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16,2 milhões de brasileiros são extremamente pobres

8,5% da população brasileira está abaixo da linha da pobreza. Foi o que indicou, nesta terça-feira (3), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que estipulou uma nova linha de pobreza para balisar programas de assistência social do governo - a partir de agora, a extrema pobreza é considerada para famílias cuja renda per capita não passe de R$70 mensais.
O número corresponde a cerca de 16,2 milhões de brasileiros, que são considerados extremamente pobres. A linha de extrema pobreza definida pelo governo federal será usada para elaborar políticas sociais anunciadas pela presidente Dilma Rousseff, como o Plano Brasil sem Miséria, projeto que é o carro-chefe deste primeiro ano de governo Dilma e que deve ser lançado em breve pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).
De acordo com a ministra do MDS, Tereza Campello, o valor definido é semelhante ao estipulado pelas Nações Unidas. Para chegar ao número, o IBGE avaliou, além da renda per capita, as condições de vida dessas famílias, inclusive o acesso a serviços básicos, como a existência de banheiros nas casas, acesso à rede de esgoto e água e também energia elétrica.

O IBGE também avaliou se os integrantes da família são analfabetos ou idosos. Dos 16,2 milhões em extrema pobreza, 4,8 milhões não tem nenhuma renda e 11,4 milhões tem rendimento per capita de R$ 1 a R$ 70. Apesar disso, o estudo mostra que a pobreza no país diminui desde a criação do Plano Real - de 1994 até 2010, a pobreza no Brasil caiu 67,3%.

Desigualdade
 
Também nesta terça, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou pesquisa semelhante avaliando a evolução da desigualdade de renda no Brasil, que diminuiu nos últimos dez anos. O estudo, que tomou como base a análise do coeficiente de Gini - método utilizado para calcular a desigualdade social em um país -, mostra que o Brasil chegou ao patamar de desigualdade registrado na década de 60, após passar todo esse tempo só aumentando o coeficiente.
Apesar do bom resultado, o professor Marcelo Neri, da FGV, ressalta que a desigualdade de renda medida pelo índice de Gini no Brasil ainda está abaixo dos padrões dos países de primeiro mundo. O índice de Gini brasileiro está em 0,5304 - quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade.

Por Época