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Dilma promete coibir excessos da Polícia Federal

A presidente Dilma Rousseff colocou ainda mais lenha no mal estar criado entre o Planalto e a Polícia Federal nos últimos dias. Durante o discurso em que reconduziu ao cargo por mais dois anos o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, Dilma manifestou voltou a manifestar seu incômodo com a atuação da PF durante a Operação Voucher.
Na sexta-feira, a presidente havia dito, por meio da assessoria de imprensa, considerar “inaceitável” a divulgação de fotos dos presos tiradas no momento em que eram detidos, no Amapá. Nesta segunda, ela foi ainda mais objetiva, embora não tenha citado o caso diretamente. “Onde o crime organizado atuar, vamos combater com firmeza, sempre contando com a atuação isenta do MP, a eficiência da polícia e o poder de decisão do judiciário. Farei o que estiver ao meu alcance para coibir excessos que afrontem a dignidade de investigados.”
A Operação Voucher exaltou os ânimos do governo não só por ter feito uma devassa no Ministério do Turismo e levado para trás das grades o número dois da pasta. Em imagens feitas no momento em que os 36 presos eram transferidos para o Amapá, o uso de algemas nos braços de integrantes do ministério parece ter chamado mais a atenção que o motivo pelo qual eles foram presos. Para completar o clima tenso, na sexta, um jornal de Macapá divulgou fotos em que os principais detidos na Operação apareciam sem camisa sendo registrados na delegacia.
Após sua recondução ao cargo, o procurador-Geral da República, Roberto Gurgel, apoiou o discurso de Dilma referente à divulgação de fotos dos presos na Operação Voucher. “É absolutamente inaceitável e exagerada uma exposição daquela maneira, não vejo nenhuma justificativa para aquilo, a fotografia não precisaria ser feita naquelas condições”, comentou. “O discurso da presidente realça que neste país temos que ter rigorosamente observados os direitos das pessoas investigadas e naquele episódio não há dúvidas de que esses direitos não foram adequadamente observados. E eu tenho a mesma posição no sentido de coibir esse tipo de excesso”.
Dilma exigiu explicações do ministro da Justiça, Eduardo Cardozo, que reagiu com um discurso considerado agressivo pelos policiais. Na noite de sexta, ele divulgou um ofício que foi enviado para o ministro Cesar Peluzo, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para que o caso fosse investigado e seus responsáveis punidos. “Ele nos prometeu apurar isso com muito rigor”, disse Cardozo durante a posse de Gurgel, nesta segunda. “Escapa da jurisdição do Ministério da Justiça porque as fotos foram tiradas dentro de um presídio estadual. Mas é realmente uma situação abusiva, inaceitável, violadora dos diretos básicos dos presos”.
Cardozo evita criticar diretamente a PF no geral, pois sabe que sua imagem com a categoria é ruim. Representantes do órgão já trataram de dizer que o ministro é persona non grata. Por isso, o ministro é cuidadoso nas declaração sobre o tema.  “O trabalho e a importância da Polícia Federal são indiscutíveis, mas isso não quer dizer que eventuais abusos individuais que sejam praticados por membros da PF não sejam punidos”, destacou Cardozo nesta segunda. “Sempre que for constatada uma situação de abuso de poder e ilegalidade, puniremos com rigor.”
 
Por Veja