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Dólar sobe pelo 12º dia e fecha a R$ 1,789; Bolsa registra queda

A Bolsa de Valores brasileira desvalorizou 1,27% -- pela referência do índice Ibovespa -- no encerramento dos negócios de hoje. O "termômetro" da praça doméstica voltou para os 56.378 pontos, numa sessão em que o giro financeiro atingiu R$ 6,27 bilhões.
Os investidores não sustentaram o viés positivo registrado em boa parte da rodada de negócios desta terça-feira, principalmente depois que as Bolsas americanas, a principal influência externa, viraram para o campo negativo.
Nos EUA, o mercado de Nova York perdeu fôlego perto do final do pregão e teve alta de apenas 0,07%, conforme o índice Dow Jones. Pelo índice S&P 500, que abrange um número maior de ações, a queda foi de 0,16%.
Já o dólar comercial subiu pelo 12º dia somente neste mês, alcançando a cotação de R$ 1,789 (aumento de 0,50%), a maior taxa desde julho de 2010.
Mais uma vez, as ações da Vale concentraram a maior parte dos negócios no pregão, com destaque para a preferencial, alvo de R$ 1,02 bilhão das operações registradas hoje. Esse papel ficou 0,96% mais caro nesta sessão e contribuiu para evitar uma queda ainda mais acentuada do índice Ibovespa.
A equipe de analistas da Lerosa Investimentos chama a atenção para o comportamento recente dos investidores, trocando papéis de empresas mais ligadas à economia doméstica por ativos de companhias que ganham com o dólar mais alto.
Nessa troca, as ações do setor imobiliário foram fortemente "castigadas" hoje, com registro de perdas de 6% para as ações da Cyrella, PDG, MRV, Rossi Residencial e Gafisa.

CENÁRIO EXTERNO
 
O que manteve o relativo otimismo das Bolsas ao longo do dia foi a expectativa que o Federal Reserve (banco central dos EUA) pode anunciar amanhã novas medidas para estimular a maior economia do planeta.
Também há o sentimento de que as autoridades europeias e o governo grego ainda podem chegar a um acordo para evitar que o país mediterrâneo anuncie o "default" (suspensão de pagamentos), uma possibilidade real devido a sua delicada situação financeira.
Esse cenário evitou que os mercados se rendessem a algumas das várias notícias desfavoráveis que tiveram algum impacto nesta terça-feira.
Ontem à noite, a agência de classificação de risco de crédito Moody's rebaixou o 'rating' (nota de risco) da Itália, embora ainda mantendo os títulos do país como papéis do tipo 'grau de investimento' (com menor probabilidade de insolvência).
E o FMI divulgou uma bateria de projeções mais pessimistas para a economia mundial, e reforçou sua advertência de que EUA e Europa podem cair em recessão se não tomarem as medidas necessárias.
No front doméstico, o IBGE divulgou uma taxa de inflação acima do previsto. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15) teve variação de 0,53% em setembro, ante 0,27% em agosto e 0,10% em julho. Profissionais do mercado financeiro esperavam uma taxa de 0,49% para o período.
E veio dos EUA uma dos poucos indicadores favoráveis desta jornada. O US Census Bureau (o escritório de estatísticas local) informou hoje um crescimento acima das expectativas para o total de licenças emitidas para novas construções. Em agosto, o órgão registrou em torno de 620 mil (base anual) licenças para edificações, ante 601 mil em julho (dado revisado) e 575 mil em agosto do ano passado.
Analistas do setor financeiro trabalhavam com um número um pouco inferior, na marca dos 600 mil.

Por Folha