Em compasso de espera, Américas discutem crise no Paraguai
A Organização dos Estados Americanos (OEA) começou a discutir nesta
terça-feira, 26, a crise política no Paraguai, sem perspectiva de tomar
medidas concretas antes da reunião dos países sul-americanos no fim da
semana, na Argentina.
O encontro extraordinário que reúne os 35 países do hemisfério em Washington foi antecipado em um dia por causa de "países que estavam um pouco fora" do processo de negociação da crise política, como o México, afirmou a jornalistas o diplomata que chefia a missão do Brasil na OEA.
Entretanto, mesmo os Estados Unidos indicaram que não querem tomar uma posição sobre o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo antes de realizar consultas com seus "parceiros" na região - em particular, o Brasil.
"Não esperamos nada de mais concreto nessa reunião", disse, antes do encontro, o chefe interino da missão brasileira no Paraguai, embaixador Breno Dias da Costa. Ele indicou que qualquer decisão mais concreta da OEA requereria o envio de uma missão de observadores ao Paraguai e uma assembleia de chanceleres da região - algo que seria considerado fora de propósito nesse momento.
Em clima de "deixa que eu deixo", a sensação é de que os diplomatas da região estão aguardando a reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que acontece em Mendoza, na Argentina, junto com a reunião do Mercosul na quinta-feira.
O Paraguai está suspenso de ambos os blocos, o que implica que nem o novo presidente, Federico Franco, nem seus assessores poderiam participar da reunião de Mendoza. Franco torceu o nariz nesta terça-feira, indicando que política internacional não está entre suas "prioridades" neste momento.
Entretanto, no mesmo comunicado em que diz que expressa a sua "mais enérgica condenação à ruptura da ordem democrática na República do Paraguai", a Unasul afirma que não tomará medidas que afetem o povo paraguaio - leia-se, sanções econômicas que piorem ainda mais a situação de um país em crise.
Isolado, mas não sancionado
A posição brasileira é a de que o novo governo paraguaio deve ser isolado politicamente, mas não sofrer sanções econômicas.
As medidas mais notáveis nesse campo vieram da Venezuela - cuja aprovação no Mercosul ainda faltava ser aprovada pelo Congresso paraguaio. O governo do presidente Hugo Chávez suspendeu o envio de petróleo ao Paraguai.
Cautelosos, os Estados Unidos até agora têm apenas expressado a sua "preocupação" com a crise no país. Afirmaram estar "avaliando" a reação de seus parceiros na América do Sul.
Na segunda-feira à noite, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, confirmou que a titular da Pasta, Hillary Clinton, esteve em contato com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. "As nossas preocupações têm a ver com a rapidez (do processo de impeachment) e se houve o processo devido, vamos dizer assim", afirmou a porta-voz. "Não determinamos que seja um 'golpe' no sentido tradicional."
Victoria Nuland disse que o governo americano ainda quer "ver quanta unidade existe dentro da OEA" para decidir os próximos passos a tomar.
Eleições mantidas
A reunião da OEA ocorre em meio à organização de protestos, no Paraguai, para antecipar a realização das próximas eleições presidenciais no país, marcadas para abril. Esta hipótese já havia sido discutida como satisfatória por diplomatas sul-americanos negociando uma saída para a crise política.
No entanto, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do Paraguai anunciou que o novo presidente, Federico Franco, deverá completar o mandato até agosto de 2013 e descartou antecipar as eleições de abril.
Durante a reunião, a missão do Paraguai na OEA, nomeada pelo ex-presidente, defenderá a legalidade do processo sumário que resultou na queda de Fernando Lugo. "Temos de respeitar as decisões das instituições democráticas do Paraguai. Para nós, o que houve foi um juízo político", disse um representante paraguaio antes do início da sessão da OEA.
Embora tenha durado apenas 24 horas, o rito sumário contra Lugo obteve aprovação tanto da Câmara quanto do Senado uruguaios. Ao fim, o presidente aceitou a decisão.
O encontro extraordinário que reúne os 35 países do hemisfério em Washington foi antecipado em um dia por causa de "países que estavam um pouco fora" do processo de negociação da crise política, como o México, afirmou a jornalistas o diplomata que chefia a missão do Brasil na OEA.
Entretanto, mesmo os Estados Unidos indicaram que não querem tomar uma posição sobre o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo antes de realizar consultas com seus "parceiros" na região - em particular, o Brasil.
"Não esperamos nada de mais concreto nessa reunião", disse, antes do encontro, o chefe interino da missão brasileira no Paraguai, embaixador Breno Dias da Costa. Ele indicou que qualquer decisão mais concreta da OEA requereria o envio de uma missão de observadores ao Paraguai e uma assembleia de chanceleres da região - algo que seria considerado fora de propósito nesse momento.
Em clima de "deixa que eu deixo", a sensação é de que os diplomatas da região estão aguardando a reunião da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), que acontece em Mendoza, na Argentina, junto com a reunião do Mercosul na quinta-feira.
O Paraguai está suspenso de ambos os blocos, o que implica que nem o novo presidente, Federico Franco, nem seus assessores poderiam participar da reunião de Mendoza. Franco torceu o nariz nesta terça-feira, indicando que política internacional não está entre suas "prioridades" neste momento.
Entretanto, no mesmo comunicado em que diz que expressa a sua "mais enérgica condenação à ruptura da ordem democrática na República do Paraguai", a Unasul afirma que não tomará medidas que afetem o povo paraguaio - leia-se, sanções econômicas que piorem ainda mais a situação de um país em crise.
Isolado, mas não sancionado
A posição brasileira é a de que o novo governo paraguaio deve ser isolado politicamente, mas não sofrer sanções econômicas.
As medidas mais notáveis nesse campo vieram da Venezuela - cuja aprovação no Mercosul ainda faltava ser aprovada pelo Congresso paraguaio. O governo do presidente Hugo Chávez suspendeu o envio de petróleo ao Paraguai.
Cautelosos, os Estados Unidos até agora têm apenas expressado a sua "preocupação" com a crise no país. Afirmaram estar "avaliando" a reação de seus parceiros na América do Sul.
Na segunda-feira à noite, a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland, confirmou que a titular da Pasta, Hillary Clinton, esteve em contato com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antonio Patriota. "As nossas preocupações têm a ver com a rapidez (do processo de impeachment) e se houve o processo devido, vamos dizer assim", afirmou a porta-voz. "Não determinamos que seja um 'golpe' no sentido tradicional."
Victoria Nuland disse que o governo americano ainda quer "ver quanta unidade existe dentro da OEA" para decidir os próximos passos a tomar.
Eleições mantidas
A reunião da OEA ocorre em meio à organização de protestos, no Paraguai, para antecipar a realização das próximas eleições presidenciais no país, marcadas para abril. Esta hipótese já havia sido discutida como satisfatória por diplomatas sul-americanos negociando uma saída para a crise política.
No entanto, o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral do Paraguai anunciou que o novo presidente, Federico Franco, deverá completar o mandato até agosto de 2013 e descartou antecipar as eleições de abril.
Durante a reunião, a missão do Paraguai na OEA, nomeada pelo ex-presidente, defenderá a legalidade do processo sumário que resultou na queda de Fernando Lugo. "Temos de respeitar as decisões das instituições democráticas do Paraguai. Para nós, o que houve foi um juízo político", disse um representante paraguaio antes do início da sessão da OEA.
Embora tenha durado apenas 24 horas, o rito sumário contra Lugo obteve aprovação tanto da Câmara quanto do Senado uruguaios. Ao fim, o presidente aceitou a decisão.
Por BBC Brasil