Sérgio Cabral afirmou ontem que haverá o momento de se fazer "autocrítica" e "avaliação" sobre a tragédia na região serrana. Mas, para ele, este não é o momento.
"A hora é de arregaçar as mangas e ajudar a essas famílias. É máquina, bombeiros trabalhando. Sempre tem a hora de fazer avaliação. Tem que se fazer uma autocrítica, por que se permitiu fazer tudo isso. Mas agora é resgatar corpos e ajudar famílias desabrigadas. Não vamos perder tempo nesse momento", disse o governador, em visita ao bairro Caleme, em Teresópolis, um dos mais atingidos por deslizamentos e cheias de rios.

Por Folha