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PF acha desvios de R$ 100 milhões na obra da Norte-Sul

Laudos da Polícia Federal apontam indícios de que houve várias irregularidades nas obras da ferrovia Norte-Sul, como cobrança de propina e sobrepreço de mais de R$ 100 milhões no trecho que cruza o Estado de Goiás.
Os documentos ajudam a entender o que levou o ex-presidente da estatal responsável pela ferrovia, a Valec, a ser preso no dia 5 de julho. Acusado de enriquecimento ilícito, José Francisco das Neves, o Juquinha, foi solto na última semana.
Os peritos da PF analisaram o trecho da Norte-Sul entre Palmas (TO) e Anápolis (GO), contratado por R$ 622 milhões. Comparando os preços das construtoras e os do mercado, acharam diferença superior a R$ 100 milhões.
No lote 2, um trecho de 52 km entre Ouro Verde de Goiás e Pátio de Jaraguá, a polícia encontrou um sobrepreço de R$ 25,5 milhões --20%.
A concorrência foi vencida pela Camargo Corrêa, mas a empreiteira deixou a obra. Ela foi entregue à Constran em 2009, mas o contrato venceu e a obra está parada.
No lote 3, com 71 km entre Pátio de Jaraguá e Pátio de Santa Isabel, a PF apontou sobrepreço de R$ 22 milhões (13,5%). A obra foi concluída pela Andrade Gutierrez.
Nos 105 km entre Pátio de Santa Isabel e Pátio de Uruaçu, o lote 4, o sobrepreço apontado foi de R$ 48,5 milhões --ou 25% a mais. A Constran deixou o lote, entregue em 2009 à SPA Engenharia. A obra está parada.

Obras interrompidas

Lançada em 1986, no governo José Sarney, a Norte-Sul foi interrompida após o jornal "Folha de S.Paulo" apontar fraude na concorrência. Nova licitação saiu em 2004, no governo Lula.
Orçada em R$ 6 bilhões, a obra só prossegue porque as empresas aceitaram construir sem receber todo o valor contratado (parte é retida enquanto se discute o preço).
A PF tem indícios de que parte do dinheiro foi desviada para propina, além de sobrepreço de R$ 5 milhões no lote da Queiroz Galvão (Anápolis a Campo Limpo).

Por Folha