Japão declara estado de emergência após falha em cinco reatores nucleares
TÓQUIO - O Japão declarou estado de emergência em duas usinas nucleares depois de uma falha no sistema de resfriamento de cinco reatores - dois na planta Fukushima 1 e três na vizinha Fukushima 2 -, em decorrência do forte terremoto de magnitude 8,9 que atingiu o país na sexta-feira. As cinco instalações foram fechadas e a agência nuclear ordenou a liberação de vapor levemente radioativo para reduzir a pressão e proteger os reatores de danos. No total, o país tem 55 reatores fornecendo cerca de um terço da eletricidade do país.
A central nuclear Fukushima 2 está localizada a 12 km da central Fukushima 1, onde a sala de controle de um reator registrou, pela manhã, um nível de radioatividade 1 mil vezes superior ao normal, de acordo com a agência de notícias Kyodo. Segundo medição feita num posto de controle próximo ao portão principal da usina, os níveis de radiação fora de Fukushima 1 aumentaram oito vezes nas últimas horas. Os dois complexos nucleares encontram-se a cerca de 270 km ao norte de Tóquio.
- É possível que o material radioativo na cúpula do reator possa vazar para o exterior, mas a quantidade deve ser pequena, e o vento soprando em direção ao mar será levado em conta - disse o chefe de gabinete do governo, Yukio Edano, em entrevista coletiva.
A agência de segurança nuclear diz que o elemento radioativo no vapor a ser liberado não vai afetar o ambiente e nem oferece risco à saúde. Apesar disso, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, ordenou remover toda população em um raio de 10 km do complexo nuclear. Citando o Ministério da Indústria, a agência de imprensa Jiji afirmou cerca de 45 mil foram orientadas a deixar a região.
O primeiro-ministro, Naoto Kan, visita as usinas na manhã deste sábado (noite de sexta-feira no Brasil), além de sobrevoar a região atingida pelo terremoto, o maior já registrado no Japão.
- Os moradores estão seguros. Queremos que as pessoas fiquem calmas - acrescentou.
O Greenpeace se mostrou preocupado: "Liberar qualquer quantidade de radiação na atmosfera é um risco à saúde da população da região. O fato de a usina nuclear de Fukushima estar vazando, ou ser forçada a uma liberação, com gases contaminados do reator na atmosfera, indica que todas as proteções físicas que deveriam isolar a radioatividade falharam", disse em comunicado o diretor de Campanha Nuclear da entidade ambientalista, Jan Beranek.
Problemas em outra instalação
Outra instalação nuclear japonesa também apresentou problemas. A agência de notícias Kyodo disse que um incêndio ocorreu na usina Onagawa, da Tohoku Electric Power Company, no nordeste do Japão após o terremoto.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica, as quatro usinas nucleares japonesas situadas perto da área atingida pelo terremoto foram fechadas em segurança. A AIEA, entidade da ONU para a fiscalização de energia nuclear, sediada em Viena, disse que estava buscando mais informações sobre que países e instalações nucleares poderiam estar em risco pelo tsunami provocado pelo terremoto.
"As quatro usinas nucleares do Japão mais próximas ao local do tremor foram fechadas em segurança", disse a agência em comunicado, acrescentando que estava agindo em conjunto com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão para obter mais detalhes da situação. "A agência ofereceu seus serviços ao Japão, caso o país peça assistência", acrescenta o comunicado.
Este é o maior tremor já registrado na história do país, que mantém dados sobre abalos sísmicos há 140 anos. De acordo com o embaixador do Brasil no Japão, Marcos Galvão, não há registro de brasileiros mortos ou feridos na tragédia. Segundo ele, há 254 mil brasileiros no país, mas a maioria se concentra em Tóquio. O maremoto atingiu a Indonésia, o estado americano do Havaí, a Califórnia e a costa do México, no Pacífico.
O terremoto aconteceu às 14h46m (2h46m no horário de Brasília). O epicentro foi localizado a 24 quilômetros de profundidade e a 130 quilômetros a leste da cidade de Sendai. O abalo foi seguido por uma série de réplicas, entre elas uma com uma magnitude de 7,4 graus.
Por O Globo


