|

Líder do PSDB pede que Palocci saia do governo

No primeiro posicionamento veementemente contra o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, o líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), defendeu a saída do petista do governo. Segundo Dias, o governo Dilma Rousseff está “contaminado” pela presença de Palocci, que deveria se afastar “até o esclarecimento cabal de todas as denúncias”.
"É elementar que ele se afaste até o esclarecimento cabal de todas as denúncias. Se absolvido, ele retorna, se condenado, paga o que a Justiça decidir", afirmou o senador nesta segunda-feira (23).
Segundo Dias, as denúncias recentes do enriquecimento acelerado de Palocci - que multiplicou seu patrimônio por 20 em apenas quatro anos - deixam indícios de prática de tráfico de influência pelo ministro. "O governo está contaminado com a sua presença. Pode-se até dizer que a oposição está indo em socorro ao governo ao pedir sua saída, porque esse caso está contaminando a administração federal", disse o senador.
Em defesa de Palocci, o governo convocou os cinco governadores petistas para uma reunião, embora tenham afirmado que foram discutidas apenas medidas de contenção de inflação, a reforma política e outros assuntos. Pelo Planalto, porém, corre a informação de que se deve tentar blindar Palocci contra a crise.
O tema do enriquecimento de Palocci foi abordado como “tema de conjuntura”, conforme relatou o governador de Sergipe, Marcelo Déda. Já o presidente do PT disse que o caso Palocci foi “mencionado” no encontro e que os petistas entendem que “a questão política vem sendo conduzida corretamente”.
Alvaro Dias fez nesta segunda um discurso em plenário. Ele destacou que a oposição vai aditar a representação feita contra o ministro na Procuradoria-Geral da República e que está buscando assinaturas para instalar uma CPI. Amanhã, lideranças de PSDB, DEM, PPS e PSOL farão uma reunião para definir a estratégia para os próximos dias para o caso Palocci.
O governador da Bahia, Jaques Wagner, afirmou que é natural a demanda da oposição por querer convocar o ministro para prestar esclarecimentos no Congresso Nacional, mas instrumentos como a convocação ou a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) “não devem ser banalizados”. Para ele, o caso deve ser averiguado pela Receita Federal e pelo Ministério Público.
O senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) também falou sobre o tema em plenário. Ele lembrou o caso da quebra de sigilo do caseiro Francenildo Costa e afirmou que o ministro está desperdiçando sua "segunda chance". Jarbas cobrou que Palocci abra suas contas, como foi feito por assessores seus com Francenildo. "O ministro não pode mais se esconder atrás de uma cortina de ferro", afirmou. As senadoras Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Marisa Serrano (PSDB-MS) também cobraram explicações do ministro Palocci.

Por Época